Confissões de um acidentado

Pense em algum coisa fácil de acontecer. No momento me ocorre universitários bêbados na festa de formatura, senhoras vendo novela e comemorando quando a vilã se dá mal, vizinhas fofocando, mulheres passando esmalte na unha, homens coçando o saco e… eu, este pobre blogueiro trabalhador, sofrendo acidentes e machucando diversas partes do corpo. Num dos meus aniversários comemorados aqui (não, não teve bolo) eu escrevi sobre dois acidentes de bicicleta que sofri. Foram doloridos, mas nada grave.

Ironicamente, nunca quebrei ossos. Que fiquei BEM CLARO que isso não é uma dica para as entidades sádicas que controlam esse mundo. Quero me manter invicto. Mas é muita sorte – ou falta de competência – cair, tropeçar, prensar, rolar, bater, acertar, ralar (insira aqui outros verbos que remetam a dor) e não ter uma fratura sequer no currículo. E não foi por falta de tentativas.

Certa vez eu andava de bicicleta (é.. eu ainda insisto nisso) no playground do prédio que morava. A velocidade era baixa e, por isso, fiz a besteira de tentar olhar para trás. Um gesto simples que acabou me desequilibrando. Fui em direção ao escorregador e uma batida de testa era iminente. Mas não aconteceu! Fui ninja – um verdadeiro jedi – e abaixei a cabeça a poucos centímetros do alvo. Eeeeeeeeee é claro que foi em vão. Não bati no escorregador, mas o pneu acertou o banco, me projetando a frente, fazendo com que minha cabeça batesse no banco de concreto. WIN!

Minha testa começou a sangrar. Não muito, mas a ponto de pingar gotas no chão. Fui correndo para o elevador, deixando um rastro João e Maria por onde passava. Cheguei em casa e a porta estava trancada. Nessa altura do campeonato, minha mão parecia com mão de índio que brinca com urucum. A campainha soava desesperadamente, sem uma alma caridosa para atender. Recorri ao vizinho (5 andares abaixo) e consegui estancar o vazamento. E, claro, tive que limpar tudo depois.

Indo ao outro extremo do corpo, lembro de uma vez que andava de bicicleta (rá… definitivamente eu não desisto), mas dessa vez de carona. Os pés iam esticados, para que não prendessem no aro. Mas é claro que não ficaria assim por muito tempo. Meu pé prendeu entre os aros da bicicleta. Agora veja como é a roda de uma bicicleta e a disposição das hastes:

Não me pergunte como, mas não cheguei a entortar as varetas. Meu pé simplesmente encaixou aí… Eu e meu amigo (não tenho ideia de quem era) tentávamos instituir a liberdade podóloga ali mesmo, mas sem sucesso. Dava pra perceber meu tornozelo inchando, o roxo tomando conta da área e eu ali, preso. O único jeito que encontramos foi tirar a roda da bicicleta e subir até o apartamento. Gostaria de ter gravado a cena: Subir de elevador com uma roda no pé foi bizarro. Parecia um monociclo mal feito.

Com um pouco de paciência e algumas doses de manteiga misturada com a graxa natural do pneu, meu pé deslizou pra fora daquela prisão. Roxo, assustadoramente inchado, mas ainda preso à perna. Nada que 2 semanas de gelo e pomada não resolvessem.

Mas não pensem que não sou criativo na hora de me auto-flagelar. Tenho uma cicatriz no dedo em função de um corte proporcionado pela lata de goiabada. Um no joelho por culpa da trava do banco (fui apoiar o joelho nas costas do assento e errei o alvo). Já perdi a unha do dedão – é… a unha inteira – porque a porta do elevador passou por cima, com certa velocidade (triste Natal aquele).

Eu duvido muito, mas se você acha que pode competir com meus acidentes, escreva aí nos comentários. Até hoje, o único que ganhou da habilidade de ferir a mim mesmo foi o leitor Gustavo. Confira o dia dele num parque aquático e tire suas próprias conclusões.

Um pensamento sobre “Confissões de um acidentado

  1. Frank,
    Passei aqui para responder seu pedido.
    Como pretende enviar para o MEC?
    Espere um pouco.
    Fiz apenas uma introdução neste post e acrescentei trechos de livros, entrevistas e artigos dos escritores citados.Preciso ainda confirmar se Fanny Abramovich é mesmo a autora do trecho da personagem Alice e em que livro foi publicado! O texto de minha autoria é o indicado no link.
    Abraços,
    Fátima

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