Onde você estava?

Uma das perguntas clichês ouvidas ontem foi o “Onde você estava na hora do apagão?“. Infelizmente nenhum ser dotado de senso de humor e cara de pau equivalentes respondeu cagando e andando para não formar monte grande, mas é a vida… Eu me recuso a escrever sobre o incidente (classificado como Cotidiano, rárárá), principalmente porque o pânico coletivo foi exagerado. 70% dos entrevistados disseram que estavam com medo. Medo do quê, caramba? Só acabou a luz! Não vou deixar de aproveitar a oportunidade, no entanto, para adubar a pergunta acima. Não quero saber onde você estava na hora do apagão. Minha curiosidade é saber onde você estava quando aconteceram alguns eventos minimamemnte significativos, para mim, claro.

Na final da Copa de 98 eu estava na casa da minha tia. A expectativa era grande. Talvez tão grande quanto a decepção no final. O jogo começou e todos estávamos como aquele emoticon sorridente [:D] e terminou com o emoticon da desgraça [:(]. O interessante é que teve gente nas redondezas que não estava muito preocupado com o jogo. A França estava ganhando. E daí? O importante era soltar rojão, o que só me deixava mais fulo. Não tinha lá muita idade, mas o suficiente para saber que aquele NÃO era o momento de comemorar alguma coisa.

Durante o sequestro de aviões nos Estados Unidos da América (ok,ok… 11 de Setembro), eu estava dormindo. Sorte (?) que acordei a tempo de assistir o segundo choque, contra a outra Torre. De fato, pensava-se que era apenas um acidente bem trágico. Após a segunda colisão, apenas a idéia do trágico manteve-se e o acidente foi jogado no limbo no esquecimento. Aquilo era um ataque terrorista OU uma reunião de pilotos bebados e desastrados, não necessariamente nessa ordem. O almoço daquele dia não desceu bem. O arroz com salchicha não pareceu tão saboroso, muito em função da trilha sonora caótica do Carlos Nascimento. Um Jornal Nacional nunca foi tão esperado aqui em casa. Na escola não se falava em outra coisa: o jogo do Curintchia no dia seguinte. É ué… vocês esperavam o que de garotos da 5a série? Discutir política internacional entre uma partida de pebolim e outra?

No final da Cipa de 2002 estava em casa. Naquele jogo QUASE saiu a primeira gota de lágrima que derramei em um relez jogo de futebol. Foi por pouco. Em 94 o Brasil tinha sido campeão, mas eu estava mais preocupado em fazer meu super possante de 10 centímetros terminar as 300 milhas da sala de estar em menos de 1 minuto e 03 segundos.
Eu vi Ronaldo marcar o primeiro gol e corri para a varanda do apartamento. Pessoas correndo pela rua, buzinando nos carros, nas sacadas… Acho que vi o porteiro colocando uma bandeira do Brasil para fora. Quando o jogo acabou – e lembremos que era um Domingo – fui propositalmente à pé para a casa da minha avó. O caminho foi inesquecível. Nunca vi a Avenida Jabaquara tão cheia de malucos bêbados ou simplesmente muito alegres pulando, gritando, correndo, deitando na frente dos carros. Meu olhos tentavam registrar tudo o que viam. Meus ouvidos tentanvam identificar o que as pessoas falavam entre uma cornetada e vários rojões. Pior que carnaval.

No dia do rebaixamento do Corinthians para a Série B estava num churrasco na casa da Anna, minha amiga. Eu e o Caio, amigo corinthiano, mal conseguíamos segurar a ansiedade empra ver o jogo. Sentamos no sofá as 16 horas. Pouco antes do jogo começar, algo em torno de 5 pessoas tambem vieram assistir o jogo. Eram São-Paulinos. TODOS OS 5. 1 minuto de jogo e… gol do Grêmio. Festa tricolor. Pasmo desespero surdo e mudo. O Corinthians ainda conseguiu empatar, mas não adiantava nada. Passamos o jogo inteiro ouvindo provocações alheias, gozações, piadinhas. Um inferno.
Ao final da peleja, abandonei minha posição de joelhos ao chão e preces ao céu e fui deitar no gramado ainda sem acreditar. O Caio ficou sentado no sofá, olhando o Faustão. Tenho certeza que ele nem estava ouvindo o que o ex-gordinho estava falando. Consegui vê-lo levantando e andando desolado pelo gramado. Uma cena lamentável… Nós dois não tínhamos palavras para consolar um ao outro. Abríamos os braços em sinal de paciência. Mal sabíamos que 2 anos depois seríamos campeões da Copa do Brasil e do Paulistão, além de contar com Ronaldo.

Você se lembra onde estava, com quem estava e o que estava fazendo na morte de Ayrton Senna? Nos eventos descirtos acima (modifiquem Corinthians e rebaixamento da forma que melhor se adaptar ao seu caso), como foi sua reação? E naquelas situações que eu não lembrei? Se tiver algum evento legal nos comentários, eu faço um edit no post contando minha versão.

4 pensamentos sobre “Onde você estava?

  1. Morte de Aryton Senna ? Não me lembro bem, tinha alguns poucos meses, mas minha mãe diz que a gente tava assistindo a corrida na televisão da cozinha quando isso aconteceu. Eu estava no colo dela.

    Em relação ao rebaixamento do Corinthians não lembro de nada muito direto, tava comemorando mais uma vitória do meu tricolor. Só lembro que depois todo mundo tava criando piadinhas infames, que de certo modo conseguia me incomodar, eram péssimas.

    Meu 11 de Setembro de 2001 foi um dia inesquecível, não porque foi bom, foi um dia trágico. Contarei minha versão: Estava eu naquela manhã de terça-feira (terça ?) assistindo Eliana, no meio do programa minha faxineira ligou avisando minha mãe que ela não iria, pois seus dois filhos tinha sofrido um acidente de bicicleta e estavam.. uhh, ‘muchucados’. Até ai beleza. Logo depois começou a o plantão do sbt, eu não tava entendendo absolutamente NADA, mas eu odiava qualquer tipo de notícia e fiquei mudando de canal até achar um que não mostrava aquele prédio pegando fogo, mal sabia eu que aquilo era um ato terrorista. Minha mãe finalmente descobriu o que aconteceu e ‘roubou’ a televisão de mim, lembro de ter ficado insatisfeita com a decisão dela, mas, ainda tinha coisas por vir. Já na Globo, a Eptv (que você deve conhecer, frank) contava outra tragédia, que não envolvia prédios e aviões. Apenas uma morte. A morte então prefeito do município de Campinas que atendia como Toninho. Lembro que depois da minha mãe ter monopolizado a televisão fiquei feliz, pois a escola ligou avisando que não teríamos aula em respeito a morte do prefeito. Tudo isso de manhã, fui um dia agitado.

    Em relação aos outros item não lembro de nada. Meu bairro não sofreu com o apagão. Não lembro de nada marcante na final da copa de 2002 e em 1998 lembro do óbivio, estava assistindo ao jogo com meu pai e um amigo dele. O Brasil perdeu e o amigo foi embora, é tudo que eu lembro.

    • Mas que 11 de setembro, hein? Não lembrava do dia da morte do prefeito Toninho. Sei que ela é tão suspeita quanto a do prefeito de Sto André, o Celso Daniel.

      Nós, que éramos pequenos na época, não tínhamos idéia do que estava acontecendo. De fato, todos os desenhos legais tinham sido substituídos por aquele prédio pegando fogo. Era muito sem graça… hahaha

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