Resenha: Open

Imagine ser reconhecido pelo seu talento. Imagine ganhar milhões para fazer aquilo que você faz de melhor. Parece uma perspectiva de vida perfeita. Entretanto, para André Kirk Agassi, as coisas não funcionam exatamente assim.

Vamos trocar algumas bolas nessa quadra de saibro blogueira:

Eu saco dizendo que André Agassi detesta tênis. Você me devolve dizendo que ele jogou profissionalmente por 21 anos. Eu devolvo dizendo que ele sabotava algumas partidas quando criança. Você rebate uma curtinha, alegando que ele casou e teve filhos com uma tenista, uma das maiores da história.  Eu corro e consigo acertar uma cruzada só por mostrar que ele chegou a se dopar em meio a conturbada relação com o esporte. E aí você manda um lobby vencedor, mostrando os números:

  • 8 Grand Slans
  • 1 Master Cup
  • 1 ouro Olímpico
  • 18 ATP Master Series
  • 33 ATP Tour

Game, leitor.

A vida de Agassi é pautada por essas contradições descritas em nosso breve joguinho acima. O próprio tenistas mostra diversas provas disso ao longo de anos de decisões felizes e infelizes.

E p***queopariu, que baita biografia. André e seu ghost writter – que nem é tão ghost assim – conseguem unir diversos elementos que tornam esse livro um dos melhores que eu já li. E o que mais me encantou foi a forma como ele foi montado. Não é um simples diário de lembranças. Ele realmente revive todos os momentos mais importantes, recriando o pensamento que se tinha na época. O tempo verbal mistura-se, numa salda de pretéritos, presentes e futuros. Expressões como “vou enfrentar pela primeira vez um tal de… Sampras. Pete, acho*” e após alguns capítulos (ou anos) um “Sampras tem um talento especial para chutar a minha bunda*“.

Replay

Fiquei impressionado com a facilidade e o senso crítico de Agassi para avaliar outros tenistas. Sobre Roger Federer ele diz: “A maioria das pessoas tem suas fraquezas. Federer não tem nenhuma“. Sobre Ivo Karlovic: “Sua ficha diz que ele tem 2,05 metros, mas acho que ele estava afundado numa vala quando o mediram. O cara tem a altura de um totem (…)”. Para Rafael Nadal, suas palavras são simplesmente: “Não consigo derrotá-lo. Não consigo decifrá-lo. Nunca vi ninguém se movimentar assim numa quadra de tênis.”

A personalidade de Agassi é algo constantemente abordado. Sua infância – como é tradicional – explica os modelitos pouco usuais utilizados em quadra durante a juventude. Quer dizer… não é nada muito garboso jogar de mullets e shorts jeans, ainda mais tênis que, se não fosse a mobilidade e o suor, seria praticado de terno e gravata. As passagens de rebeldia na escola são hilárias, bem como a displicência e respeito pelos árbitros.

Consegui encontrar, no máximo, dois pontos negativos, que nem são tão graves. O primeiro deles é o número insuficiente de fotos. As diversas fases da carreira de Agassi poderiam ser melhor ilustradas, até porque se fala muito de aparência, interior e exterior. Outro ponto negativo é em relação ao título na versão brasileira. Merece até um parágrafo próprio:

Absolutamente desnecessário extirpar o perfeito OPEN da versão original. É o nome ideal para essa biografia, pois mistura o nome popular dos torneiros de tênis – os chamados Abertos – com o verbo que melhor define tudo o que está escrito nas mais de 500 págnas. Está tudo lá, aberto para o leitor. Mesmo que o futuro comprador veja a cara gigante de Mr. Kirk e não reconheça, o subtítulo da versão americana diz quem é, logo, foi um desperdício. Uma pena.

No mais, você tem que respeitar um cara que foi casado com Brook Shields e fundou um enorme centro educacional que já angariou 150 milhões de dólares em prol do futuro de milhares de crianças.

Se você gosta de biografia, está intimado a ler. Se você não gosta, talvez seja melhor não ler, afinal, nem todas são tão boas assim.

*Passagens transcritas apenas com a ajuda da minha memória. Foi assim, mas talvez não tenha sido exatamente assim.

Foto: Montagem do blog do André Barcinski, que também tem uma resenha do livro

2 pensamentos sobre “Resenha: Open

  1. Pingback: Começou! Top 5 livros de 2011 « Ideia Fix

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