Exposição Militar: Encontrando um “cosplay” de guerra

A atmosfera militar encanta muitas pessoas. Aquela história de acordar ao som de uma trombeta antes do sol raiar, correr sem camisa no meio da neblina matinal, ouvir o Sargento Pincel Garcia gritar no seu ouvido que você é um inútil porque deixou o travesseiro 2 cm abaixo da linha do lençol sempre é comentada quando esse tipo de assunto surge. Agora… ir à uma exposição militar é completamente diferente.

Itatiba  – a cidade que sempre dorme – pode ser cheia de defeitos. Mas organizaram uma mostra muito simpática, prática e sem frescuras. Reuniram jipes clássicos em estado de conservação que deixaria qualquer carro zero morrendo de vergonha. Armaram barracas (no bom sentido, seu imundo) usadas em campanhas, algumas até com energia elétrica. Numa delas estava montada uma estação de rádio transmissão amadora. Tive a oportunidade única de colocar um fone de ouvido bastante desconfortável (o mesmo da foto abaixo) e operar um telégrafo. Em pleno século XXI. Cá entre nós, o barulho do código morse enviado pelo aparelho é deveras agudo e irritante.

Claro que a parte mais comentada e que atraiu mais público foi o stand de armas. Acredite ou não, não estavam em exposição rifles, bazucas ou mesmo pistolinhas. Eram “só” balas anti aéreas, granadas e equipamentos médicos. A diferença é que você podia tocar nesses itens que, definitivamente, não fazem parte do seu cotidiano.

Veja esse petardo. Uma dessas deve explodir um prédio…

Reunir fanáticos por guerra, exercito e jipes só poderia resultar numa coisa: cosplay Reencarnação histórica. Exatamente. Cosplay Reencarnação histórica. Se numa feira de mangás e animes você encontra o treinador de Pokemons Ash comendo um pastel ou mesmo o pessoal do Naruto trocando cartões, nada mais óbvio que encontrar um cara vestido de aviador da 2a Guerra trocando ideia com um representante da FEB . Muito curioso poder caminhar num ambiente desses, no qual se respira nacionalismo, amor à pátria e respeito á hierarquia. A foto abaixo reune todos (ou a maioria deles) em frente a uma gigantesca bandeira do Brasil. Clique para ampliar

UPDATE: O leitor Matheus Sisdeli fez uma correção pertinente referente ao parágrafo acima. Faço questão de colocar aqui no texto:

“Só esclarecendo um mal entendido, cosplay se atribui a personagens fictícios. Quando o pessoal se veste conforme pessoas reais de eras passadas atribuímos outro nome: reencenação histórica. Apesar de parecer a mesma coisa não é. O movimento de reencenação vem acompanhado de um processo de pesquisa em livros, sítios arqueológicos e referências acadêmicas com o intuito de compor um cenário o mais próximo possível do ambiente histórico pretendido (no caso, décadas de 1930 e 1940). Enquanto nossos primos de cosplay homenageiam personagens fictícias nós citamos personagens reais.”

Não poderia deixar de falar mais detalhadamente sobre os jipes e caminhões me exposição. A maioria deles tem velocidade máxima de 40 MPH (64 Km/h), mostrando que não rápidos, mas funcionais e bonitos. Foi interessante poder reparar em certos detalhes que muitas vezes passam despercebidos quando se fala em veículos militares. Como exemplo, posso citar a “canaleta” que fica no painel frontal. A altura da instalação do dispositivo é calculada para que seja possível apoiar um rifle que passe por baixo do vidro, dando ao atirador-passageiro uma visão e posicionamento confortáveis – na medida do possível, afinal estamos falando de uma guerra e não de um Simba Safari – para descarregar munição.

A invenção mais legal, no entanto, é o farol ultra-violento ultra-violeta. Apesar de fraco, é suficiente para o motorista poder se guiar na escuridão e ainda por cima é invisível aos aviões que pretendem acabar com qualquer coisa que respire logo abaixo. Bem bolado.

