Em defesa da mala branca

Mala Preta: Expressão boleira para definir o ato de dar dinheiro para que uma equipe faça o necessário para perder um jogo. O exemplo mais clásico é a mala preta dada pela Argentina para que a equipe do Peru, na Copa de 78, perdesse o jogo contra…. a Argentina! Resultado? Hermanos, classificados, 5X1 Peruanose brasileiros, eliminados invictos.
Mala Branca:
Expressão boleira para definir o ato de investir dinheiro para que uma equipe ganhe um jogo. Um exemplo recente foi o dos jogadors do Grêmio Barueri que afirmaram ter recebido um inentivo em reais para ganhar do Flamengo.

Após as considerações acima, começarei esse texto fazendo uma afirmação que pode não agradar aos leitores desse blog. Procurarei explicar ao longo dessas mal traçadas linhas o meu raciocínio. Não vejo problema algum em times pagarem mala branca para seus adversários. Para mim, é um recurso limpo, que não prejudica a honestidade do resultado da partida, ao contrário da mala preta.

Pensemos a nível executivo. Uma empresa – chamaremos de empresa A – depende dos resultados de outra empresa a qual chamaremos de empresa B – para obter sucesso e ter seus investimentos revertidos em lucro. Porém, a empresa B não teve um ano muito bom, alguns de seus funcionários mais importantes transferiram-se para outras empresas, alguns sofreram acidentes de trabalho e outros não tiveram o rendimento esperado. Enfim… a Empresa B vai falhar.

O diretor da Empresa A, que está com as contas em ordem, sabe dessa situação e resolve interferir, dando um incentivo para que os funcionários da Empresa B atinjam as metas traçadas. Com o objetivo atingido, todos ficam felizes, exceto o conglomerado Empresa C, que perdeu a concorrência para a Empresa A e agora chora o leite que derramou e sujou o chão limpinho que Dona Ludilene acbou de deixar nos trinques.

Entenderam o exemplo? Se a empresa B não cumpre o objetivo, o incentivo dado pela Empresa A seria completamente inútil. No fim das contas, eles só ganharam a bufunfa extra porque mereceram. Sim.. as vozes do além já gritam desesperadas na minha orelha: “Mas eles são pagos pra isso!”. Sim… eles são pagos para isso. A grana é só a materialização da torcida. Nada mais que isso.

Transportando para o mundo da bola, temos a mesmíssima situação. Os clubes interagem entre si de diversas formas: Emprestando seu centro de treinamento para equipes que vem de cidades distantes ( para enfrentar o adversário rival, claro), provocando nas entrevistas coletivas, combinando o preço dos ingressos e a respectiva divisão da renda e, no caso da mala branca, garantindo um Natal mais gordo para um goleiro, um atacante…

Agora vamos ao outro lado. Quem é contra a mala branca também argumenta. Selecionei as plavras de Vitor Birner, jornalista muito sensato (e que nunca havia sido citado nesse blog, veja só).

Não há espécie alguma de armação, entrega de jogo, manipulação de resultados…Tal qual me disse um personagem do futebol: “é como se fosse o bicho, mas pago por outro interessado”. Sou contra a “mala branca”. Contudo discordo de quem vê um crime na oferta ou aceitação dela. Acho imoral, antiético aceitá-la. O atleta não deveria pegar a grana. Não é certo correr mais em troca dela. O profissional chegou no acordo com seu patrão, acertou salário, e isso basta para que ele faça das tripas coração pelos bons resultados.

Até concordo com o Birner. O cidadão aceitou ganhar um salário X e é por X que ele tem que suar. Mas ele vai ter que entrar em campo de qualquer jeito, vai receber porrada na canela de qualquer jeito, via ouvir xingamento na orelha, dedada bem no meio do… ah, bem, vocês sabem (é.. isso ocorre naquele pagode na grande área).Se vai ser assim, ganhar um algo a mais depois só faz bem. Se a equipe perder o jogo, nada acontece.

Birner continua, dizendo que a mala branca é um doping financeiro. Discordo nesse ponto. O jogador pode até entrar em campo mais esperto, mas isso não traz nenhuma garantia ou vantagem para que o atleta seja superior aos outros. Prefiro chamar de placebo financeiro.

O texto completo sobre mala branca no futebol vocês encontram no Blog do Birner. Mais do que recomendado por esse blogueiro fã do jornalismo responsável. E de alguns irresponsável também, não é Kajuru?

