Editorial

Discutir o aborto não é função do presidente da República

Neste segundo turno das eleições presidenciais, o tema do aborto tem sido vivamente debatido entre os candidatos José Serra e Dilma Rousseff.

Nesta discussão há algumas ponderações a se fazer. Pelo que é sabido tanto Dilma quanto Serra, por mais que ele tenha sido ministro da saúde, não são médicos.

Acreditamos que no Brasil tenha gente muito mais gabaritada para falar sobre o assunto, inclusive para defender a legalidade ou ilegalidade do aborto. Isso não é função de presidente da República, mas se é para discutir especificamente tal assunto, que os dois candidatos, partissem então, para uma discussão mais técnica e não ficassem nessa gritaria.

Usar essa questão para simplesmente ganhar votos é de baixo nível, o que só reforça a impressão de que, como muito bem disse a candidata Marina Silva, estamos diante de um “vale-tudo” eleitoral que não contribui em nada para o cambaleante processo democrático brasileiro. Esta tática eleitoreira foi usada por ambos os candidatos.   

Outro ponto a se ressaltar é que quando se mistura religião com qualquer outro assunto é como você querer apagar o fogo com gasolina, é fazer os ânimos se exaltarem e a discussão começar a descambar para a irracionalidade dos fanáticos religiosos.

Poderíamos fazer debates muito melhores com questões realmente centrais como educação, segurança, infra-estrutura e saúde (nesta área o tema aborto poderia ser para fazer uma analogia com o corpo humano, um apêndice).

Uma discussão sobre políticas públicas para estas áreas poderia ser muito mais proveitosa para os eleitores que se encontram indecisos, por exemplo, poderem decidir em quem votar.

Perdeu-se muito tempo discutindo essa questão em debates televisivos que não acrescentaram nada aos eleitores, muito longe disso, só fizeram aumentar o nosso descrédito em nossa classe política.

 

7 pensamentos sobre “Editorial

  1. Muito oportuno o tema do editorial. A questão do aborto é tão polêmica, mas fica estagnada ao aspecto religioso, moral. No quem é “contra ou a favor”,e para por aí. É, muito além disso, um problema de saúde pública, da saúde da mulher. Ao papel de presidente da república caberia propor medidas junto aos técnicos para minimizar este problema. Como médica, acredito que é possível ser feito isso com ética, com respeito à vida. Talvez não olhar só para o fim da linha (o aborto), mas trabalhar na prevenção, na psicoeducação. A pediatria brasileira tem olhado para este assunto há algum tempo, e tem muito a acrescentar (visto o problema da gravidez na adolescência, do abuso de menores, comumente por próprios familiares)… Esse é o nosso país. E independente dos que são contra ou a favor,mulheres e adolescentes continuarão morrendo,caso não se discuta seriamente o assunto.

  2. Está muuuito bom! Concordo plenamente com o que foi escrito… semana passada fiz uma prova de Deontologia e Ética Médica justamente baseada no aborto… entre outras coisas tínhamos que colocar nossa opinião acerca do assunto. Acredito que aborto deve ser sim tema de saúde pública, uma vez que são alarmantes os números que mostram o índice de internação de mulheres por complicações decorrentes do aborto ilegal, bem como os gastos públicos com isso. No entanto, manter por tanto tempo uma discussão num assunto que politicamente é prejudicial num momento de eleição (a opinião verdadeira não pode vigorar, já que a intenção é agradar a maior parte da população) é reduzir o nível das discussões e perder tempo, já que não é possível se chegar a uma conclusão dessa forma. Independente da legalidade do aborto ou não e muito mais importante que isso é evidenciar as propostas e mecanismos de praticá-las nas áreas de saúde e educação, já que o aborto indiscriminado se tornará prática pouco prevalente quando finalmente outros métodos de se evitar a gravidez forem de fato praticados por aqueles que o desejam.
    Beijo!

  3. É meu querido, este papo furado político já encheu. Se houvesse realmente educação para todos neste país, talvez nada disso fosse necessário. Tanta ignorância, tanto abandono, tanta violência, e eles querendo começar pelo fim, quando deveriam começar … pelo começo, não é óbvio? Infelizmente parece que não… Causa e efeito, tudo no universo é assim. Por que ainda existe a gravidez não desejada em pleno século XXI? O que foi mesmo que os candidatos falaram sobre educação? Alguém falou em saúde preventiva? Nada, só ficam catando os pedaços do que já está doente. Nosso país tem a alma doente, valores distorcidos. Num país em que mais de um milhão de pessoas votam em um semi-analfabeto para um cargo público no poder “legislativo” e reelegem gente que comprovadamente roubou dinheiro público, o nosso dinheiro, do nosso trabalho, de 4/5 da nossa vida, só me resta a esperança de que nossas crianças aprendam com nossos erros e não os repitam…
    Parabéns garoto, mais que nunca é hora de falar, de discutir, de os bons deixarem o silêncio de lado e se fazerem ouvir!

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