Reflexões de Supermercado

O texto do Alessandro Martins sobre ladrões de carrinho de supermercado era tudo o que eu precisava para iniciar esse post sobre  o próprio (o supermercado, não o Alessandro Martins) que há tempos estava sendo gastado na minha massa cinzenta. Mesmo depois de começar, ele ficou aqui no draft maturando. Outro autor que é inspiração para esse texto é o Veríssimo Filho, com sua crônica sobre lixo. Esse humilde aprendiz de escritor está longe de dizer que as palavras a seguir são uma fusão desses dois textos – seria pretensioso demais da minha parte – mas eles são a semente para.

Os carrinhos de supermercado muito dizem sobre a personalidade das pessoas que o conduzem. Um exemplo prático é um carrinho que contem bolachas Trakinas ou Passatempo. Pode contar que tem criança em casa, pentelhando durante as férias, querendo alguma guloseima pra roer. Mas vamos com calma.

Se os produtos que compõe os carrinhos demonstram a personalidade de quem o conduz, estamos aptos a pressupor algumas coisas. A primeira delas é que “conduzir” não significa, necessariamente, impor força física para obrigar as rodinhas a se moverem, ou, em outras palavras, empurrar aquele monte de aço corredor adentro. Também é possível exercer a soberania carrinhesca (neologismo detected) apenas caminhando a seu lado (ou à frente ou atrás. Nunca em cima ou embaixo, que já é sacanagem), designando a condição de motorista ao maridão ou aos filhos pentelhos.

Também vale a pena dizer que quem paga a conta não é necessariamente o líder da trupe. No máximo é o que mais trabalha. Pois bem. Depois dessas considerações, vamos ao texto de fato e de direito.

O supermercado é um ambiente habitado essencialmente por mulheres, na faixa dos 25 anos para cima. Diferentemente do salão de cabeleireiro, elas não estão lá para passar a tarde fofocando e ficando mais belas só para fazer frente às suas potenciais adversárias (que curiosamente também são suas amigas). Mulheres vão ao supermercado com dois objetivos básicos, sendo a) abastecer a dispensa com produtos essenciais (ou não) para a manutenção da casa e b) Canalizar as frustrações do dia a dia nas compras, assim como num shopping

Tendo isso em mente, percebemos porque os carrinhos com um excessivo volume de comida congelada demonstram que seu comandante ou é homem solteiro com sofríveis habilidades gastronômicas ou é uma mulher que trabalha (muito) também fora de casa. Em tempo: Deus abençoe a comida congelada.
Pegaram o raciocínio? Se o cidadão encaixa-se no caso “solteiro”, não tem a mulher para gerenciar a dispensa. Se a mulher trabalha fora, ela não tem tempo pra cozinhar e acaba canalizando o estresse do mundo corporativo pra carrinho.

1ª lei de Supermercado: Carrinhos com absorventes acompanham chocolates

O índice de mulheres com roupas executivas cresce após as 18 horas na mesma proporção que as mulheres com roupas de ficar em casa diminui. A explicação é óbvia e você já deve ter sacado: Depois das 18 horas as mulheres saem do serviço, enquanto as donas de casa precisam voltar pra casa, afim de assistir suas novelas favoritas. Interessante notar que o primeiro grupo citado nesse parágrafo passa muito menos tempo dentro do estabelecimento do que o segundo grupo e tendem a gastar mais, considerando o volume comprado. Na pressa de chegar em casa e tirar o sapato, as executivas não pesquisam e acabam comprando por inércia. E muitas das vezes com fome, o que só encarece a compra de futilidades.

Observe no supermercado mais próximo da sua humilde residência (sorry Eike). O que mais você tem a dizer sobre esse lugar no qual morre boa parte do salário dos chefes de família? Aliás.. o que seria de nós sem um supermercado pra nos salvar daquela visita inesperada que insiste em aparecer justamente quando seu armário está ocupado pelas teias de aranha?

Um pensamento sobre “Reflexões de Supermercado

  1. Normalmente vamos ao supermercado bem cedinho (eu e o maridão), pois é mais tranquilo; quando vamos depois das 9 das manhã, é uma infestação de peruas perfumadas que dá vontade de sair correndo…

    Gostei da associação absorvente+chocolate; outros tipos curiosos de carrinho que tenho visto:
    – sacos de carvão + montes de cerveja + quilos de carne = churrasco à vista!
    – quantidades enormes de latarias = mercadinho do bairro abastecendo o estoque
    – vinhos importados + comida congelada + outras coisinhas caras = solteir@ que mora sozinho

    Abraços!

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