Indy 300: São Paulo

Saímos das belas e exuberantes paisagens do deserto do Bahrain e tomamos um choque de realidade com os muros e alambrados de São Paulo. A Fórmula Indy volta ao Brasil tentando inovar: Um circuito de rua abrangendo 2 símbolos da cidade que é o coração do Brasil: Sambódromo do Anhembi e Marginal Tietê.

O conceito é lindo: andar a 300 km/h em um local onde raramente passa-se de 60. Na prática, algo saiu errado, talvez pelo pouco tempo deixado para a organização. O circuito acabou dividido em 2, cada parte com um grande problema. No lado da Marginal, a reclamação foi em função das exageradas ondulações na pista. Há que diga que o Brasil, está planejando sediar uma etapa do WTC, dado o tamanho das ondas no asfalto. A organização da corrida disse que é normal, mas, no visual dentro do carro, a impressão que tive é que o carro perderia o controle a qualquer momento.

Eu esperava ondulações, mas isso é uma loucura. Há um ponto em que tiramos as quatro rodas do chão. Espero que arrumem isso” – Dário Franchitti.

Oposto a isso, temos a reta do Anhembi, absurdamente lisa. Ninguem conseguia acelerar de forma digna. Isso sem falar nas várias e perigosas rodadas. Bia Figueiredo foi uma das vítimas do gelo paulistano. Durante a madrugada realizou-se uma raspagem, deixando a pista com mais aderência. A situação estava tão desesperadora que Kanaan fez uma comparação bastante… carnavalesca: “O carro da Gaviões da Fiel no Carnaval tem mais grip [aderência] que o meu hoje“. Esse é apenas o primeiro ano e muita coisa vai ser melhorada para a prova do ano que vem, para que não passemos vergonha mundial. De novo.

Superados – de uma forma bastante acochambrada – todos os problemas, vamos ao que de fato interessa: a corrida.

Logo na primeira volta um acidente colocou o carro de Mario Mores em cima do carro de Marco Andretti. Além disso, vários carros se tocaram, mandando muita gente pro pit stop. Castroneves foi um dos prejudicados, caindo muitas posições.
Quase 10 voltas em bandeira amarela, a corrida recomeça, com todo mundo bem mais calminho. Quem se beneficiou foi Kanaan, que largou em 6º e pulou pra 4º. Na cola de Hunter-Reay, que passou Tagliani e o pole postion Franchitti, Tony chegou a ficar em terceiro, até ser tocado por Tagliani.

Quase no mesmo instante a chuva começa, terminando com qualquer possibilidade de vitória de Kanaan. A bandeira vermelha, interrompendo a prova, mostrou outro problema da pista: drenagem. Poças gigantes formaram-se nas laterais, tornando a corrida muito perigosa. De fato, vários pilotos rodaram na curva denominada S do Samba, mesmo local do acidente da primeira volta.

Quem se deu bem com toda essa confusão foi Rafael Matos, que chegou a pilotar na 2ª posição, mas foi ultrapassado por Briscoe e Power. Outro brasileiro bastante feliz foi Vitor Meira, em 5º.
Importante salientar o duelo emocionante travado entre Hunter-Reay e Briscoe, que terminou na rodada deste ultimo. Foram pelo menos 3 ultrapassagens em 2 voltas… muito bonito de se ver.

Com tanta bandeira amarela, a prova não poderia terminar de outra maneira se não por tempo. Quem estava na frente era Will Power, que comeu quieto e deu sorte. Hunter-Heay terminou em segundo, fazendo uma bela corrida.

Um parágrafo todo especial vai pra Vitor Meira, que terminou em terceiro colocado. Matou a pau e ganhou um pódio que jamais será esqeucido.

Os brasileiros: A estreante Bia Figueiredo, mesmo rodando, conseguiu terminar a prova. Pode ser considerado uma vitória.
Romancini bateu, mas conseguiu levar um carro todo detonado até o PitStop. A Dolly agradece a gigante exposição.
Castroneves deu azar desde o começo, fazendo o que foi possível. Mais azar ainda teve Kanaan, que poderia até ter ganhado a prova, se não fosse a batida pouco antes da chuva.

A conclusão que se chega é que os organizadores optaram por correr o risco de algumas falhas estruturais – o que realmente aconteceu – para não perder a oportunidade de realizar a prova. Como toda a escolha, teve consequências. As críticas fazem parte dessa escolha. Não concordo com o pensamento que passaremos vergonha nos 5 anos de contrato. O erro maior, no meu ponto de vista, foi realizar a prova tão pouco tempo depois do Carnaval. Faltou oportunidades para testar a pista em diversas situações.

Ao pessoal – inclusive de outras emissoras – que fizeram críticas ferrenhas à organização, um aviso: apontar os erros de forma construtiva é uma coisa. Humilhar e desmerecer o trabalho de muitos é falta de caráter. Vergonha é isso.

PS: Enquanto em Indianápolis dão leite de garrafa pro vencedor, aqui no Brasil deram uma caixinha de leite longa vida de marca duvidosa. Will Power, com razão, relutou pra beber. Custava fazer uma garrafa com o nome do patrocinador? Horrível ação de merchandising.

“Hahaha.. tá fodido… vai ter que beber da caixinha!”

Crédito das fotos: UOL Esporte

5 pensamentos sobre “Indy 300: São Paulo

  1. Cara, o único blog (ou site) que tem a foto com a história do leite na caixinha deve ser você. Meu marido me contou (eu perdi o final da corrida) mas eu não acreditei.
    Ele ainda falou que era o tal do leite Bom Gosto. Caramba, nada mais populacho que isso. Pegaram o leite que a galera compra na promoção do mercado Lopes aqui de Guarulhos. Ri pra caramba quando soube. De fato, o pessoal da Bom Gosto bem que poderia fazer uma garrafinha com o logo deles. Mas, se a gente for pensar bem… Aqui no Brasil a gente não toma leite na garrafa, não é?
    Mas eu adorei a foto. Matou minha curiosidade. Valeu.

    • Esse Leite Bom Gosto é típico dquelas promoções que o Supermercado limita a 4 caixas por consumidor, se não o povo rapa o estoque, só porque tá barato…

      O problema, Monica, é que o leite é tradicionalmente de Indianápolis porque lá eles são reconhecidamente produtores de leite. Aqui no Brasil, se o objetivo era imitar, tinham que ter dado sei lá… café? Suco de laranja? Ficou bem bizarro…

      Tentarei achar o vídeo. É uma cena histórica

  2. Pessoal,

    eu estive lá, vi os dois dias de corrida ( treino + corrida ), e apesar de algumas dificuldades, o que é normal para a primeira vez em um circuito, até nos países acostumados com estes eventos e chamados de primeiro mundo acontecem, acho que todos deveriam salientar os pontos positivos, que também foram muitos, inclusive os elogios dos pilotos, depois dos acertos da pista. Como disse anteriormente, estive lá e vi um show de automobilismo, apesar de toda as dificuldades apresentadas, pista, chuva, ondulações, etc…
    Infelizmente a maioria dos brasileiros tem mania de criticar tudo que é feito aqui.
    Para o ano que vem, tenho certeza que a organização estará fazendo novamente um bom trabalho, e com certeza corrigindo os erros deste ano.

    • “Para o ano que vem, tenho certeza que a organização estará fazendo novamente um bom trabalho, e com certeza corrigindo os erros deste ano.”
      Eu também José Carlos… eu também…

      No fim das contas, foi uma prova divertida de acompanhar. As vezes a F1 é romaria se comparada com a Indy

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