Diário de Bordo: Paraty

A primeira vista, Paraty se parece com qualquer outra cidade praiana. Ruas um tanto quanto esburacadas, lotadas de carros e bicicletas, sempre com seres marombados tomando sua cervejinha e mulheres fofocando com suas amigas sobre a canga fora de moda daquela moça ao lado do carrinho de hot-dog.

Entretanto, quando se olha para o ínicio do centro historio, preservado, fica-se com a impressão de estar entrando em outra cidade, ultrapassando um portal do tempo e penetrando em outra realidade. De fato, entramos numa cidade cenográfica, de ruas calçadas com “pé de moleque” e casinha coloridas (posteriormente, claro) que remetem aos tempos dos escravos.

Essas ruas, aliás, não foram feitas pra madame andar de salto alto. Uma torsão é bem possível, se você se distrair demais com os sinos, janelões e varandas coloniais. Ainda falando das ruas,temos que dar graças pelo fato de poder andar nelas sem morrer intoxicado pela falta de oxigênio . Isso porque, 200 anos antes, eram escoadouros de merlin. Fazia-se as necessidades biológicas naturais (a.k.a cortar o rabo do macaco) e jogava-se pela janela. Saneamento? O que é isso?
Mas, tio Frank, as ruas ficavam cheias de bosta? Sim. Pelo menos na época de maré baixa. Quando as águas subiam, lavavam tudo e ainda deixavam um salzinho pra desinfetar.

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A essência turística de Paraty aflora até nos mais desinteressados. A todo canto que se olha, há sempre uma indicação de que, mais cedo ou mais tarde, você vai encontrar com um gringo, seja ele americano ou francês. A esmagadora maioria das lojinhas de artesanato e cachaça tem letreiros nas duas línguas (se bem que mesmo os brasileiros menos abastados financeiramente podem ler facilmente as plaquetas. Após algumas doses de caninha, claro). Outro fator que mostra a vocação turística é a cobrança de ingresso (2 reais) para entrar em uma igreja (a qual dizem ser patrimônio da humanidade). Percebe-se que os lojista não são necessariamente da cidade, mas sim de outras partes do Rio de Janeiro. Ainda falando de comércio, existe uma aassociação dos carrinhos de doces, legalizada e organizada pela Prefeitura. É uma tentação ambulante.

Achei bastante interessante uma das praças centrais. Foi montado uma exposição de bonecos representando histórias infantis. Um prato de pedreiro para os visitantes ávidos por locais propícios para guardar uma lembrança fotográfica. Perdi a conta de quantas pessoas eu vi imitando os bonecos. Tinha até umas casinhas de barro e tapume muito bem feitas. Pouco práticas, claro, mas bem feitas.

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A praia que visitei não era lá muito bonita, mas tinha uma quantidade considerável de conchas. A água também não era transparente, mas também não se pode considerá-la turva. A parte que mais me chamou atenção foi uma pedra relativamente grande, toda incrustada com conchas (que o bobo alegre aqui eu tentei, e consegui, escalar) e as raízes roxas de um coqueiro (?). A música ambiente era péssima, diga-se de passagem. Ok, dou um desconto. Isso não tem nada a ver com a cidade.
Detalhe: para quem é de São Paulo, Paraty é um ideal para perceber a influência do Flamengo no resto Brasil. Tudo bem que estamos no estado do Rio de Janeiro, mas a quantidade de bandeiras, camisas e badulaques do clube da Gávea impressiona qualquer paulista.

Paraty é um excelente lugar para se conhecer. Respira-se História, a caminhada é agradabilíssima, e todos com quem conversei foram extremamente receptivos. Paraty mostra que é possível desenvolver o turismo de tal forma que cada vez mais locais se transformem em ilhas e cidades cenográficas. O Brasil agradece.

E viva Paraty!

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5 pensamentos sobre “Diário de Bordo: Paraty

  1. Fez bem em não ir para lá na época da Flip. Assim você pode conhecer melhor como é a cidade.

    Eu também fui longe da época da Flip, e gostei muito. Só que bem mais interessante que o centro histórico é percorrer a antiga rota dos escravos, no caminho para Cunha. Fica a dica!

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