Diário de Bordo: Monte Sião

Se você está procurando roupas feitas a partir de tricot ou crochet, você está intimado a conhecer Monte Sião, cidadezinha mineira, bem na fronteira com São Paulo. Lá você vai encontrar blusas, casacos, batas, gorros ou sei lá o quê. É muita coisa.

Vários aspectos chamam atenção. O primeiro deles é a quantidade de lojas. Há várias galerias e ruas inteiras dedicadas a arte de fazer roupa através de fios de lã. A mulherada fica enlouquecida, correndo de uma loja a outra, experimentando, pechinchando. Você, maridão e filhão, tenham paciência. Não dá pra visitar tudo num dia só.

Mas Monte Sião não é só isso. A preocupação com o paisagismo das praças é incrível. Como vocês verão nas fotos a seguir, tudo é muito bem limpo e podado. Alguém realmente pensou, planejou e executou uma verdadeira obra de arte, que não se resume apenas no formato ornamental das árvores, mas nos detalhes como fontes de água, orelhões em formato irreverente (que muito me lembraram aqueles sorvetes que se fazem a partir de suco colocado em forminhas de gelo), caminhos sinuosos e bem calçados. Até a Zona Azul compensa: só 1 real/hora.

Sinceramente? Fico com vergonha das praças de Itatiba. Todas largadas à própria sorte. Mas não vale a pena falar disso. Voltemos a Monte Sião.

O povo, pelo menos com quem conversei, me pareceu simpático e solícito. Pessoal de bom humor (até porque é uma cidade que depende desse tipo de propaganda que estou fazendo). O dialeto local é uma mistura do gracioso “minerês”, afinal estamos em território de Aécio Neves, mas com um pé no do Zé Serra: algumas puxadas de “erre” são tipicamente do caipirês, ao qual sou fluente e tenho diploma de “dotô’. A título de curiosidade, quem nasce em Monte Sião é chamado de montessionense. Belo gentilício.

Como não podia deixar de ser, entre o calor das roupas de lã e o frescos das fontes d’água da praça, há as excelentes e tradicionais lojinhas de queijos e compotas. Que perdição aquele sem número de doces de todas as frutas e todos os açúcares! Se me desse uma colher e a liberdade para abrir o que quisesse, sairia de lá passando mal, gordo, e bêbado, já que há prateleiras inteiras dedicadas à caninha mineira. Mas fique tranquilo. Há também os doces diet – praticamente como deglutir um Big Taste com batata grande, mas pedir Coca Light, pra não engordar.

Um lugar que você PRECISA visitar é a Rodoviária. O intrigado leitor me pergunta se é por causa da estonteante arquiterura. Não, não é. A curiosa leitora já tem certeza que é porque há muitas lojinhas de artigos ótimos para colocar em 3 vezes sem juros no cartão. Não. Também não é por isso.
Na verdade, o normal é que Rodoviárias tenham um bar. Em Monte Sião, O BAR TEM UMA RODOVIÁRIA.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

Em Monte Sião há uma espécie de museu, no qual estão reunidos inúmeros objetos de devotos de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Entre as prateleiras, consigo lembrar de maços de cigarro, chaves de carro, toalinhas, chaveiros, chapéus, calças (?) e fotos. Muitas fotos. Em igual (ou superior) número, cartas, bilhetes e até quadros com mensagens de agradecimento. O que me deixou curioso foram os moldes de mãos, pé, rim e um outro órgão que eu não consegui identificar. É bastante curioso, vale a pena visitar.

Além disso, há a história chamada de ‘O milagre da Chuva”:

Em 1937, o bispo local ordenou que a imagem de Nossa Senhora fosse retirada da capela e mandada para a zona rural. O motivo é que a imagem era hã… bem… era sensual demais. Com todo respeito, a imagem tinha peitchoquinhas (sic) e cinturinha de pilão. Eu mesmo vi e vocês podem fazer o mesmo clicando nesse link.

Ordem do bispo obedecida. A partir de então, não caiu uma só gota de água no município. Entretanto, nos municípios vizinhos, a vazão pluviométrica continuava na mais absoluta normalidade. Plantações estavam secando, o gado estava morrendo e o povo, pra variar, padecendo. A associação foi clara: enquanto a santa não voltasse, nada de irrigação celeste. Os moradores clamaram ao Bispo, que cedeu.

A procissão para a chegada da santa mobilizou toda a cidade. Seguiam em romaria pela avenida principal, sob um sol de rachar coco. Quando o andor se aproximava da Matriz, o tempo fechou. Não… não houve briga. Foi  a tão esperada chuva que veio com pompa e circunstância. Nunca mais faltou água pra Monte Sião e as plantações e criações prosperaram.

Eis o mistério da fé.

7 pensamentos sobre “Diário de Bordo: Monte Sião

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