God save the president

Indo à uma vídeo locadora, fiquei impressionado com a quantidade de títulos disponíveis com a temática “salvem o presidente” ou “CIA e FBI vão salvar o mundo das garras de terroristas/alienígenas/traidores”. É incrível o respeito que eles têm pela polícia, pela agencia de inteligência e pelo cargo mais alto (e poderoso) do planeta. O mesmo ocorre com os ingleses que consideram traição falar mal da rainha – Vida longa à Elizabeth II.

Duvido que alguém já tenha feito ou fará um filme nacional com um mocinho funcionário da ABIN infiltrado em uma milícia carioca, ou mesmo algum membro da Polícia Federal tentando descobrir qual o terrível plano arquitetado para assassinar o Presidente da República durante algum discurso de inauguração de plataforma da PETROBRAS. Nos atuais tempos, é mais fácil alguém ajudar a matar um político do que tentar impedir.

Esse fenômeno tem algumas razões. A primeira delas é o histórico de presidentes estadunidenses assassinados em exercício. Só para citar temos os desconhecidos James Garfield e William McKinley e os famosos Lincoln e Kennedy. Este último, inclusive, teve seus segundos finais filmados e televisionados. Matéria de filme, realmente.

No Brasil, nenhum presidente foi explicitamente assassinado em exercício. Há suspeitas quanto a morte de Tancredo – eleito, mas que não chegou a assumir – e Marechal da Costa e Silva, que assumiu, mandou, endureceu o regime militar ditadorial e morreu depois de agonizar no hospital. O caso de Getúlio Vargas não foi propriamente um assassinato, haja vista que o próprio cometeu suicídio, mas é um caso interessante que poderia virar tema de longa metragem. Mas não vira.

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O tiro fatal de Vargas. Da vida à História

Outro fator é puramente cultural. Estadunidenses tem paixão em ver retratado nas telas grande o medo inconsciente de perder o comando do mundo. Mais emblemático que Independence Day, impossível. Por que quando há uma ameaça Global, os EUA sempre tomam a frente nas negociações? Talvez a idéia de política esteja mais madura na mente dos yankes. Maduros ou prepotentes? Eis a questão.
Já no Brasil, os focos do cinema nacional foram as chancadas, as pornochanchadas, os cassinos, a música…. Mais recentemente, o foco foi a realidade. Tiros, prostituição, favelas, armas, polícia X traficantes. Cenas que causam choque. Já uma pequena parcela se preocupa em retratar as obras de nossos maiores escritores e de escritores lusitanos, como nos casos de Primo Basílio e das adaptações de Jorge Amado. E é só.

Quem será o cineasta que terá coragem de retratar alguma missão de algum agente da ABIN, protegendo o presidente – ainda que fictício – de um atentado de autoria do PCC, do Comando Vermelho ou sei lá quem? Seria genial retratar a cena da tranferência da faixa sob a ótica de um mistério, de ação. As locações seriam a Granja do Torto e o próprio Palácio Presidencial. Já estou até vendo os Dragões da Independência correndo pra dentro do lago, o Secretário de Estado (ou casa Civil, sei lá) se atirando para o lado após uma explosão de uma grana de uso exclusivo do exército…. Podiam até simular um ataque terrorista ao Congresso. Quando mais elementos tipicamente nacionais, melhor. Se bobear, ainda há espaço para tanques de guerra na Paulista – imagine aquela vista aérea – e uma perseguição com estilo Pakour pelo centro de Salvador.

Pena que não sou cineasta. Mas fica a dica para alguém que tenha uma câmera na mão. A idéia já lançada.

E não precisa me pagar royalties.

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