South Africa 2010: Portugal x Brasil

Resolvi abandonar o conforto do meu lar e assisti Portugal x Brasil numa cafeteria (ainda se usa esse termo?). Talvez por causa desse fato posso definir a partida que assisti como “o jogo dos gritos“. O primeiro, incentivador, foi dado quando o Brasil rolou a bola no grande circulo, começando a peleja. O alegre tilintar dos garfos e das garrafas de cerveja servia de pano de fundo para um jogo que não valia absolutamente nada, ao mesmo tempo que valia absolutamente tudo.

Alguns gritos, bem mais tímidos, foram dados nos chutes sem direção de Daniel Alves, que entrou no lugar do contundido Elano (aliás, será que ele prestou queixa por tentativa de assassinato? Devia.). No ataque, Nilmar era a novidade, substituindo o poupado Robinho. Para completar, Júlio Baptista tapava o buraco deixado pela expulsão injusta de Kaká.

Aos 30 minutos do primeiro tempo, as gargantas voltaram a funcionar com mais potência. Luis Fabiano cruzou. A bola viajou por toda a extensão da grande área é foi encontrar um ligeiro Nilmar fechando quase sem ângulo, de dentro da pequena área. A galera da cafeteria explodiu em alegria, soltando o grito mais alegre que se pôde ouvir na hora do brunch. Soaram as vuvuzelas brasileiras, os engravatados se abraçaram com os vendedores da loja de esporte, as tias da cozinha quase deixaram a batatinha cair da bandeja. GOL DO BRASIL! Gol do Brasil? Não! A bola beijou a trave e Nilmar saiu se lamentando. Melhor oportunidade do Brasil durante o jogo.

 A cena que se seguiu lembrou bastante o pai do Felipe Massa comemorando o (quase) título mundial do filho, nos boxes de Interlagos. Quando todo mundo percebeu que a bola não havia cruzado a linha entre as balizas, os gritos foram de galhofa e lamentação. Talvez no mesmo grau que a de Nilmar.

Portugal vinha com a clara proposta de se defender e contra atacar em velocidade. O problema é que vinham com muito mais qualidade do que Costa do Marfim e Coréia do Norte. As subidas lusitanas arrancavam alguns gritinhos agudos e exclamações assustadas do público presente na cafeteria. Os engravatados e uniformizados dividiam espaço com cidadão mais alegre, trajando a flâmula nacional. Na rua ouvia-se poucos carros e os ônibus passavam vazios.

As porções de torresmo e as garrafas de cerveja chegavam nas mesas com maior frequência que os toques na bola de Cristiano Ronaldo. Lúcio, gigante, deixava aquele que já foi o melhor do mundo sem participar da pelada. E a Fifa ainda elegeu o português o craque da partida. Pode? Não, não pode…

O Brasil não era muito audacioso, mas tentava. Sentia-se nitidamente a falta de Kaká e Robinho. Até de Elano. A zaga portuguesa continuava bem postada e por vezes entrou de forma ríspida em nossos jogadores. Essas jogadas acabaram evidenciando a falta de preparo psicológico da equipe. Acho que não resistiremos a uma catimba argentina. Tanto é que Felipe Melo foi substituido antes que se completassem os primeiros 45′. Dunga temia nova expulsão…

Pra nosso azar a postura dos gajos modificou-se no segundo tempo. Cristiano Ronaldo, até então pipocando, resolveu jogar um pouco. Mas só um pouco. O suficiente para arrancar o grito gelado e trancar a respiração da cafeteria. Aconteceu quando ele recebeu um lançamento na direita, em profundidade. Apostou corrida com Lúcio e se preparou para cruzar. Nosso zagueiro foi guerreiro e preciso, acertando um carrinho limpo, na bola. Pena que acabou servindo de cruzamento para Meireles inventar um chute de trivela de dentro da pequena área. Júlio César mostrou porque é o melhor goleiro do mundo e botou a bola pra escanteio, milagrosamente.

Na sequência da jogada, nosso camisa 01 tomou um pisão nas costas e, durante o atendimento médico, pudemos ver toda a bandagem e emplastros Brás Cubas utilizados para minimizar a lesão sofrida ainda contra o Zimbabue. As costas dele estão totalmente remendadas por esparadrapos, gaze e faixas. Preocupante.

O último grito aconteceu quando Ramires achou espaço na zaga e chutou de fora da área. A bola desviou e o goleiro fez malabarismo para, de mão trocada (expressão curiosa), mandar a pelota para fora. Quase… quase saiu o gridigol.

Aos 95′ o árbitro assoprou a latinha e encerrou a primeira fase no grupo G. O longo suspiro que a galera soltou mostra que todos esperavam mais. Todos esperavam ao menos um gol. Temos que entender, no entanto, que se não foi bom, pelo menos foi o suficiente. Deu pro gasto. Brasil 1º colocado.

Rapidinhas:

Achei o Brasil meio desequilibrado. Atua bem pela direita, onde tem Maicon e Daniel Alves – que se entendem muito bem – mas deixa a esquerda meio abandonada, com Michel Bastos em fase pouco inspirada.

Nilmar entrou bem, na medida do possível. Faltou achar espaço. Convenhamos que ele não recebeu nenhuma bola redondinha. Fez o que pôde com os tijolos que mandavam.

Júlio Baptista puxou vários contra ataques. Falta brilho e perspicácia (aquele famoso cacoete de gênio) para tocar e lançar na medida certa. Precisa melhorar o timming.

Bem que aquela bola do Ramires, no finzinho, podia ter entrado, hein?

Pitaco do Carlão- Quem é Michel Bastos? O que ele faz na Copa? O Ganso poderia estar ai né, zangado?

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