Como surgiu o Açaí?

A história abaixo é tida como muitos como uma simples lenda. Bem… de fato, a probabilidade maior é de que ela seja mesmo uma lenda, mas não vem ao caso agora. O que vou contar é a MINHA VERSÃO – e isso faz toda a diferença – da origem do açaí

Tudo começa numa aldeia, anos trás, numa região absolutamente isolada  no Pará. Nesse caso, o nobre leitor fique a vontade para escolher entre capital, litoral ou interior. Tanto faz. Nesse ermo local havia uma tribo, com um número considerável de índios, o que em tempos atuais não significaria muita coisa. Como estamos falando de séculos, considere uma aldeia indígena tradicional, isso é, sem televisão, celular e calças.

Essa aldeia era feliz. O Cacique, apesar de ditador, era amado por todos. O Pajé sempre tinha a receita certa para todas as doenças e suas ervas estocadas em ordem alfabética (podemos entender como alfabética a ordem do pajé?), meticulosamente. A fogueira era acesa todas as noites, as danças era sincronizadas, os bacuris corriam – pintados – uns dos outros, os mais velhos contavam histórias de onças…. enfim… tudo o que você aprendeu sobre o modo de vida dos índios no Ensino Fundamental…

Mas essa tribo passou por um período de péssimas colheitas. Não foi culpa daqueles que aravam a solo, ou mesmo dos que metiam a mão na terra preta. Obra do acaso. Pior que, nesse caso, nem se pode colocar a culpa no MST, já que, naquele tempo, o que mais se tinha era terreno livre para cada um montar seu próprio conjunto habitacional de ocas cada vez mais modernas.

A comida foi ficando escassa, os índios morrendo de fome e o Cacique pensativo, querendo tomar providencias. A mandioca do cacique não era mais a mesma. Reuniu o conselho deliberativo da tribo, composto pelo Cacique, pelo próprio irmão e pelo Pajé. Eles analisaram friamente a situação e depois de 5 minutos, tomaram a decisão. Quer dizer, o Cacique tomou, já que nenhum dos outros dois membros era louco o suficiente para contrariar o chefe. Naquela tribo não nasceriam mais bebês. TODA a prole que dali para diante nascesse, seria aniquilada. Se mal havia comida para saciar a fome da tribo, não se podia pensar em colocar no mundo mais bocas. Esse raciocínio poderia ser aplicado em alguns lugares da sociedade atual, mas isso fica pra outro texto.

Do outro lado da tribo vivia Peri. Era um índio com saúde, responsável pela pescaria. Todos o invejavam pelo tamanho de sua zarabatana. Era a maior zarabatana da tribo, sem sombra de dúvidas. Iaça, jovem jóia da tribo, não deixava de reparar na zarabatana de Peri. Também pudera… ele ficava balançando de um lado a outro, tal qual pêndulo de relógio carrilhão. Peri tinha muito orgulho dela. Não era raro Peri ser avistado brincando com a zarabatana, da qual fazia muito bom uso.

Peri e Iaça foram ficando cada vez mais próximos, muito em função da zarabatana. Peri ensinava Iaça como manejar de forma correta o instrumento, sem ferir as mãos e a boca. A continuação dessa história vocês já devem imaginar. Iaça ficou prenha (maldita zarabatana!). Só há um detalhe que eu ainda não mencionei. Iaça era filha do Cacique.

A notícia, obviamente, se espalhou mais rápido que sementes  ao vento. Sim… uma tribo indígena pode não ter telefone sem fio, internet wireless, Twitter, Facebook, SMS, mas fofoca é algo mais antigo que a própria fala. O que faria o grande chefe da tribo? Qual seria a decisão do líder da taba? Revogaria a Lei? Cumpriria com a sua palavra? Pense no dilema cara leitora! Se o Cacique reverte sua decisão, vira avô. Se mantém, ganha o respeito da tribo, mas assassina o próprio neto. A Televisa tem inveja até hoje desse enredo.

O Cacique, depois de muito refletir, chegou a uma decisão. Resolveu mostrar que além de zarabatana também tinha culhão e… Ratificou o que tinha dito. Decidiu por eliminar seu herdeiro. Foi difícil, dolorido, mas a tribo precisava saber que tinha um líder casca grossa. Decidiu ele mesmo fazer o serviço. E fez bem feito.

E assim foi feito. Iaça ficou desolada. Se as novelas mexicanas existissem, seria com certeza a mocinha (dona de algum nome composto). Peri, por outro lado, fugiu da tribo assim que soube.. da gravidez, claro. Não estava preparado para ser pai. E naquela época não tinha Ratinho pra socar o cassetete na mesa e exigir exame de DNA.
Iaça chorava duplamente. Perdia, numa mesma época, o amado e o fruto de seu amor. Não conseguia dormir, por mais maracujás que comesse. A noite era sua companheira e a Lua sua fiel e passiva ouvinte.

Eis que uma noite, do fundo da floresta, Iaça ouviu um choro. Inconfundível. Era seu filho… mas, como era possível? Ela viu, com seus próprios olhos-de-fruto-de-guaraná, o bebê ser ***a censura decidiu cortar esse trecho do texto devido a fortes cenas de massacre desnecessário. Obrigado pela compreensão***.

O que mais ela podia fazer? Farejou com os ouvidos (?) de onde vinha o canto dos aflitos e seguiu sem pensar no amanhã. A chama da esperança ascendeu em seu coração e ela correu em direção à mata fechada. Correu – várias horas em círculos, já que os mapas eram bastante escassos e não confiáveis – a noite toda, até que descobriu a origem do choro. Não era seu filho (claro que não era!). Era uma árvore de frutos cor de vinho. Não aguentou mais essa decepção e resolveu, de imediato, não mais viver. Foi game-over ali mesmo.

O Cacique passou o dia preocupado. Não via sua filha pela tribo.  Organizou um grupo de buscas –  que infelizmente não contava com cães farejadores – e embrenhou-se pela floresta. Pela benção do Rei Sol, seguiu o mesmo caminho da filha (fora que essa história ficaria muito cumprida se ele tivesse errado o caminho. Nada como ser o redator).

Naquele pôr-do-sol melancólico, achou a filha estirada aos pés daquela árvore desconhecida. Nada de polícia forense.  Mandou levar o corpo de sua prole para a tribo, enquanto ficou observando os frutos. Era um cacique muito frio e reflexivo. Achou que daria um bom vinho. Colheu o que pode e, ao voltar para sua confortável oca, fez os testes. Era delicioso. Como a árvore estava carregada, descobriu como matar a fome de seus comandados. Além de vinho, criou uma pasta( uma massa) bastante nutrititiva (by Ruth Lemos). Olhou para o céu e agradeceu sua filha. A tribo estava salva!

Utilizou-se do anagrama e nomeou o fruto: Açaí.

E foi assim que o Açaí passou de geração me geração e hoje é apreciado por esportistas, cidadãos praianos e por aqueles que acreditam em suas funções afrodisíacas.

N. do B – Essa é uma lenda que realmente existe, adaptada por mim para esse blog. Qualquer fato que pareça MUITO inverossímil, é mea culpa. Desconsidere e siga feliz.

3 pensamentos sobre “Como surgiu o Açaí?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s