Salada Mista

Este blog anda abandonado. Sim, eu sei. Um blogueiro relapso assim merece chibatadas ad eternum. Para compensar, resolvi fazer uma miscelânea de assuntos que nada tem a ver com as tradicionais (rá.. dois meses apenas…) retrospectivas. Como esse post chama-se Salada Mista, não preciso me importar muito com o tema, apenas vou escrevendo o que vier à mente. Vai funcionar. Creio eu.

Primeiramente gostaria de agradecer o ilustre anônimo que fez uma doação de gigantesca preciosidade à Biblioteca Chico Leme, de Itatiba. A boa alma deixou no balcão de doações (que qualquer um pode passar e pegar, sem necessidade de cadastro, empréstimo, etc) uma coleção quase completa da Revista Nosso Século. Essa publicação saiu por volta de 1983, pela Abril Cultural, e conta a história do século 20 desde 1900 em fotos, ilustrações e textos.
Por um acaso do destino fui o receptor contemplado dos mais de 80 fascículos, das capas-duras, erratas, pôsters e tudo o mais. Absolutamente sensacional a riqueza de informações. Tenho a impressão que em determinado número, a capa é a foto, em close, do pijama de Getúlio Vargas baleado pelo tiro fatal que o fez sair da vida e entrar para a História. Para ficar tudo completo, faltam apenas os números 31 e 32. A foto abaixo é só uma amostra do tesouro que consegui pela fabulosa quantia de R$ 0,00 + dor na lombar de frete.

Nosso_Século

Falando em História, assisti um documentário brasileiro intitulado “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”. A ideia era fazer uma leitura do século XX através de imagens (dej vu?) e vídeos. O diretor Marcelo Masagão  mescla imagens de absoluta felicidade, como o progresso dos eletroeletrônicos, da dança, do futebol, com imagens absolutamente chocantes das guerras, mortos, nazistas deixando a câmara de gás e até uma perna inteira sobrando no meio de crianças.  Obviamente fiz um backup de segurança, caso o DVD da digníssima docente sofra algum dano.

Falando em dano, minha teoria sobre hiatos comerciais entre datas financeiro-comemorativas confirmou-se (novamente). Entre a Páscoa e o dia das Mãe, dois novos assuntos dominaram a mídia, mexeram com a opinião pública (se bem que… bah… te gente que está se lixando para a opinião pública, não é mesmo Sérgio Moraes?) e foram assunto desse blog: Escândalo (mais um para a coleção PraLamentar) das Passagens Aéreas e Gripe Suína.

A teoria consiste na afirmação de que as mídias exploram – nos hiatos entre datas financeiro-comemorativas –  assuntos “normais” até a última gota. Num período como Natal, Páscoa ou dia das crianças, seriam mais uma matéria no espelho dos jornais.
A diferença, nesse caso específico, é que dessa vez os assuntos tratados como prioridade eram de fato relevantes. Lembrando de outros casos, resgatei o caso da Soda Cáustica no leite (final de outubro de 2008), do Caso João Hélio (fevereiro de 2007) e Caso Isabella, em março de 2008.

Sobre o caso Isabella, aliás, tenho algumas coisas a dizer. Não quero parecer insensível ou moralista demais, mas certas ações passam do limite. Deixar flores no túmulo é compreensível. Fazer vídeos no Youtube e escrever nos comentários que “essa menina é a estrela mais brilhosa do ceu” (sic) não. Será que Freud ou algum filósofo consegue explicar esse tipo de reação?:

isa

O  argumento de que várias crianças morrem de fome, frio, doenças, falta de saneamento, ou seja, situações tão trágicas como cair do 8° andar já não cola mais para poder defender minha forma de pensar. Há mais alguma coisa que move multidões a chorar por uma criança que apareceu na televisão do que por tantas outras anônimas. Talvez esteja justamente aí o xis da questão: Isabella apareceu na televisão. João, Maria, Cleide e Xavier não. Não é pra deixar qualquer um louco?

