O coco do Capiroto

Minhas relação com o coco não é muito amistosa. Isso já vem de longe, e o fato mais relevante nessa guerra secular foi quando eu derrubei um exemplar no meio de um supermercado lotado. Até hoje. Nenhuma situação superou o que eu contarei a seguir. Tenho a impressão que fui o responsável por dar vida ao Coco do Capiroto ou, em outras palavras, fiz um “demonho” encarnar num fruto verde.

Tudo começa num tranquilo almoço de segunda feira. O calor faria qualquer caiçara pedir um ventilador no meio da fuça. Realmente estava quente. Resolvi então pedir uma água de coco para acompanhar a refeição. Saudável-ável. Achei que ela viria num copo ou mesmo que seria aquelas de caixinha. Qual nada! Veio no fruto mesmo:

Praia acompanha?

É legal sair do restaurante levando o copo, mas isso não vem ao caso agora. A questão é que eu olhava para o coco, já totalmente vazio, e não conseguia me conformar com aquele amplo espaço verde e ocioso. Ele precisava de algo.
Não sou um artista plástico. No máximo um escrivinhador de araque. Esse detalhe não me impediu, no entanto, de tentar talhar um rosto em uma das faces do coco. Coisa bem rudimentar, feita a partir de um estilete e sem rascunho, testes ou medições. Foi tudo na inspiração.

Fiz os olhos, o nariz e a boca. Com todo o capricho que minha famosa coordenação motora conseguiu reunir, um busto verde estava finalmente pronto. Quer dizer. Ficou uma mistura de Coelho Sansão, Cebolinha e o Plank (do desenho Du, Dudu e Edu). Aprecie a mais pura expressão da arte. Ao final do experimento, me senti um quase Rodin:

O nome? Muito original! Wilson Tupiniquim!

Tenho orgulho paterno da minha criação. E é aí que está o problema. Essa… essa… coisa… deve ter parte com o capeta. Com dó de simplesmente jogar fora, guardei numa salinha ao lado da minha mesa, no local em que eu trabalho. Ele ficou quieto durante todo o dia, ontem. Mas Ele não se contentou em ser mascote e querido por todos. Ele TINHA que aparecer.

O sumiço da garrafa de Coca Cola, no dia seguinte, dava o tom do mistério. Eu deixei a garrafa lá, perto do coco. Dia seguinte ela tinha sumido. Nem sinal da sagrada bebida gaseificada. É bom dizer que fica tudo trancado, ninguém entra naquela sala depois do expediente. Como ela foi simplesmente sumir?

E hoje, no fim da tarde, ouço um baque surdo na porta da salinha. Não tinha ninguém lá dentro e mesmo assim algo bateu na porta. Ao abrir pra ver o que tinha acontecido, o coco estava no chão. IMPOSSÍVEL aquele coco ter rolado e acertado a porta com a força suficiente para fazer um barulho daquela magnitude. O local em que ele ficou o dia todo não estava, por assim dizer, no trajeto. Fora de mão. Teria que fazer uma curva fisicamente traiçoeira. No momento o ar condicionado não estava ligado e ninguém tinha passado por lá (por pelo menos meia hora). Única explicação plausível e irrefutável? O coco ganhou vida.

Incrédulo, eu olhava pro Wilson sorridente e pensava: “Preciso me livrar disso aí. O mais rápido possível. Tipo assim… AGORA“. Joguei no lixo.

Amanhã eu verei se o coco foi devidamente descartado. Tenho MUITO medo que ele apareça dentro da salinha.

Sério.

4 pensamentos sobre “O coco do Capiroto

  1. Cara, você é um desalmado. Dr. Frank(estein). Cria o monstro, deixa-o encarcerado e quando o coitado se manifesta, seja por fome, por sede ou vontade de ir ao banheiro, você o descarta!! Tsc, tsc! Estou muito decepcionado contigo!

  2. Coco-abóbora de Halloween…

    P.S.: Quanto tempoooooo!!!! Estava com saudades do blog, do blogueiro, dos posts; mas em meio a fraldas, papinhas, banhos, sonecas e idas à pracinha fica um pouco difícil de parar pra usar o computador.

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