E em 1989 o muro caiu

O ano de 1989 foi marcante para a história do mundo. Janeiro já começou prometendo, pois George Bush – o pai – assumiu a presidência dos Estados Unidos da América. Seria ele que, no ano seguinte, declararia guerra contra o Iraque, só porque Saddam invadiu o país vizinho, o Kwait, procurando por petróleo alheio. Agora, em 2009, sabe-se que o filho não ficou devendo em nada aos roteiros de filmes de Hollywoody e termiou o serviço que o pai começou.

Do outro lado do mundo, um estudante chinês – ainda anônimo – parou vários tanques de guerra que reprimiam protestos estudantis na Praça da Paz Celestial. A foto correu o mundo e até hoje aparece em livros de história como simbolo de resistência contra ditaduras malignas. Ninguém sabe quem é esse chinês, onde foi parar ou porque ele resolveu ariscar o pescoço (e as outras partes do corpo também, diga-se).

Também foi em 1989 que ocorreu a primeira eleição presidencial direta pós ditadura militar aqui no Brasil. Se Tancredo foi o primeiro civil a ser eleito – ainda por um Colégio Eleitoral – e José Sarney o primeiro a assumir a cadeira de presidente depois dos militares, Fernando Collor recolocou a democracia nos eixos. Ele tinha aquilo roxo e, mais do que isso, ninguém poderia imaginar quão roxo ficariam as poupanças alguns anos depois.

Mais fatos importantes de 1989
>> IURD compra a Rede Record. A “ben$$ão” recai sobre a Barra Funda
>> Estréia da série de televisão Os Simpsons (que todos sabiam que não tinha futuro);
>> Morre Saul Reixas. Digo, Raul Seixas. Sociedade Alternativa dá nisso.
>> Nasce o Carlão e também esse humilde blogueiro

E em 1989 o muro caiu. Berlin estava mais retalhada do que as vítimas de Chico Picadinho, tanto física quanto ideologicamente. Aquele monte de concreto não significava apenas uma cisão de espaço. Era também uma cisão de idéias e vidas. Quem estava do lado Capitalista não podia ver parentes, amigos e amantes no lado Socialista. Quem estava nesse lado não podia receber dinheiro dos porcos chucrutes capitalistas. Veja a descrição do muro, segundo a Wikipedia: “dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda.

ConstruodoMurodeBerlin

Quem tentava atravessar a barreira tomava pipoco. Chumbo. Bala na nuca. Não tinha perdão. Literalmente você não podia mudar de idéia política, mesmo que essa idéia tenha sido imposta pelo lado da cidade que você estava quando resolveram contruir o muro. Ninguém perguntou se você simpatizava com Lênin ou Churchil.

A queda do muro é um episódio interessante. O Fail mais Win de todos os tempos. A palavra fez o concreto ruir. Entenda poque:

Já havia inúmeros protestos pedindo a liberação da fronteira. Várias décadas se passaram sem que o muro fosse vazado por civis oficialmente (e que não fossem médicos ou autoridades). Eis que os militares de ambos os lados resolvem, numa reunião secreta, liberar a passagem do leste para o oeste e vice-versa. Decisão importante, anunciada ao vivo pela teleisão, para todo o país. muro

Só esqueceram de avisar os pobres guardas que estavam no muro*.

A população marchou em peso para a fronteira e num dos atos de vandalismo mais nobres que o mundo já viu, destruiu a barreira que simbolizava a Guerra Fria – que deveria ser chamada de Tensa.

Claro que os guardas nada podiam fazer. A população atacava o muro como formigas que encontraram o açúcar. Botar o concreto abaixo foi de lavar a alma.

Hoje, 20 anos depois, poucos pedaços ainda encontram-se intactos. Viraram patrimônio da humanidade e ponto turístico para quem quiser dizer que lá esteve. Visite a galeria de fotos da Deutsche Welle.

1989 foi um ano recheado de emoções. Próximo caítulo? 1994. Aguarde.

* Não coloco minha mão em brasas ardendo em função daquela informação sobre o comunicado sobre a abertura da fronteira que não era para vazar para a impensa sem avisar os guardas. Estava na Wikipédia. Acredite se quiser.

2 pensamentos sobre “E em 1989 o muro caiu

    • Sabe que nem eu sei Maysa? Elas simplesmente brotam no meu subconsciente amalucado, que transmite a batata assando para meu consciente que, por sua vez, joga a bomba para vocês… haha

      Mas o Chico Picadinho é clássico… hahaha

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