Porquê prefiro perguntas

A entidade à qual você atribui a criação do mundo o fez para ser simples, assim como as grandes idéias. Nascer, crescer, reproduzir e morrer. Etapas inerentes às plantas, aos vírus e até ao Reino Monera, Protista e Funghi, das suas esquecidas aulas de Biologia. Já os seres humanos gostam de tornar imprevisível o que acontece entre a 1ª e a última etapa. Os portadores de telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor aprenderam a absorver opiniões e apegar-se a isso. O problema é apegar-se demais.

Vejamos um clássico exemplo: Muita gente gosta de bradar em fóruns internet afora – e até na vida real – que a Rede Globo de Televisão é manipuladora e aliena a sociedade e que por ter essa característica, deve ser boicotada e execrada. Esquecem-se, porém, que isso também é uma forma de alienação. Ter esse tipo de comportamento em relação à Globo não é dar um passe em direção à liberdade. Significa, antes de mais nada, dirigir-se à cela ao lado, espontaneamente. Se você deseja uma opção diferente de entretenimento, tudo bem, é uma opção sua. Mas não justifique  dizendo que a emissora simplesmente não presta, nunca prestou e jamais vai prestar. Grande parte dessas pessoas que rangem os dentes à Vênus Platinada (blergh) nunca se questionou POR QUE o faz.

É justamente essa habilidade quer gosto tanto de praticar. Questionar o que parecem ser verdades indubitáveis. Não trata unicamente de badernar, tumultuar, ou, como diria um amigo meu, astravancar o pogresso (sic). É, na realidade, ir mais além do que se espera. Principalmente com questões que parecem de interesse público.

Construir um teatro em cada cidade (com mais de 25 mil habitantes), por exemplo, parece uma excelente alternativa para levar cultura à toda população. Mas só parece. Fazendo algumas perguntas, percebemos que é um castelo de cartas fácil fácil de destruir:

1) Quem bancará a construção dos teatros?

2) Quem manterá o teatro funcionando/ativo, fazendo manutenção preventiva e emergencial?

3) Haverá público compatível com o preço a ser cobrado?

4) O preço a ser cobrado paga as companhias de teatro?

5) Vale mais a pena construir prédios que abriguem peças ou incentivar peças que se apresentem em todos os lugares?

Até que me respondam satisfatoriamente essas questões, fico com mais de 2 pés recuados para apoiar a ideia. Uma biblioteca tem bem menos complicações e até certo ponto é bem mais útil e eficiente que um teatro, mesmo levando em consideração o paragrafo abaixo:

A Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita com 5.012 pessoas em 311 municípios em 2007, revela que o brasileiro não frequenta bibliotecas. Esta foi a resposta dada por 73% dos entrevistados, que representam 126 milhões de pessoas. Os argumentos vão desde a falta de interesse ou hábito pela leitura (24%) à ausência de uma biblioteca próxima (16%). Mesmo os leitores não têm o hábito de ir à biblioteca, como afirmaram 58% dos entrevistados, que representam 55 milhões de brasileiros.” – Ministério da Cultura

Se você já foi ator amador sabe que o palco pode ser adaptado. Com um pouco de criatividade, você consegue montar uma coxia, as saídas pra coxia, um cenário de fundo…. Teatro é uma arte tão viva que pode acontecer nas praças, nos shoppings, nas praças dos shoppings, em palcos grandes, médios, pequenos. Material humano é que é indispensável.

Ou você realmente acha que nesses teatros de cidades com 25 mil habitantes vão se apresentar os grandes nomes da dramaturgia nacional –  muitos deles contratados pela … Rede Globo de Televisão. How ironic!

É por todo esse exposto que ratifico meu gosto pelas perguntas. Podem não construir edificações, mas evitam que elas desmoronem na primeira brisa.

Um pensamento sobre “Porquê prefiro perguntas

  1. Franklin,

    Outros questionamentos seriam:
    25 mil habitantes? E se o Edward da saga prepúcio, digo crepúsculo, resolver, junto com Lady Gaga(da), exibir a apresentação de Hamlet pornochanchada (ou seria xanxada?)?
    De quantos lugares seriam estes teatros? Depois da definição do número de lugares, como fazer com as cotas? Temos que incluir os “economicamente deficitários”, os “afro-descendentes”, “os homosimpatizantes”, “os portadores de deficiência”, “os idosos”, “as gestantes”, “os precariamente alfabetizados”…

    Daqui a alguns dias o pessoal libera 5% para a gente e resto é do povo!!

    Só tenho uma dúvida: os cotista abrangentes, possuem cotas dentro das cotas? Por exemplo: “Uma afro-descendente, por parte de pai, índio por parte de mãe, pobre de carteirinha, portador de deficiência, precariamente alfabetizado, idoso, gestante e lésbica, se enquadra em qual grupo? rsrsrsrsrs

    Pessoal, nada contra as cotas, mas há casos e casos… na maioria deles, acho um absurdo as pessoas serem taxadas pelo Governo, como se fossem inferiores a outros… mas, o brasileiro quando pode aproveitar uma vantagem, fica cego.

    Abraços!

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