Diário de bordo: Embu das Artes

Esqueça momentaneamente tudo o que você ouviu falar sobre diversidade cultural. Embu das Artes, bem próximo ao bairro de Santo Amaro, na capital do estado de São Paulo, oferece uma dose cavalar de miscigenação.
Lá eu vi gaúcho vestido de gaúcho; lá eu vi baianas vendedoras de acarajé vestidas tal qual baianas vendedoras de acarajé. Vi hippies totalmente paramentados como hippes, inclusive no que se refere ao gosto peculiar pela aparência capilar. Vi também o que antigamente chamava-se bicho-grilo. Só não vi índio vestido de índio, porque índio não se veste e isso seria atentado ao pudor.

Mas índio (vestido como branco) também tinha lá.

Quero a boina do tio pintor

Ir para Embu das Artes me causa a mesma agonia (é… a palavra é exatamente essa: agonia) que ir para uma livraria de grande porte. É tanta coisa legal, bem feita e de bom gosto, que nossa escassez de recursos financeiros (também conhecido como falta de grana) nos impede de realizar todos os nossos desejos. É… NOSSA falta de grana. Não pense que você escapa dessa classificação…

O centro da cidade é uma grande feira, com lojas de fachadas imponentes e coloniais (será esse o termo?) e, no meio das ruas – a maioria fechada para trânsito de autos – baracas, barraquinhas, tendas e até panos estendidos no chão, expondo o grande dom manual do ser humano: artesanato. Um detalhe que me chamou atenção é que 90% dos expositores deixam visível o alvará de funcionamento padronizado e datado de 2009. Prova que a administração municipal cuida e organiza. Além de servir de controle para um impostinho aqui e outro acolá, não é?

Se você tiver paciência para olhar todos os vendedores, dá pra passar o dia todo no local. O almoço fica por conta dos restaurantes serve-serve (sic) e churrascarias que você pode encontrar por lá mesmo. Também tem, é claro, as barraquinhas de sandubas e dogões espertos. De sobremesa, você encontra os quitutes da tia Anástácia…

Como você pôde notar nas fotos acima, a variedade de especialidades é bastante grande. Meu fraco são as artes plásticas. Muitos artistas expõe quadros que poderiam muito bem ornamentar as paredes de um museu. Os estilos de pintura também são variados, mas como eu não sou especialista na teoria da arte, não saberei descrever. Só sei que – e  no fim é o que importa – são muito belos.

Objetos feitos de pedra-sabão tambem são fáceis de encontrar. Jogos de lógica matemática, resta-um, cinzeiros, vazinhos e outra bugigangas são um belo presente de aniversário: original e agradável de ganhar. Quem disse que você precisa vender o seu fígado para pagar os presentes da Cecília Dale (cá entre nós, uma das poucas lojas que eu faço questão de visitar em shoppings)?

As mulheres farão a festa com as barraquinhas de bijuterias. Acredito que seja praticamente impossível para uma representante do sexo feminino ir a um local cheio dessas tentações e não comprar um exemplar que seja. Até um grão de arroz com seu nome marcado vale. Opção é que não vai faltar.

O misticismo tem seu espaço garantido no mar de barracas. Bruxinhas de todos os tamanhos, incensos de todos os cheiros, sininhos para espantar mau olhado. Entretanto, dentre todos esses objetos, os mais excêntricos foram manuais de bruxismo. Será que tem alguma elixir para curar ressaca? Bem útil nesses tempos de Carnaval. Na hora eu até dei uma viajada, imaginando um porão secreto no qual vendem os caldeirões, as vassouras voadoras e as compotas com rãs, patas de aranha e gosma de sapo. Tá, foi mal. Perdão.

E o que dizer dos dragões, já que o assunto é coisa do submundo? Tem um artistas lá – esse sim é artistas, na concepção original da palavra – que cria uns dragões de uma, duas, três ou quatro cabeças absolutamente sensacionais. Até mesmo os pequenos ficam legais se colocados na mesa do serviço ou numa prateleira em casa. Mas os grandes… o cidadão faz questão de moldar as dobras da barriga, os nervos das asas e ainda constrói um sistema no qual é possível fazer com que ele – o dragão, cara-pálida – solte fumaça pelas ventas. Entenderam porque eu disse que dá agonia não poder levar tudo isso pra casa?
A propósito, já sei o que enviar de aniversário para a Mariana, do About:Blank. Hahahaha….

Embu das Artes é única para cada visitante. Cada um leva de lá – física e psicologicamente – as lembranças que mais marcaram, que tanto pode ser um chopp com os amigos ao pôr-do-sol, como música ao vivo de um saxofone tocado por um japonês, enquanto beberica um café em alguma cafeteria estilo italiano. Mais um lugar com o selo Ciro Bottini de qualidade.

7 pensamentos sobre “Diário de bordo: Embu das Artes

  1. Sim embu das artes é muito bom, principalmente para mim que moro aqui em Itapecerica da Serra, bem ao lado… Curto muito ir ao domingos com minha gata passear ou comprar algo, alias tem um lugar bem legal que so funciona dia de semana para comer, um hamburgueria chamada Dinho burguer, é caro o Hamburguer, mas pra quem gosta vai ser o melhor da vida deles… Tudo produzido pelo proprio estabelecimento, até a maionese… Fica na praça da lagoa…tb tem um lugar legal chamado Cidade das Abelhas, muito cultural, outro lugar chamado rota 69, pra encontros mais picantes… O parque do Rizzo… Que tem uma beleza natural… no centro do embu no domingo é gostoso o suco da banca da mãe da fernanda, tanta coisa boa que não da nem pra enumerar…

    Sem contar as mulheres…. namorei umas 3 de lá…rsrsrsrsrs

  2. Pingback: Diário de Bordo: Ilha Bela « Ideia Fix

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