Nó em pingo d’água

Justiça suspende lei do Paraná que vetava palavras estrageiras em anúncios

Pela lei, de autoria do governo do Estado, palavras como “delivery” e “shopping center” teriam que ser acompanhadas, na mesma peça, pela tradução em português. Nesse caso, “entrega” e “centro de compras”.
O governo anunciou que irá recorrer da decisão, e defende o caráter educativo da iniciativa — afirma que a tradução ajuda as pessoas a entender o significado de palavras estrangeiras.

Meu primeiro pensamento ao ler essa matéria foi: “Mas que lei mais estúpida!“. É simplesmente ridículo pensar que alguem ainda imagina que as pessoas não entendam onde sua vizinha vai quando diz que vai ao shoping ou mesmo que a Cidinha, filha da vizinha da dona Lorena come hamburger todo dia. Eu sei que estou exagerando e cartunizando a situação, já que a lei se refere especificamente a anúncios impressos. A lei não prevê a substituição, mas a posterior tradução.

Mas imaginemos que haja uma natural evolução dessa lei e que se proíba o uso de palavras estrangeiras no cotidiano. Aliás, iamginemos não. Quase virou real: “O projeto rege o ensino e a aprendizagem; o trabalho; as relações jurídicas; a expressão oral, escrita audiovisual e eletrônica oficial e nos eventos públicos nacionais; os meios de comunicação de massa; e a publicidade de bens, produtos e serviços.” (fonte). A brilhante idéia era de Aldo Rebelo.

A tradução das palavras utilizadas no orginal estrangeiro é absolutamente inviável. Vejamos: Você vai a um restaurante japonês e o chefe (ou o maitre) de lá pede ao menino – já que garçon, que é uma palavra francesa, não pode – um prato com tiras fina de peixe cru servida com molho de soja e condimentos – já que sashimi não pode, pois é japonês. O menino vaí até a cozinha e volta avizando que o prato pedido acabou. Só tem macarrão com legumes (yakissoba).

Mas tio Frank, a lei do Aldo Rebello prevê também a daptação de palavras que sejam estrangeiras?

Muito bem leitor atento. Continuemos nossa história: Você sai de lá muito bravo,  e resolve comer uma pitsa (ou pizza, como queiram). Já no ral (hall) de entrada, (e de saída obviamente), você percebe que o retaurante está cheio. Desiste e resolve comer qualquer porcaria… Que tal uma festi fudi (ou comida rápida ou fast food)? A pedida do dia foi aquele amburguer (hamburger) que você viu no autidor (outdoor). É… realmente foi melhor comer em casa, já que o Janelas (ou Uindous, ou Windows) resolver travar, pela enésima vez. Talvez seja problema no Ispidi (Speedy) mas nós nunca vamos saber.

São tantos exemplos que eu poderia passar horas escrevendo esse pousti. Mas meu blogue não é sítio de textos tão longos. Ou pelo menos não tão longos.

Revoluções são muito boas. Mas só funcionam quando algo está errado. Estrangeirismos na Língua não é atraso ou problema. É adaptação e uma evolução natural decorrente da globalização.

Ou seja: proibir as pessoas de falar palavras em inglês, francês, japonês e o caramba a quatro ou mesmo exigir tradução pra tudo o que é escrito no meio da publicidade (ou do marquetingui) é querer dar nó em pingo d’água.

caneta

Um pensamento sobre “Nó em pingo d’água

  1. Nossa que estranho. Tem algumas palavras que já estão no cotidiano brasileiro, imagina ir em uma restaurante que você mesmo se serve, ou em uma comida rápida. A tradução também pode levar a diferentes interpretações, vai saber.

    Fato também que pessoas que vira e mexe soltam um ‘minha best’, ‘me segue please’ (em tempos de twitter) e muitos outros exemplos, são um tanto quanto irritantes. Mas também, o problema é delas.
    Agora, me da licença que preciso ir ao centro de compras e quem saber depois ainda me sobra um tempo pra jogar o herói da guitarra naquele aparelho com controles.

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