Acompanha fritas, senhor?

Uma praça de alimentação lotada de pontos de interrogação pairando no ar. Mesmo que você não tenha visto essa cena – até porque pontos de interrogação não ficam pairando sem que você esteja sob efeitos de alucinógenos – certamente sabe que ela acontece. Centenas, milhares ou apenas uma dezena de pessoas (se você estiver no shopping em Itatiba) estarão com o pescoço torcido procurando a melhor opção de alimentação que satisfaça dois exigentes clientes: o estômago e o bolso.

Ironicamente, o top of mind nessa eleição é a… junk food. Os consumidores só não disputam o hamburger a tapa porque sempre tem pra todo mundo. Tudo bem… não são tão fresquinhos e personalizados, mas nunca ficam em falta. Parece uma premissa besta, mas já fui em uma pastelaria em Valinhos que não tinha mais pastel.

Enquanto as filas no junk food ameaçam quebrar uma lei física (aquela que diz que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço no mesmo tempo), os restaurantes que se especializam em comidas “quase” vegetarianas feitas em Wok parecem fadados ao fracasso. Wok, se você ainda não ligou o nome a panela, é aquela… hã… cuia grandona, com uma ou duas alças, com a qual os cozinheiros de verdade (coisa que você, mero comedor de miojo, nunca será) ficam jogando as refeições gourmet para o alto.

Não é que elas não tenham público. Se assim fosse, não estariam abertas (básico princípio econômico). Entretanto, a diferença na quantidade de consumidores é gritante. Acho que se olhar o McDonalds, Habbib’s e similares do alto, vamos nos lembrar do pedágio da Imigrantes num feriadão.E mesmo com um argumento tão desestimulantemente bom, o status quo se mantém.

Atribuo essa disparidade de audiência ao fator público alvo. As fast food atingem o público infanto juvenil, teen, adolescente e baladeiro. São eles que tem mais paciência para sair e enfrentar filas. Obviamente crescem e não abandonam o hábito.

Já a Wok Food tem que contar com uma ruptura de padrão de vida ou em casos menos extremos, uma vontade de experimentar algo diferente. É um nicho mais específico (como se nichos já não fossem específicos) que ao que tudo indica deve estar crescendo no Brasil e no mundo. Ao menos é visível a proliferação – no bom sentido – do vegetarianismo e de pratos com pouco óleo e gordura. Mas o público (ainda) não é de massa, sem duplo sentido.

Isso um dia vai mudar? Duvido muito. A indústria fast food movimenta dinheiro demais para ser extinguida a curto, médio e até me longo prazo. Arrisco dizer que nem se algo grave acontecer (uma intoxicação coletica, por exemplo).

Já o outro lado vai ter que comer muito arroz integral e grão de soja cozida para se notabilizar como opção prioritária no grande ringue que é a praça de alimentação e seus dezenas, centenas e milhares de pontos de interrogação pairando no ar.

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