Despachos de Domingo

Há um personagem folclórico e real em Itatiba. É o Zico da Caixa (Econômica Estadual). Zico escreveu ao menos dois livros. Estou lendo o “Histórias do Zico da Caixa”, no qual ele conta casos e causos ocorridos com ele ou relatados por pessoas de confiança. Ele garante que todos os relatos são verdadeiros. Na verdade, nem dá pra desconfiar do contrário. Eles são simples, bobinhos e, talvez em função disso, encantadores. Típica literatura genuinamente itatibense.

Quem faz a apresentação do autor é Manoel Roberto Massaretti, jornalista, radialista, empresário e político (já foi até Prefeito). E pra não tomar um processo desnecessário, limito-me a essas linhas.

Hoje, lá pelas 2 da manhã, um cidadão utilizou o TwitCam (serviço que possibilita uma transmissão online em tempo real a partir de uma webcam) com o intuito de se suicidar. Isso mesmo. Ele ameaçava passar uma faca de cozinha no pescoço e fazia o show para que todos pudessem assistir. Mais de 8 mil pessoas estavam atentas e 80% torciam para que o fato se consumasse. Desnecessário dizer que ele, ao final, gritou o inconfundível “Rááááááááááááááá…. Pegadinha do Mallandro!”

Isso me leva a pensar o que esse tipo de cidadão tem na cabeça pra querer chamar a atenção desse jeito. Essa busca pelo reconhecimento, ainda que relâmpago, é muito curiosa, pra não dizer assustadora.

José Silvério tem razão. Esse negócio de “sentir desconforto muscular” é querer dar uma baita de um migué. Desconforto sente o torcedor, quando vê seu ídolo fugindo do confronto.

Estou lendo também a biografia do ator inglês David Niven chamada “The Moon’s a baloon”. Por enquanto ele conta sua infância, que foi um tanto quanto peculiar.  Passou por alguns colégios internos, sendo que, em um deles, teve um professor super gente boa que o pendurou de cabeça para baixo numa janela. A altura era equivalente a 4 andares.

Eu falei que tinha sido uma infância peculiar, não disse?

Cena antológica. Será que os atores de hoje teriam talento, fôlego e coragem de fazer algo minimamente parecido?

Você não perguntou, mas eu vou dizer o que acho de alguns programas de humor da televisão brasileira:

Pânico na TV: Tem bons momentos, mas freqüentemente cai num mau gosto nojento. O gênio que inventou de arrotar na cara da Laura Cardoso deveria vir a público e pedir demissão…. da vida.O quadro do Impostor devia ser periciado, já que a edição é altamente capciosa…

CQC: Tem melhores momentos do que o Pânico, mas ainda sim tem alguns quadros que necessitam de uma explicação melhor. A edição é muito bem feita e isso significa que eles são capazes de maquiar eventuais histórias, fazendo parecer mais do que foi ou menos do que deveria ser. Refiro-me principalmente ao Proteste Já. Tem que tomar cuidado…

Legendários: Juro que tentei assistir, mas não achei graça. Uma piada que não deu certo. Ontem eu dei mais uma chance e finalmente consegui dar risada. Aconteceu que era o quadro em que Marcos Mion resgatava os bons tempos de MTV e analisava ironicamente um quadro da emissora. Foi tão legal que levantou a possibilidade de terem dopado o cachorro para parecer que o “Dr. Pet” tinha conseguido domar a fera. Isso sim é Marcos Mion…

Já vi muito seriado policial, bem como imagens reais de pessoas mortas (isso inclui todo tipo de morte…). Não me incomodo com cadáveres, ao menos quando eles estão em foto e vídeo. Ao vivo eu nunca vi e por causa disso não tenho idéia de como seria a minha reação.

O parágrafo acima contrasta com meu desconforto (pra dizer o mínimo) ao assistir o 10º episódio da 8ª temporada de CSI. Se você não assistiu, fiquei tranqüilo, não darei spoilers. O assunto é “rinhas de cães”. Ouvir o rosnar feroz mesclado com o ganido desesperado, ver as brigas, a mandíbula travada no pescoço, a baba e o sangue misturados… horrível. Por pouco não saí da sala.

Vai entender por que fico incomodado com cachorros brigando, mas o mesmo não acontece com seres humanos….

2 pensamentos sobre “Despachos de Domingo

  1. Vi o vídeo do Cantando na Chuva, o Donald O’Connor era mesmo genial. Cada vez que ele se jogava no chão eu fazia ‘ui’, imaginando minhas costas ali. Aliás, o filme inteiro é ótimo, agora quero ver de novo. 😉

    Cá entre nós, que brincadeira de mau gosto essa do suicídio na twitcam, não? Ao ler sobre os 80% de torcida urubu, lembrei de um filme que vi outro dia com a Diane Lane em que um camarada sequestra pessoas e as mostra ao vivo em um site, sendo lentamente torturadas. Quanto mais acessos a página tiver, mais rápido a pesoa morre. Já dá pra imaginar o resultado… revoltante.

    Abraços, e boa semana!

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