Trocando o motor: 2.0

Já virou tradição: Esse é o terceiro ano que faço um post comemorativo de aniversário. Completo, nesse 29 de outubro, 20 anos. Segundo o Carlão, estou trocando de motor e fazendo um upgrade para o 2.0. É bom lembrar que motores 2.0 bebem mais, mas, em compensação, tem potência maior… Um dilema que vou ter que conviver, enchendo a cara.

Ao contrário dos outro anos, escrevo esse texto na véspera. Ano passado, todo o conceito estava pronto em agosto. Acreditava ser bastante ficcional aquelas situações em que o cidadão chega em casa, afrouxando a gravata, desabotoa a camisa (com o paletó nos ombros) e encontra a casa toda escura. Ao chamar a esposa, com uma voz que mistura medo com cansaço (e a dúvida de estar sendo chifrado, obviamente), a luz se acende, a pupila se contrai, o coração dispara e inúmeras vozes conhecidas começam a cantar. Você sente tapinhas nas costas, um beijo no rosto e não entende aquela agitação toda. Quando vê o bolo e a velinha espalhando faíscas alegres para todos os lados, você se lembra que é o próprio aniversário.

Definitivamente não é ficcional. Com todo esse hype do Teleton, restou pouco tempo (e cabeça) para lembrar que faria aniversário.

Falando em festas, creio que o dia do aniversário seja a data comemorativa mais importante no ano de uma criança. Talvez só se compare com a Páscoa (recheada de chocolate) e o Natal (recheada de presentes). Aniversário de criança é igual Carnaval na Bahia: Mal se termina o do ano, começa-se a pensar no do ano seguinte.
Mês de aniversário então, nem se fala. A criança enche o saco dos pais por causa do maldito presente, geralmente alguma besteira da moda. O resto de toda a organização é fescura dos pais. Convitinho para os amiguinhos, saladinha para as tias, hotdog para alimentar os coleguinhas de classe. Ok, não sejamos injustos. A criança se importa com o bolo e com os brigadeiros.

No fim, sempre há a expectativa da “lembrancinha”. Em aniversários mais abastados financeiramente, essa “lembrancinha” é geralmente um eletrônico cobiçado pelas classes B,C,D e E, que, aliás, são adquiridos por preços módicos na travassia da Ponte da Amizade. No meu caso, as “lembrancinhas” eram saquinhos coloridos recheados de balas, uns brinquedinhos de plástico e algum ítem como língua de sogra ou apito. Ok, não lá aquelas coisas, mas nunca ninguem teve a coragem de reclamar.

A grande birra das mães é quando criança não come. Mentira. Criança come sim. É que, proporcionalmente, ela mais corre do que come. Uma cena que se repete ad eternum em festinhas infantis é a da tia segurando o bacuri todo suado e vermelho pelo colarinho e atochando um risoli, frio, na boca do moleque (só a carninha… só a carninha), enquanto ele olha desesperado onde estão os amiguinhos. Quando a tia solta a coleira, ele sai desesperado pra voltar pro pega-pega/esconde-esconde/barra-manteiga/tiro ao alvo/Winning Eleven…

Falando de mim, nunca anfitrião de grandes festas fui. Meus aniversários costumam ser substancialmente caseiros, voltado para familiares. Mas lembro de algumas festas que fiz a besteira de convidar convidei os amigos. Teve gente fazendo xixi nas calças, gente subindo no apê e fuçando deliberadamente no meu armário… coisas absolutamente comuns. E que eu não tive culpa, diga-se de passagem.

O fatídico “Parabéns a Você” é o momento sublime da festa. A família e os amigos se reúnem em torno da grande mesa farta de guloseimas e cantam felicitando o nobre aniversariante. Se bem que hoje em dia ninguem mais canta a música compelta. Malemal chega-se ao “é pique“. Aliás, falando da letra, o que diabos significa “é pique, é pirque. É hora, é hora. Rá-tim-bum“? O que será que o gênio quis dizer com essas onomatopéias que levam nada a lugar algum?
E depois da bonança vem a tempestade. O inferno dos aniversariantes é o “Com quem será?“. Qual será o sadismo em ver a estrela da festa e algum ou alguma coleguinha aparentemente anônimo passar vergonha? Se o próprio aniversariante tivesse o direito sagrado de escolher sua futura esposa de mentira vá lá, mas geralmente somos pegos de sopetão. Covarida.

Enfim… feliz aniversário pra mim. Que venham os regalos, as bebidas, as mulheres, o dinheiro, o sucesso. De presente, gostaria de uma cabine de pedágio. Grato.

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