Porcalhão!

Se você não vive em uma bolha isolada do mundo real ou consegue sair 15 minutos do Twitter (depois de limpar a baba, claro) sabe que, via de regra, as pessoas são nojentas. Não falo especificamente de você, cheirosa leitora, mas de outros tantos indivíduos que não tem o menor respeito pelos sentidos dos outros. A todo momento nossa olfato e audição, para limitar a dois exemplos, são covardemente agredidos de diversas maneiras, umas mais criativas que as outras.

Comecemos pela audição. Minha principal reclamação nesse quesito é o volume em que a música é executada. Quando acontece dentro do carro de outrem dá até pra entender. Você aguenta durante um ou dois minutos e pronto: quem ficará surdo é o tonto, digo, cidadão-condutor que se auto flagela com trocentos decibéis. Agora… quando ocorre em lugares fechados (como filas intermináveis em bancos ou transporte público) o bicho pega mermão. Você vira fumante passivo. Não é culpado, mas tem que aguentar a poluição do outro.

A vontade de todo mundo é devolver na mesma moeda. Enquanto meu mau-educado vizinho de fila ou de assento põe a (insira aqui a pior música que conseguir pensar) no volume máximo que o celular capenga permite, eu gostaria de dar play no Irish Wahswoman. Entretanto, do jeito que o mundo está violento, é capaz que o boa alma pense que eu quero apenas provocá-lo e acabar me enchendo de porrada. Bom… cá entre nós, ele não estará de todo errado, né?

E, claro, a música que o DJ do Inferno escolhe NUNCA é aquela que você gosta. Parece que há uma estranha força que faz questão de reunir pessoas com gostos totalmente antagônicos. Grandes mistérios da humanidade!

Mudando de sentido, pularemos para a audição. Os exemplos desse caso serão conciliados com a visão, que é para maximizar o dano.

É certeza que você já viu um tiozinho caminhando a passos lentos – com a mão entrelaçada nas costas. De repente ele faz barulhos estranhos com a boca e…. catarrada no chão. Desculpe a linguagem vulgar, mas não há outra forma de descrever o hábito bárbaro (no sentido de selvagem) de cuspir secreções pulmonares na rua. Nos mais velhos, como foi o caso desse exemplo, dá para relevar. Na época áurea em que eram jovens, havia, inclusive, um equipamento próprio para isso: a escarradeira. O Mário Prata pode falar melhor delas do que eu.

Para quebrar o clima, nada melhor que um “ouuuun”

E quando é alguém novo, saudável e que foi criado, em teoria, numa sociedade SEM esses costumes? Cuméquifica? Fica que, se você não prestar atenção, aquela coisa gosmenta vai parar no seu sapato. Magnetismo surreal.

E o que falar dos banheiros públicos? Poooooooxa! Custa dar descarga? Custa jogar o papel no lixo? Custa tanto assim lavar a mão depois de fazer o número 1 ou o número 2? “São regras de educação elementar que se pratica naturalmente“, diria o Professor Girafales. Certo, certo… senta lá professor.

Aonde vamos parar eu não sei. Mas de onde veio eu posso explicar. Em “1808” (o livro, não o ano… oh, wait!) Laurentino Gomes nos brinda com uma descrição muito pitoresca dos costumes muito peculiares de nossos antepassados. Eu DUVIDO que você repita o gesto na casa da sua noiva/namorada, sentando ao lado do sogrão.

O inglês Luccock fez um retrato divertido dos hábitos dos cariocas. (…) Convidados para um desses jantares na casa de uma família rica, supreendeu-se ao descobrir que cada pessoa  deveria comparecer com sua própria faca (…) Observou que  “os dedos são usados com tanta frequência quanto o garfo. Considera-se como prova incontestável de amizade alguém servir-se do prato de seu vizinho e, assim, não é raro que os dedos de ambos se vejam simultaneamente mergulhados num só prato”. (Páginas 143 e 144).

Eu só posso encerrar esse texto lembrando a letra de uma velha ciranda que todos deveriam ter decorado e, mais do que isso, assimilado no inconsciente:

“Pombinha branca/ o que está fazendo? / Lavando roupa pro casamento/ Vou me lavar / Vou me secar / Vou na janela pra namorar / Passou um homem / de terno branco / chapéu de lado / meu namorado / Mandei entrar / Mandei sentar /Cuspiu no chão / Limpa aí seu porcalhão /Tenha mais educação”.

3 pensamentos sobre “Porcalhão!

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