A questão chave é discutir a ética envolvida nessas transações. Que os leitores não se assustem, mas, ao contrário do Birner e de muitos jornalistas e torcedores, não considero antiético receber o mimo. Antietico, talvez, seja negar que recebe. Já que é pra fazer, vamos mudar a atitude, ter mais coragem e admitir que pagamos e recebemos o incentivo, que, vale repetir, não é ilegal. Val Baiano está de parabéns. Postura corretíssima a meu ver. Mas, é claro, aqueles que defendem esconder a atitude para baixo do tapete preferem punir o jogador.

Veja o diálogo entre o referido atacante do Barueri e os repórteres maldosos e insensíveis (rá), durante entrevista. Val Baiano se enrola e se contradiz, mas passa um recado bem claro:

Val Baiano: Depois disso tudo, o jeito é não aceitar, falar que não quero. Pois se você aceita algo bom para fazer o seu trabalho, dizem que você é desonesto. Nunca vi isso! Se vier de qualquer equipe, claro que vamos aceitar.

Repórter: Afinal, Val Baiano, você aceitará ou não novas premiações?

Val Baiano: Aceitamos, sim! Não estamos recebendo nada para perder. Agora, independentemente de qualquer gratificação, vamos entrar em campo sempre para ganhar.

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva , na parte que cabe à Corrupção, Concusão ou Prevaricação (?) diz o seguinte:

Art. 237. Dar ou prometer vantagem indevida a quem exerça cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou Órgão da Justiça Desportiva, para que pratique, omita ou retarde ato de ofício ou, ainda, para que o faça contra disposição expressa de norma desportiva.
PENA: suspensão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e eliminação na reincidência.

Art. 238. Receber ou solicitar, para si ou para outrem, vantagem indevida em razão de cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou Órgão da Justiça Desportiva, para praticar, omitir ou retardar ato de ofício, ou, ainda, para faze-lo contra disposição expressa de norma desportiva.
PENA: suspensão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e eliminação na reincidência.

Para variar, a regra não é clara. Nesse caso, qual é o ato de ofício? Jogar bola? Mandar a pelota balançar o capim no fundo do gol? Se for isso, o jogador não pratica nenhum ato indevido. O jogador que recebe a mala branca também não pratica o ludopédio contra disposição expressa da norma desportiva. Muito pelo contrário.

Espero ter deixado bem clara a minha posição sobre o assunto. Debates são muito bem vindos. Prometo que responderei a todos da melhor maneira possível. Um dos meus grandes defeitos é não perceber quando estou errado, defendendo meu ponto de vista até que alguem me convença, as vezes tardiamente, que estou soltando abobrinhas pela guela.

SOU SIM A FAVOR DA MALA BRANCA. E você?

4 pensamentos sobre “Em defesa da mala branca

  1. Sempre fui e sempre serei a favor!
    O SPFC de tanto receber mala branca, acaba sendo campeao! (HAHAHAHAH só pra zuar e lembrar que ano passado tinha 1% de chance de ser campeao e começou a jogar muito contra os lideres… deve ter recebido mala branca… e aí deu no que deu)

    HAHAHA olha, curti essa minha teoria da conspiração brisada sobre o camp do ano passado.

    Enfim.. Mala branca EO!! \o/

  2. Pingback: Twitter Trackbacks for Em defesa da mala branca « Ideia Fix [ideiafix.wordpress.com] on Topsy.com

  3. Eu não sou a favor de mala de cor alguma.
    Sou a favor de incentivos dados pelo próprio clube para incentivar seus jogadores.
    Quer dizer que aceitar dinheiro de um adversário qualquer para ganhar de outro pode, mas receber dinheiro do adversário direto para perder o mesmo jogo, não pode? Pra mim dá na mesma.
    E, Frank, a regra é bem clara; e ato de ofício é apenas uma expressão jurídica, e você deve saber que significa nada mais que atribuições de um cargo ou função.

    • Quer dizer que aceitar dinheiro de um adversário qualquer para ganhar de outro pode, mas receber dinheiro do adversário direto para perder o mesmo jogo, não pode?“. É.. isso mesmo. É igual, mas diferente.

      Eu não quis entrar no mérito daquele que tem salário atrasados e recebe a proposta da mala branca, não quis apelar. Suspus que estão todos com o pingado em dia. Juro que não consigo ver como algo ruim, já que o objetivo do jogo é ganhar.

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