Vice-Camepão!

Não sei se essa característica é própria do brasileiro ou se é uma tendência mundial, mas é muito raro a valorização de qualquer colocação barra qualificação que não seja o primeiro lugar. Pior do que chegar em terceiro lugar, muitas vezes é ser vice-campeão. O Agora Esportes, da Paraíba, descreve o sentimento de ser o 2º colocado: “Ser vice e ultimo colocado no Brasil tem pesos idênticos embora que na prática a realidade para quem se sagrasse vice-campeão é bem mais digna do que tornar-se último colocado na tabela.

Mas por que essa dignidade é simplesmente ignorada por grande parcela da população, para não dizer toda ela? Qual é o grande desmérito em ser prata, não ganhar o ouro e tantos outros adjetivos impostos a quem é segundo? É o que vou tentar descobrir ao longo desse texto.

A talvez mais valorizada vice-campeã é Martha Rocha. Agora nome de doce, a soteropolitana, sétima (!) filha do casal Álvaro e Hansa, foi Miss Brasil no longínquo ano de 1954. Como parte do prêmio, a chance de disputar, dentre tantas outras beldades (de deixar seu Madruga, Kiko, Chaves e Professor Girafales embasbacados), o título de mais bela mulher do planeta naquele ano. De fato, a boca de urna considerava a brasileira campeã, mas no fim acabou sendo eleita a dona da casa, a americana Miriam Stevenson.
Mesmo terminando em segundo lugar, Martha Rocha sempre é lembrada, tanto é que criou-se uma lenda em torno dos motivos da derrota: as famosas 2 polegadas.

Segundo sua biografia, tudo não passou de uma invenção da revista O Cruzeiro, para hã… justificar a derrota. A própria Martha Rocha autorizou a publicação da história, mas, cá entre nós… que mané duas polegadas que nada!

Mesma sorte não teveram o Capitão-Aviador Paulo Sérgio Porto, do CCA-SJ, o Capitão-Aviador Eduardo Utzig Silva, da AFA, o Tenente-Aviador  Bruno da Silva Xavier, do 1º/3º GAV, o Tenente-Aviador André Rossi Kuroswiski, do 1º/3º GAV e Cadete-Aviador Frederico de Brito Machado, da AFA. Esses ilustres anônimos foram vice-campeões MUNDIAIS de Pentatlo Militar, num torneio realizado entre 16 e 20 de agosto de 2009, na Finlândia.

Para quem não conhece, o Pentatlo Moderno é uma competição que reune cinco (dã) modalidades distintas e, porque não, destintas: Corrida, Natação, Hipismo, Esgrima e Tiro. Não é coincidência que essas habilidades fossem fundamentais para militares antigos, daqueles que ainda brigavam corpo a corpo. A título de curiosidade, a competição foi “inventada” pelo Barão de Coubertin (pra você que não sabe pronunciar, é Cobertã, numa tradução bem rudimentar).

Mas porque raios ninguem ficou sabendo disso? Nenhum deles foi no Globo Esporte, nem deu entrevista ao Regis Rösing no Esporte Espetacular e muito menos participou do Band Esporte Clube ou do Esporte Fantástico. Era uma excelente oportunidade para se falar um pouco desses esportes, principalmente agora que teremos pan-Americano e Olimpíadas (inclusive de Inverno). Será que se fossem campeões haveria alguma diferença? Nunca saberemos.

Parte da culpa por isso deve-se ao famoso complexo de Vira-Lata (RIP Nelson Rodrigues). Ou seja, nas palavras do próprio, “por ‘complexo de vira-lata’ entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. Portanto, conclui-se que, ou você é campeão, mostrando que é melhor que todo mundo, ou não é nada, independente de quantos ou de quem participa.

A outra parte da culpa é o sedentarismo que NÃO move a sociedade a mudar esse quadro, do mesmo modo que NÃO move na hora de homenagear os ídolos, ainda em vida. Felizmente esse segundo quadro está mudando, graças a calçada da fama no Maracanã, ao Museu do Futebol no Pacaembu e ao… epa.. espera aí… só temos exemplos no futebol? Se for explorar esse filão, entraremos numa longa discussão (rima involuntária, sorry). O texto do Juca Kfouri sobre a poliesportividade dá uma arremate nesse aspecto.

É… assim fica difícil valorizar quem chega em segundo… Malemal valorizamos quem chega em primeiro!

2 pensamentos sobre “Vice-Camepão!

  1. sim frankinho… concordo c/ o juca… + apesar dos pezares.. vejo esse panorama.. ainda q timidamente… mudando… e temos uma oportunidade d ouro… c/ as olimpiadas no rio… talvez a última..

  2. Em uma competição como Olimpíadas, o segundo lugar é pior que terceiro… O terceiro pelo menos vem com uma vitória…
    Lembro uma entrevista certa vez em que Ayrton Senna dizia que o segundo é o primeiro dos últimos…É mais ou menos por aí… Que o diga o bom e velho Clube de Regatas Vasco da Gama…nada contra…hehehe

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