Economia Praiana

O litoral é um lugar mágico. Parece outra dimensão. As pessoas são mais bonitas do que aparentam nas metrópoles, o congestionamento lendário parece que é apenas mais uma fila de tantas que costumamos enfrentar, a areia que entra no fiofó é só mais um doce método de “esfoliação bundal”. Entretanto, o que me encanta no litoral são as inúmeras oportunidades de comércio. No local em que a água salgada safadamente lambe a areia, há uma economia muito particular.

O vendedor de picolé, por exemplo, sai de onde? E quando o dia termina, para onde ele vai? Deve haver uma central que faz a logística, indicando e distribuindo os tios do carrinho. Aposto que você nunca pensou nisso, mas já percebeu que cada um vende o sorvete entoando um jingle, sempre no mesmo ritmo. Partes independentes de um todo (quase unido).

Comeu o estoque

Em Ubatuba-SP, os quiosques montavam varias mesas com guarda sol bem no meio da praia. Ocupavam uma faixa consideravelmente extensa. Você pagava uma consumação de, sei lá, 80 reais e passava o dia todo ali, petiscando e enchendo o rabo de álcool apreciando destilados e fermentados. Uma medida da Prefeitura local proibiu tal pratica, afinal a areia é de todos.

Enquanto uma porta se fechava, outra abria-se! Agora é a vez de um cidadão que você poderia classificar como Zé Mané alugar apetrechos praianos para o povo. Por apenas 8 reais cada, você aluga uma cadeira e/ou uma sombra e passa o dia farofando. De brinde, o cidadão usa uma ferramenta pneumática para fazer o buraco para você, velho pançudo.

Agora, o que eu acho mais genial é cobrar pela ducha de água doce e pelo uso do banheiro. Pago com gosto. É a mais pura expressão da necessidade. Você precisa tanto daquilo que é capaz de desembolsar 2 reais por 40 segundos de fio de água sem sal ou de um buraco minimamente limpo para se aliviar.

Se você tem sangue de empreendedor, sugiro que passe uma temporada em alguma cidade a beira do Atlântico. Tenho certeza que seu olhar (sim, aquele mesmo com o cifrão) irá descobrir formas até então inimagináveis de se ganhar dinheiro com turistas. Eu, que sou péssimo para isso – haja vista esse blog de meia pataca – já senti a brisa suave das notas de reais pairando pelo ar.

Ou era o camarãozinho passando numa churrasqueira portátil?

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