Futebor da Bicharada

Vô contá uma história pru cêis. Quem mi contô foi um cumpadi meu, lá das banda do Mato Drento, o Inhô Tinoco. Ele diz que é verdade verdadeira, mai eu num credito não. Si vossuncê quisé acreditá, é por sua conta e risco. Começa assim:

Era uma veiz um lugarzinho escondido de tudo, chamado Arraiá  das Curuja. Lá é onde a bicharada ganha vida e tudo eles se parece com humano. Lá no tar de Arraiá si formaro dois cumbinado. O time do quebra-dedo, e o time do pé-rapado. A bichara si reuniu e formô seus quadro. E eu, que num sô bobo nem nada, fui é bisoiá esse jogo, muito falado nas vizinhança.

Ô cumpadi. Pro cê tê uma idéia, a bicharada pediu pro jogo ser irradiado, na estação du lugá, PRJ-Bichadu. O ispriqui -que é o cara que fala do jogo e todas jogadas – era o jumento, rapaizinho apreparadu. O jogo foi começado as quinze hora da tarde, com sor a pino. Mas vamô falá dos time: O time do quebra-dedo tinha fama de campeão.Sapo jogava no gol, béqui de espera o leão,Cavalo o béqui de avanço, o arco esquerdo preá,veado de center-arco, arco direito o gambá. A linha tava um perigo, na meia jogava o rato, no centro jogava o tigre, na otra meia o macaco, na esquerda jogava o bode, direita jogava o gato.

E o juiz? Ah…pra essa função dos diachos, o lagarto foi cunvidado. Sabe pruquê? É qui o seu Lagarto era o único qui num tinha mãe, pra mode não ser xingado. Diz que ele chegou e foi logo dizendo: “Boa tarde senhoras e senhores. Ai que bicharada gorda, barbaridade…”.

O tigre deu a saída, coelho, rápido como ele só, foi pra tirá. O tigre passô pru bode, mais quando ele foi chutá, puxaro a barba do bode, o bode foi recramá. Farta feia! Na capitar, chamam isso de antidisportivo. Juiz falô que num viu, de certo tava de zoio nas mosca que ficava dançando pra lá e pra cá, só zumbeteando. Cachorro já quis brigá. Latia latia latia, mas mordê qui é bom nadicas. Já dizia o ditado: Cão que ladra num mordi.

A cabra muié do bode, xingô o juiz de ladrão. Imagine, deixá que uma coisa daquelas, uma covardia, acontecesse com o chifre mais bunito daquelas banda? Torcida do quebra-dedo fizéro recramação. A capivara e a cotia, dois bicho sem noção, chegaro a xingá o leão, veja só.

Já a preguiça dava risada, de vê o sapo de carção. Rapaiz… num é qui tava engraçado mesmo?

Largato que era o juiz, na hora dele apitá, desatrado como ele só, tinha engulido o apito,  e sem apito num pôde o jogo pará. Quem é qui ia ouvi os grito do seu lagarto? Ninguem! I aí descambô. A torcida entrô no campo, de pau, de faca e punhá. O pau cumeu direitinho, mataro trêis no lugá. Um banho de sangue no gramado do Arraiá.

No fim da briga é qui deu pra ver os resurtado. O bode ficô ferido, di certo sem a barba. Mataro o béqui leão, cortaram tudo as tripas coitado. Rasgaro a saia da cobra, cavalo quebrô a mão.

O sapo saiu correndo, jogou-se no riberão por que na hora da briga ele ficô sem carção.

O jogo, craro, num terminô, pur isso ficô empatado. Zero pro quebra-dedo e zero pro pé-rapado. Agora nóis vai falá, do center-arco veado. Nervoso ele dizia, entre suspiros e ais:

“Ai meu Deus do céu qui jogo bruto, meu Deus, que estupidez. Assim num jogo, num jogo, num jogo mais…”

E essa foi a história que cumpadi Inhô Tinoco me contô. Eu já disse que num credito. Imagine só… sapo de carção! Pra ler a letra da música qui fizero só pra esse jogo, dá um crique aqui. É do cumpadi Rolando Boldrin.

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