Para terminar, as chuvas no Nordeste. Cadê aquela mobilização monstro que eu estava esperando para ajudar os desabrigados pelo aguaceiro? Até agora não veio.
Em 2008, no entanto, todos os veículos de comunicação, inclusive esse blog, mobilizaram-se para angariar fundos para o estado de Santa Catarina. Foram em torno de 32 milhões de reais. Até aí nada demais. Me parece injusto, entretanto, não fazer algo parecido para os mesmos seres humanos no Nordeste do país. Qual a diferença prática em ser sem-teto no Sul e no Nordeste? Nenhuma! Nessas horas a Record não faz campanha solidária, né?

Curiosamente, as chuvas em SC aconteceram no final de Novembro e comneço de Dezembro, exatamente no hiato entre dia das Crianças e Natal. Já as chuvas no Nordeste acontecem EXATAMENTE na época de dia das Mães. Coincidência? Acho que não.

Para quem começou agradecendo e terminou reclamando, até que esse post gigantesco rendeu algum conteúdo.

6 pensamentos sobre “Salada Mista

  1. Sobre o caso das enchentes no Nordeste eu sou totalmente contra a arrecadação de qualquer tipo de fundo. O motivo? O dinheiro nunca é aplicado de forma efetiva. Blumenau está penando até agora para ver alguma coisa reconstruída. E olha que foram arrecadados milhões de reais! Onde está esse dinheiro?
    A obrigação de ajudar essas cidades é do governo federal, que deveria ter reservas para esse tipo de situação. Porque, pra mandar dinheiro e ajudar o país dos outros o governo tem, mas para utilizar aqui no Brasil é o povo que tem que se mobilizar? Faça-me o favor!

    • Até faz sentido Pri. O que eu ainda não me conformo, e que, aliás, deve ser motivo de mestrado, é porque uma mobilização tão grande (com direito a um Teletoon da Record) quando a catástrofe é no Sul e tão pouca mobilização quando é no Nordeste. Pra não dizer que não vi nenhum, passou uma na Globo sobre isso.

      O trabalho das ONGs é a maior prova de incompetência administrativa do governo. Tem que haver vários cidadãos comuns dispostos a serem voluntarios para fazer trabalhos que deveriam ser de governos federais (da atual e das antigas gestões), estaduais, municipais…

  2. Frank, eu acho que não está havendo mobilização para ajudar os desabrigados nordestinos pois o governo, e as ONG’s, já estão com vergonha. Sabe por quê?
    Porque já foram feitas várias outras campanhas para ajudar o Nordeste, seja para os que passam fome ou sede ou o que for, e nada de concreto foi feito, que já se torna constrangedor pedir ajuda mais uma vez.

    • Aí é que tá. A conclusão que eu chego, no fim das contas, é triste demais. Recursos estão disponíveis, portanto, porque não se investe pesado na situação? Resposta: porque alguem ganha com isso. Ganha prometendo que vai consertar a vida dos que passam sede ou dos que morrem afogados, não fazendo nada, afinal. São eleitos eleição atrás de eleição…. Será mesmo necessários que tanta gente viva em condições sub humanas para poucos poderem usufruir do NOSSO dinheiro?

  3. Não querendo misturar assuntos, mas já misturando; já que você falou de poucos que usufruem do dinheiro do nosso país, você soube que querem impostar a poupança?
    Aí o ministro Mantega veio com a desculpa de que as pessoas que tem mais de 50.000 na poupança, que são as que se darão mal(melhor para os pobres) , representam apenas 1% das contas. Legal. Só que ele esqueceu de dizer que esses 1% representam 47% do total do dinheiro aplicado. E eu que achava que a poupança era para os menos abastados que faziam um enorme esforço para juntar seu dinheirinho… Tolinha…

    E, Frank? Pessoas usufruindo de dinheiro enquanto outras vivem em condições sub humanas? A história apenas se repete…

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