Apanhando por culpa do katchup

Já faz algum tempo que não dou continuidade à minha auto-biografia a conta gotas. Na verdade, está mais para um registro das minhas poucas (mas boas) aventuras e desventuras por esse mundão de meu Deus. Como eu tenho certeza que ninguém pagaria nem um tostão furado para comprar um livro que conta a minha vida pela minha visão, nada mais justo do que oferecer esse magnífico trabalho de graça.

O causo de hoje vai contar como quase apanhei por causa de 100g de katchup. Estúpido mas verdade.

Geralmente eu sou inocente, mesmo depois da prova em contrário. Pena que nem todo mundo pensa assim e já atribui a minha amada pessoa (amada ao menos por mim mesmo) situações hipotéticas que nunca poderiam ter acontecido. Veja… quem é maluco suficiente para olhar, descaradamente, os atributos físicos da namorada de um cidadão de 2 metros de altura por 2 de largura? Eu sou. Pena que não era essa a situação ocorrida num grande shopping da capital paulista. Já que é para tomar a culpa, peço ao menos que eu tenha merecido.

Eu tinha acabado de comer uma janta leve. Algo assim um McTaste com Batatas Grandes e meio litro de Coca-Cola. Sou da geração saúde, lembram? Pois bem… Minha barriga evidenciava meus 6 meses de gravidez, mas o neném ainda estava longe de nascer (se bem que o banheiro era próximo, o que facilitaria o parto prematuro). Ao levantar da mesa, um amigo chamou a atenção para a quantidade de potinhos de katchup na mesa vizinha (manja aqueles potinhos do “MCDonaldo”? Exatamente aqueles). De fato, ninguém normal pegaria 8 potinhos lotados de condimento. Deve dar uma dor na rabiga da muléstia.

Achei a cena muito bizarra. Pensei até em tirar uma foto. Logicamente, o usuário da mesa não teve o mesmo ponto de vista puro, inocente e brincalhão que eu e acreditou piamente que eu e meu amigo estávamos a observar e comentar os atributos físicos de sua digníssima namorada. Posso assinar um documento em cartório afirmando que até hoje não sei dizer se a namorada do referido cidadão era loira, morena ou ruiva. Na verdade, não posso afirmar nem se era realmente uma mulher.

Ele levantou tal qual o Dragonzord do Ranger Verde saindo do mar. Cresceu de maneira assustadora, já que fazia questão de estufar o peito e mostrar quem é que mandava ali. Creio que o cidadão não se garantia, tendo o cérebro e o órgão sexual proporcionalmente diminutos, e, portanto, acreditou que a melhor alternativa para defender o patrimônio era utilizar todo o conhecimento que deveria possuir em esmagar a cabeça do oponente utilizando os mais cruéis métodos.

A namorada colocou-se (de maneira meio suicida) no caminho que separava esse monte de ossos chamado Frank do monte de músculos chamado… chamado… bem… eu não tive tempo de perguntar o nome do cidadão. Nem sequer de dar uma boa noite. Reuni toda  a minha dignidade e com muita presença de espírito fui desviando do monte de mesas e cadeiras que separava esse monte de ossos chamado Frank do átrio chamado liberdade.

Creio que ele tenha desistido de tirar satisfações. Eu, pelo menos, não olhei para minha retaguarda até estar numa posição segura. Atenção: A atitude tomada não significa que eu sou medroso. Significa apenas que sei pesar os prós e os contras de um combate, decidindo razoavelmente bem quando tirar o meu da reta. Acho que vocês me entendem…

Que fique de lição para o meu nobre leitor valentão: muito cuidado ao olhar o katchup alheio. Seu nariz pode virar mostarda se você viajar demais na maionese.

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