Caso Isabella: Por que eles são culpados?

Dizer que Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos de prisão e que Ana Carolina Trotta Peixoto Jatobá a 26 de reclusão é chover no molhado. Você pode não ter acompanhado assiduamente a cobertura televisiva ou mesmo se recusado a ler as matérias em todos os portais de notícias na internet, mas certamente não deixou de ouvir um comentário aqui e ali no seu emprego, faculdade, no Twitter ou mesmo algum impropério dito pela senhora sua mãe enquanto cozinhava.

A passionalidade do brasileiro é seu maior trunfo, mas, paradoxalmente, é seu maior defeito. É isso que leva  pessoas, sejam jovens, adultos, crianças ou com certa idade a comentar de maneira apaixonada situações que simplesmente não lhe dizem respeito. É por essa razão também que no lado de fora do Tribunal no qual o julgamento – seríssimo, diga-se de passagem – aconteceu tenha virado um pandemônio, uma ópera bufa, um teatro pastelão a céu aberto (insira aqui sua definição apropriada).

É fácil sentir vergonha alheia de todos aqueles potenciais trabalhadores e consumidores ociosos bradando por justiça? Sim. Criticá-los é ainda mais fácil, mas nem por isso a crítica deve se resumir a falar mau e esculhambar. É preciso tentar entender o que leva algum cidadão sair de sua casa, pagar uma condução, pedir dispensa do serviço, comer precariamente só para circular num espaço de 50 metros com cartazes lotados de fotos de uma criança que nunca viu na vida.

Existe o primeiro fator óbvio que é aparecer na televisão. TODO MUNDO QUER SEUS 5 SGUNDOS de fama. A cobertura maciça da imprensa atrai gaiatos de todos os tipos, inclusive um crucificado. A passionalidade divide espaço com a vaidade. Ser reconhecido é o importante. O que fazer pra merecer reconhecimento não é importante. Menos importante ainda é saber quanto tempo a fama vai durar.

Outro fator é a empatia que Ana Carolina Cunha de Oliveira, a mãe da Isabella, causou nas pessoas. A maioria fica emocionalmente envolvida com a mãe da vítima e com a própria vitima, fato que legitima os apelidos de “anjinho”, “estrelinha”, “coisinha mais fofa desse mundo” etecetara e tal. Ninguem sabe se a menina era preconceituosa, arteira, traíra, respondia maus pros avós, miguelava o lanche da escola e não dividia com os colegas. Morreu, virou santa, perfeita, imaculada.

Em contrapartida, o casal Jatobá não tem cara de mocinho. Parece besteira, mas num país no qual o sentimento de dicotomia – ou seja, a situação só pode ter dois lados: ou você é bom ou você é mau. Ou gosta do Corinthians ou odeia o Corinthians, ou vota com a Situação ou vota com a Oposição – é arraigado na sociedade, era de se supor que alguém levasse a fama de vilão. Suponhamos que o casal tivesse trejeitos de heróis. Com certeza a tese da 3a pessoa seria melhor avaliada, aceita e o Dr. Francisco Cembranelli, agora tratado como herói por ter “enjaulado os criminosos“, seria o Dick Vigarista, tentando fazer mofar duas almas que estão sofrendo com a morte da filha.

Do jeito que o barco entrou na onda, foi sorte os dois serem condenados. Se fossem julgados inocentes, a população não os deixaria sair vivos do Fórum. Idem para os jurados. As provas técnicas (ou a falta delas) não importava para aquelas pessoas que bebiam e soltavam rojões na porta do Fórum. Alguém teria que pagar pela m0rte da menina. E os escolhidos para isso estavam lá dentro.

Minha opinião, SEM VER TODAS AS PROVAS, é que uma terceira era sim uma teoria válida. Quem mora/morou em edifício sabe que sempre há pontos vulneráveis de entrada e saída, além de ótimos lugares para se esconder. Cabia aos jurados decidir se as provas apresentadas corroboravam ou refutavam a teoria. A população não tinha nada que condená-los antes. Mas o que não faz a passionalidade, não é mesmo?

Em suma: O casal Nardoni foi condenado por vários motivos. Apenas um deles tem ligação direta com o ato praticado. Acreditem, os outros fatores influenciaram SIM a decisão dos jurados.

E agora cabe a pergunta, muito bem formulada pelo Diário de São Paulo, na quinta-feira, 25: “E se eles forem inocentes?”. E se realmente houve uma terceira pessoa? Como ficam os autores dos comentários abaixo, coletados nesse blog e em outros veículos de informação?

1) “Esse Alexandre tem que morrer ai na cadeia, tomara que os presos que tem vergonha na cara de uma surra bem dada nele, pois aqui na sua ele já tem a dele, pilantra por que não vem jogar um homem pela janela e não uma anjinha..

2) “Se dependesse de mim [a prisão pelo] o resto da vida pra eles ainda tava pouco,bom seria se pudessemos cortalos em pedacinho vivos mesmo pra eles morrerem sentido a dor da morte.”

3)Na minha opnião,eles tinham que ser linchados em praça publica,esses dois nao merecem nem viver,dois monstros,covardes,se esse crime fosse na china,eles ja tinham morrido faz tempo,ACORDA BRASIL,vms colocar pena de morte!!!!

