Top 5 livros lidos em 2009

A ideia foi da Dona Batata, e sendo dela, tem selo de qualidade. Escolher os 5 melhores livros de 2009 foi uma tarefa muito interessante. Difícil, principalmente pelo esforço de memória para lembrar quais foram os títulos lidos nos últimos 365 dias, já que eu não tive a presença de espírito de anotar quais foram (nota mental: tomar providências para esse ano). Depois de alguma reflexão, pesquisa e debates acalorados com o espelho, os eleitos estão logo abaixo, em ordem de lambança, digo, lembrança.

É bom salientar que meu critério para classificar quão bom foi um livro  é lembrar quantas vezes eu soltei algum tipo de exclamação enquanto o lia. Esses, com certeza, provocaram risos, interjeições de espanto e, eventualmente, uma palmadinha no joelho.

Toda Mafalda: Ela é baixinha. Ela é gordinha. Ela tem uma turma só dela. E, mais importante, ela NÃO é a Mônica. Quino consegue reunir em Mafalda, Manolito, Suzanita, Felipe, Miguelito, Guile e Liberdade um sem número de histórias, reflexões, verdade ácidas e situações cotidianas, numa visão muito apropriada, por vezes tão simples que chega a dar raiva de não ter pensado nisso antes.
Cada um dos citados representa uma faceta do ser humano. Mafalda é a contestadora, sentimento que na grande maioria das vezes está adormecido em cada m de nós. Manolito é o capitalista nu e cru. Suzanita a mais humana dos personagens, com seus preconceitos, sonhos superficiais e desejos supérfluos. Felipe é o sonhador nato, mas que dificilmente estica a mão para alcançar aquilo de deseja. Miguelito é o futuro de um pensador clássico. Guile está apenas na matinê da vida e já tem suas dúvidas, enquanto Libertade é a alegoria do seu próprio nome.

Toda Mafalda é para ler, rir e pensar. Ser argentina, nesse caso, é só um detalhe.

O Crime do Padre Amaro: “Eça de Queirós explora um tema altamente polêmico, mesmo nos dias de hoje: Clero X Sociedade X Política. Padre Amaro é mentalmente fraco, não suporta pressões. Quando conhece Amélia, essa condição fica cada vez mais explícita e difícil de administrar”. Essas foram frases da resenha que fiz do livro. Você pode lê-la clicando aqui. Mesmo assim, vou copiar aqui alguns trechos, para aqueles que estiverem com preguiça.

A trama é muito bem amarrada, permitindo surpresas na hora exata, sem grandes cortes abruptos. Algo que me irrita profundamente é o famoso “e de repente…” É possível perceber uma clara mudança de posição da Igreja quanto à figura de Deus. Enquanto no século XIX, a figura d’O Criador é pintada com as cores do medo, do castigo, da punição, hoje, em pleno século XXI, já é possível acompanhar missas pela televisão, acender velas virtuais, frequentar a RCC…

Um livro que você tem que ler. Fora que, quando terminar, pode gabar-se com os colegas dizendo que já leu Eça de Queiroz. E por apenas 17 reais.

O Tempo e o Vento – O Continente I – A saga é grande, mas a vontade de lê-la é ainda maior. Érico Veríssimo usa a História para contar sua estória. Tudo começou quando eu li, ainda no 1º ano do Ensino Médio, “Um certo Capitão Rodrigo“. Fiquei sabendo um tempo depois que aquela história era parte integrante de uma epopéia e que os personagens de lá tinham um começo e, eventualmente, um final. Mas a vontade de saber desses pormenores ficou imaculada. Agora, em pleno 2009, resolvi saber de onde veio Ana Terra e para onde vai Bolívar Terra Cambará.

No meio dessa aventura, recheada de sangue, tiros e álcool, acabei conhecendo outros personagens, conhecendo e entendo o Rio Grande do Sul, as  glórias, gírias e personalidade dos verdadeiros gaúchos de ontem e porque não dizer, de hoje. Um livro sobre tradição. O mais legal de tudo é que não pára no tomo 1. Temos ainda pelo menos mais 5 livros para nos divertir. Ah…. não ligue para os saltos no tempo. Isso é perfeitamente normal…

Os Donos do Espetáculo: O futebol não é só feito de bola, jogadores e empresários. A imprensa tem papel ativo no desenvolvimento do ludopédio no país. O livro nos mostra que, se não fosse pela insistência de Mário Cardim, o esporte mais popular do mundo demoraria muito mais para conseguir espaço nas raras páginas dedicadas ao esporte (que naquela época resumia-se a turfe e regata).

“Num incansável trabalho de pesquisa, o jornalista André Ribeiro aborda os mais de cem anos da imprensa futebolística no Brasil, desde os tempos em que a televisão nem sequer existia e os magos da comunicação tinham sempre um toco de cigarro aceso numa das mãos. Recheado de casos, histórias e depoimentos de mitos da comunicação e de lendas dos gramados, Os Donos do Espetáculo faz uma interessante ponte entre o atual estado do nosso futebol e o modo como ele se firmou na identidade nacional.” É isso que diz a resenha do Skoob, com toda a propriedade.

Sorte e Arte: José Roberto Alencar foi muito feliz nesse livro. Contar como escreveu grandes, médias e pequenas reportagens é fácil. Revelar que foi obrigado a subornar, mentir, seduzir, roubar e trair os princípios da moral e da ética já não é tão fácil assim. O autor dá uma pequena aula de jornalismo, mostrando que a primeira página é mais que um objetivo. É uma obsessão.

O livro é composto de vários bastidores de reportagens, começando pela primeira publicada. A arte e a sorte se misturam e ele faz questão de explicar porque. Sorte por que não é sempre que você esbarra num boteco com a única pessoa que pode te levar para dentro da sua reportagem ou ainda, descobre um vazamento de água contaminada na usina de Angra a tempo de parar as máquinas e de dar o furo (no bom sentido). Arte porque é preciso talento para transformar a sorte em sucesso.

Menções Honrosas: Condenado a Falar, um livro de Jorge Kajuru. (Leia a resenha que fiz clicando aqui.) e Antologia d’O Pasquim Vol 1

Outros livros que li no período que começa em 01-01-2009 e vai até 31-12-09:

O Guia do Moxileiro das Galáxias (Releitura)
O Restaurante no fim do Universo (Releitura)
A Ilha Misteriosa, Julio Verne (Releitura)
A Volta ao Mundo em 80 dias, Julio Verne (Releitura)
Furacão Elis, Regina Echeverria
A Fantástica História de Silvio Santos
Café Preto, Agatha Christie
Crimes ABC, Agatha Christie
Arquivos de um Repórter, Roberto Kirsten
Turma da Monica Jovem, Maurício de Souza, nº 1 a 4 (Vale, né?)

Ok, eu confesso. Fui obrigado a apelar para a minha ficha corrida na biblioteca. Só lá pude ter certeza do que li em 2009 ((muito pouco diga-se de passagem) e percebi que eu abandonei MUITOS livros esse ano. Se há uma meta para 2010 é começar e terminar, seja lá o que eu estiver lendo. E chega de reler!

As listas do pessoal

da Luciana Naomi
do André Gazola
da Deh Capella
do Henderson [Top5]
da Kaká
do Luís Eduardo Matta

Do Gabriel Lucas

[Se você também fez a sua lista, me grita que adiciono aqui!]

3 pensamentos sobre “Top 5 livros lidos em 2009

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