O tiro que não veio. Ao menos dessa vez

Entre o marco que chamamos de nascimento e outro marco, que chamamos de morte, ocorre um fenômeno chamado vida. A vida, como todas as coisas nesse mundo, tem seus momentos positivos e seus momentos negativos. Em comum, a certeza de que todos eles acontecem muito rápido. Talvez mais rápido do que você imagina. Breves frações de segundo definem o rumo das próximas frações de segundo. Pude sentir essa particularidade de forma muito peculiar no sábado passado. Foi banal, mas poderia ser trágico.

Minha caminhada na volta da biblioteca passa pelo estacionamento de um supermercado. O trajeto, além de ser mais rápido, é menos cansativo. Otimização de tempo em pleno sábado é o que há! Pois bem… estava eu entrando no estacionamento (um estacionamento pequeno e aberto) quando ouço o gerente (ao menos eu acho que era o gerente) chamando um cidadão que estava a uns 15 metros a frente. Ele chamava na boa, sem agressividade. “Ow.. galã… chega aí galã… Deixa eu trocar uma palavra com você“.

Eu diminui a marcha absolutamente despreocupado e aí tudo aconteceu muito rápido, frações de segundo: o rapaz tirou de dentro da jaqueta um caderno e uma embalagem de Ferrero Rocher e desatou a correr, saindo do estacionamento, virando a esquina e descendo a rua. O gerente gritou “Pega… pega o desgraçado… Pode pegar“. Um borrão azul passou por mim a toda velocidade, seguindo o mesmo caminho do meliante. Era o boy empacotador com o uniforme do supermercado. Só aí é que foi cair a minha ficha que se tratava de um furto.

Uma vez entendido, eu também saí correndo – lembre-se que eu estava com dois livros na mão- sacando o celular e colocando em modo de filmagem (espírito jornalístico entrou em modo automático, quase involuntário). Se o cara lá fosse pego, eu poderia registrar alguma coisa importante. Sabe-se lá quem era a pessoa e o que ela já havia feito na vida. Imagina a honra que seria aparcer no Datena? Infelizmente, os dois mais envolvidos na situação eram muito mais rápidos do que eu . Adrenalina é um baita dopping natural. Quando este que vos fala desceu a rua eles já estavam virando a outra esquina. Não consegui acompanhá-los.

Não sei o que se passou desse ponto adiante. Suspeito que o ladrãozinho pé de chinelo tenha se dado mais ou menos bem. O produto do furto havia sido largado na rua (eu mesmo o vi na mão do gerente), mas ao menos ele deve  ter escapulido, para tentar de novo, em outro estabelecimento.

Foi então que eu refleti sobre o que havia se passado. Por mais estranho que pareça, eu corri um sério risco passando pelo estacionamento justamente naquela hora. E se, em vez do caderno e do chocolate, ele tivesse sacado uma arma? Talvez ele não hesitasse em atirar e aí sobraria pipoco pra todo lado. Como geralmente ocorre nesses casos, quem não tem nada a ver com a situação leva a pior. No caso, a vitima que levaria o chumbo no pior lugar possível seria esse pobre blogueiro…

A fração de segundo que me fez ficar estático quando o larápio tirou os ítens da jaqueta poderia ter me matado. Mas não foi fatal. Ao menos dessa vez.

Escolha bem suas frações de segundo. São elas as responsáveis pelo seu hoje, pelo se amanhã e, talvez com uma ponta de saudosismo, do seu ontem. Isso se você chegar ao ponto de ter um ontem.

Em tempo: Agora admiro quem é capaz de dar descrições para retratos falados de bandidos. Sinceramente não consigo lembrar da cara do infeliz. Muito menos das roupas. E acho que não conseguiria nem se ficasse olhando meia hora para cada traço em sua face…

7 pensamentos sobre “O tiro que não veio. Ao menos dessa vez

  1. Como dizem, quem morre de véspera é peru; se o cara sacou um caderno e uma caixa de bombons em vez de uma arma, é que sua hora ainda não chegou. Alegre-se! (e tome cuidado da próxima vez)

    (Mas deve ter dado um frio na barriga depois que tudo passou, não?)

    Abraços!

  2. Heu, modestamente perfiro qui situaçoes como esta, não existam, coitado do muleki, ficou sem comer o ferrero rochet i ucê num foi para nu datena, Dá pena né ? Di queim?
    C aprendeu arguma coisa com isso Frank?
    Tá indo beim, eim . . .

  3. Adispois é hieu qi interpreto texto errado, né?

    Legal voce narrar um flagrante de nossa sociedade, qi necessidade tinha u muleki pá pegar só um Ferreiro Rochet? Presentear u Pai no Domingão?
    Num sei si dá pá chamar di ladrãozinho pé di chinelo, tarveis de infeliz. . .

    O brou, és tú qi define quem é covarde?

    Vê ?

    É tudo questão de ponto de vista, prisma se quiser. Não quero ser teu inimigo Frank, só acho que posso opinar em seu çaiti, quando achar um texto decente, ou não ?

    A Supremacia da edição do blog, é sua, têndi ?

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