Ser ou não ser: Onde está a questão?

Nessa semana recebi um presente dos nobres juizes do STF. Por decisão das mentes que de fato comandam esse país, sou jornalista, mesmo que não tenha sido necessário passar 4 anos em uma faculdade, extenuar minha mente com provas, trabalhos, matérias, desafios e coisas do gênero.

Como bem disse o Alessandro Martins em seu blog Livros e Afins, ter diploma agora não é uma obrigação e sim um diferencial. Quem tem diploma não é mais ou menos jornalista do que quem não tem, mas é inegável que a preferência será dada aos primeiros citados. O mesmo pode-se dizer de quem consegue o registro de trabalho cursando Letras.

Sim meus caros. De médico, louco, técnico da seleção e jornalista, todos temos um pouco. Contar um fato, uma fofoca à um amigo, nada mais é que um jornalismo simplificado, nu, cru, sem lei. Quem tem um blog acaba sendo um disseminador de informações, sendo elas relevantes ou não. Pode não haver técnica, cuidados essenciais com as palavras, mas a essência do jornalismo está aí. Informar, reportar, passar adiante com correção algo que estava restrito ao conhecimento de poucos.

Não sei se sou a favor ou contra a medida. Como o Carlão bem disse em seu desabafo, não haverá uma mudança prática. Acho que quem de fato quer ser jornalista ainda vai querer cursar uma faculdade. Trabalhar como jornalista é diferente de ser balconista, secretário, vendedor… É necessário QUERER e não simplesmente cair de para-quedas.  Não nego que saio beneficiado, mas isso, na verdade, não significa nada. Muita gente talentosa não tem o papel emoldurado tão cobiçado pelos jovens aspirantes à profissionais, que acabam vendidos por muitas faculdades. Só para se ter uma idéia, Boris Casoy e Orlando Duarte não cursaram faculdade.

Por outro lado, os estudantes de jornalismo – assim como o Carlão – sentem-se prejudicados pela medida. Pensar que alguém, como eu, que não passou pelos desafios que eles tem que passar diariamente, pode ter o mesmo cargo, o mesmo salário, o mesmo prestígio – sim, Jornalistas também tem ego – que eles, é simplesmente revoltante. E com razão, diga-se.

A pergunta que fica é: Você prefere comer comida de restaurante, feita com toda a técnica, os melhores ingredientes, preparada especialmente para agradar o paladar ou prefere a comida caseira da mamãe, aquele arroz com feijão e batata frita saudável, que mata a fome e sustenta?

Ser ou não ser jornalista diplomado: Será que é isso que está em jogo? Estamos abordando o problema da forma correta? Sinceramente não sei.

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