Para ver mais fotos, acesse o album do Picasa do 1º Sargento Matheus Sisdeli

UPDATE 2: O pessoal do Fórum do Dogs of War ficou um tanto quanto contrariado, para não dizer indignado, com a comparação que fiz com os cosplays. Entendo perfeitamente que as atividades devem ser chamados por seus nomes corretos. Cosplay é cosplay. Reencarnação história é reencarnação histórica. Ponto. Entendo perfeitamente, também, a reação com frases como essa: “é duro ver uma pessoa manter um blog sem ter um conhecimento mínimo da diferença entre reencenacao e manga.

Entretanto, não custava nada deixar um comentário, assim como fez o 1º Sargento Matheus Sisdeli, explicando e corrigindo meu equívoco. Minha intenção foi apenas fazer uma comparação inocente entre os dois ramos. Meu blog, como a maioria sabe, não é voltado à questão militar. Foi apenas um post esporádico mostrando uma experiência que tive com esse “mundo”.

Peço desculpas se ofendi alguém com a comparação. A melhor forma de mostrar na prática esse meu arrependimento foi publicar a explicação correta imediatamente após recebê-la, bem como riscar as palavras cosplay do texto (apagar o que disse é um ato covarde) e acrescentar aspas àquela do título.

Se tiverem algo à acrescentar ao exposto, por favor, comunique que terei o prazer de incorporar ao texto. Não tem nada melhor para um blogueiro do que ser lido e julgado pelos que são citados e poder melhorar, de forma segura, o que escreveu.

4 pensamentos sobre “Exposição Militar: Encontrando um “cosplay” de guerra

  1. Olá amigo, parabéns pelo tópico e obrigado por nos visitar no evento.

    Só exclarecendo um mal entendido, cosplay se atribui a personagens fictícios. Quando o pessoal se veste conforme pessoas reais de eras passadas atribuímos outro nome: reencenação histórica. Apesar de parecer a mesma coisa não é. O movimento de reencenação vem acompanhado de um processo de pesquisa em livros, sítios arqueológicos e referências acadêmicas com o intuito de compor um cenário o mais próximo possível do ambiente histórico pretendido (no caso, décadas de 1930 e 1940). Enquanto nossos primos de cosplay homenageiam personagens fictícias nós citamos personagens reais.

    Basicamente é essa a desambiguação. Existem reencenadores civis também.

    • Obrigado Matheus. Acrescentei sua explicação ao texto. É importante dar a informação correta ao leitor e esse é o tipo de ratificação que faço questão de fazer…

      Gostaria de parabenizar, também, pela feira. Dizendo em outras palavras, não é necessário gastar milhões e fazer uma feira gigantesca. O que vocês fizeram tem muito mais sabor, é muito mais próximo de quem visita. É esse tipo de exposição que quero ir sempre. Parabéns mesmo.

  2. Eu que agradeço o espaço e os elogios!

    Nosso intuito maior é tornar a história mais interessante, principalmente para as novas gerações, se mantermos vivo a lembrança do que foram os conflitos históricos na mente de quem felizmente não passou por eles ajudamos a reforçar a noção de que o maior flagelo que a humanidade pode se impor é a guerra.

    Claro, muita gente é atraída pelo apelo militar (nós também), mas não é apologia à nacionalismo, militarismo ou belicismo que fazemos, pelo contrário, queremos mostrar que a frase de Jhon Milton continua válida após 300 anos: “A guerra só parece divertida para quem nunca participou dela”.

    • Frase absolutamente precisa. É muito bonito fotografar com uma (réplica de?) granada na mão. Queria ver mesmo se estivesse carregada em um campo de combate. Aí a história é completamente diferente.

      Num época em que tudo está tão misturado, que nós jovens ficamos apegados à coisas do exterior, ter uma ilha de cultura absolutamente brasileira, no sentido de recordações muito próprias de nossos compatriotas, de nossa História, essa iniciativa é mais do que válida. É necessária.

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