4) “Não tem perdão uma coisa dessa,um menina tão munitá’h dessa pow mwu esse pai não tem coraçao coloca ah filha no mundo e depoiix faz isso ….pra mim elle não tem perdão.

Foto: Da Agência Estado no site do Diário do Grande ABC

10 pensamentos sobre “Caso Isabella: Por que eles são culpados?

  1. Eu te daria um dado a mais, Frank: na sociedade brasileira, em que aprendemos desde cedo que a família e fundamental para o desenvolvimento da sociedade, imaginar que alguém assassinar o próprio filho (e depois acobertá-la) é inimaginável, ainda mais com a noção católica de que as crianças são automaticamente levados à condição de “anjinhos”, sem nenhum pecado.

    E te digo mais: as mesmas pessoas que desprezaram os Nardoni afastariam de bom grado qualquer filho ou filha de antes do casamento do convívio familiar, caso da coitada da Isabella, que não tinha culpa, mas foi envolvida num jogo de ciúmes que culminou em uma tragédia para todos.

    Mas isso, é claro, ninguém lembra.

  2. Só não concordo em uma coisa. A menina era muito querida, boazinha, como atesta a sua professora, que disse inclusive que o pai levou bolo para a escola no último aniversário. Alguém desses vandalos tem algum sinal deles terem maltratado a garota? Não. Mas se sentem o máximo em repetir o que vèem na televisão. Quanto a serem condenados, foi melhor assim senão saíriam de lá mortos. Deixa a poeira abaixar e tenhamos esperança. Neste país é lucrativo acusaar. E depois se diz está vendo a impunidade. Mas na verdade existe a impunidade dos que acusam.

    • Maria… a professora atesta com base nas experiências que ela teve com a menina ALÉM da comoção. Não dá pra levar 100% a sério. Tá, ok… ela não era bandida, claro, mas não era perfeita. O problema é que essa ponderação simplesmente não existe

  3. Até que enfim uma pessoa que concorda comigo… como a comoção pública condena alguém sem o menor fundamento. Em questão de minutos, até pedreiro (sem preconceito, claro) vira “adêvogado”, dizem que odeiam a violência mas surrariam e arrancariam os dentes do nardoni e da jatobá um-a-um, com um alicate…. Tudo a favor da paz!
    Amam a menininha Isabella (R.I.P.), mas largaram os seus respectivos filhos em casa, comendo pó, para passarem dias embaixo de chuva e sol só pra ver a sentença da desgraça alheia.
    Affe…

    • Incrível essa ironia não é? Ficam indignados que um pai possa tratar a filha com violência mas não veem a violência que poderia comenter contra um semelhante, um irmão para os mais religiosos… Quer dizer.. você não pode bater nela, mas EU posso bater em você se eu achar que você bateu nela? Qual a logica disso?[

      “arrancariam os dentes do nardoni e da jatobá um-a-um, com um alicate…. Tudo a favor da paz!” Bingo!

  4. Sempre fiquei (e ainda fico) muito incomodada pelo caso Isabella. É de grande imprudência a mídia, ao ter narrado o acontecido, já afirmar que o pai e a madrasta são os assassinos… Um crime tão cruel como esse só pode despertar comoção pública, especialmente porque a Rede Globo fez um grande show em cima do caso.
    Fico revoltada não pelo fato do casal Nardonni ter sido condenado, pois se eles cometeram o crime, tem que cumprir às suas penas; mas pelo fato de que o caso só foi resolvido para dar à sociedade uma falsa ilusão de que a justiça brasileira funciona…

    • Só uma correção Paula: A Globo pode ter dado seu showzinho particular, mas a Record se fartou de fazer a cobertura, principalmente com o Geraldo Luiz no Balanço Geral. Os caras levaram até uma maquete do prédio no programa… As críticas a Globo podem e devem ser feitas, mas a Record também merece paulada (trocadilho involuntário, amsque ficou show). O erro foi igual…

  5. Confesso que nunca tenho muito o que dizer sobre os textos, mas me sinto na obrigação de deixar alguma resposta. O texto como muitos outros está ótimo. Apesar de discordar de algumas coisas, obviamente.
    O pior problema, na minha perspectiva, é a imprensa. Dar muita bola para um determinado assunto nunca é bom, todo mundo sabe disso. É lógico que não é sempre que temos garotas sendo jogadas da janela de seus apartamentos (pelos pais ou não), mas não era necessária tanta atenção. Isso com certeza afetou todos aqueles que participavam do julgamento.

    Se por acaso, a hipótese da terceira pessoa no apartamento fosse confirmada não varia quem segurasse a revolta popular. E é exatamente a informação excessiva ou a falta dela que causa esse sentimento nos populares que acompanharam o caso.

  6. PENA DE MORTE É A ÚNICA MANEIRA DE REALMENTE FAZER JUSTIÇA EM UM CASO COMO ESSE. ASSASSINOU, MORRE. NÃO É JUSTO A SOCIEDADE MANTER ESSES LIXOS NA CADEIA, DANDO À ELES, COMIDA, ÁGUA, TETO, ATENDIMENTO MÉDICO, ENFIM, TUDO O QUE UM CIDADÃO DO BEM MUITAS VEZES NÃO TEM.

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