Uma justa homenagem aos “dinossauros”

Foi-se o tempo que o ápice para qualquer artista nacional era gravar um Acústico MTV, no formato acústico mesmo, com violões, percussão e voz.

Hoje, para qualquer artista minimamente consolidado no cenário musical, o “top” é fazer parte do projeto cd, DVD, e mais recentemente, Blue Ray sob o título Multhishow Ao Vivo.

Nomes como Ivete Sangalo, Claudia Leitte entre outros já tem um ou até mais.

O projeto é uma parceria da Universal Music com a Globosat, dona do nome  Multhishow. Dois grandes conglomerados do entretenimento cujos títulos têm uma excelente vendagem, diante da invasão de CDs e DVDs piratas que assola o mercado fonográfico nacional.

Os mais novos integrantes desse projeto são: Herbert Vianna no vocal e guitarra, Bi Ribeiro no baixo e João Barone na bateria. Eles são simplesmente, Os Paralamas do Sucesso.

A banda formada no início dos anos 80 por Herbert e Bi Ribeiro, ainda no colegial e cuja primeira formação tinha Vital Dias na bateria, depois substituído por Barone,     formam segundo alguns críticos, o “Quarteto mágico” do rock nacional. Esse “Quarteto sagrado” seria composto pelos Paralamas, Titãs, Legião Urbana e Barão Vermelho.

Segundo, a jornalista Bia Abramo, os “Paralamas”:

“Atualizaram o rock brasileiro com o balanço do Reggae nos anos 80 e, em seguida, encontraram uma maneira de sintetizar essa informação numa MPB pop e original”, atesta a jornalista

 

E é com esse “balanço” e com essa “informação” que a banda está com seu novo álbum Os Paralamas do Sucesso: Multishow, Ao vivo. O novo trabalho foi lançado neste mês de Abril e é o sexto projeto “ao vivo” da banda.

O show também será lançado em DVD e Blue Ray, em breve. O tecladista João Fera é o musico convidado para esse projeto.

O álbum produzido pela própria banda e com direção executiva de Joana Mazzuchelli é composto por 15 faixas que são canções que já faziam parte do repertório da banda e uma inédita, na voz de Herbert Vianna: A canção “Quanto ao tempo” composição de Carlinhos Brown já gravada por Ivete Sangalo.

O cantor, compositor e ritmista baiano é parceiro de Herbert Viana na letra de “Uma brasileira”, presente no repertório desse álbum.

O cd na ordem das faixas apresenta uma mescla de baladas românticas, casos de “Cuide bem do seu amor, “Romance ideal” e “Tendo a lua” com músicas com cunho político. Esses são os casos de canções como “Pólvora”, “Mormaço” e “A novidade”. Essa canção é uma composição de Herbert em parceria com Gilberto Gil.

O disco tem como ponto positivo o fato das músicas estarem no estilo original de suas gravações originais com o rock, o reggae e a base harmônica dos metais (sax e trompete) presentes, ditando a “pegada” da maioria das músicas. Podemos verificar isso em “Uma brasileira”, por exemplo.

A presença dos metais é uma clara referência ao “Ska”, ritmo caribenho que influenciou profundamente “Os Paralamas” desde os seus primeiros trabalhos. Tal ritmo é uma das matrizes do próprio Reggae.    

Podemos destacar também as participações especiais de Pitty em “Tendo a lua” e Zé Ramalho em “Rio Severino”.

A roqueira baiana emprestou muito bem sua voz à balada romântica, saindo um pouco do seu estilo de rock mais pesado. Já o experiente compositor e cantor paraibano foi muito bem escolhido para um estilo de música que ele interpreta bem, ou seja, a chamada “música de protesto” como é “Rio Severino”.

A força de vontade de Hebert Viana ao e ao cantar também deve ser ressaltada. A sua voz em algumas músicas parece dar uma leve desafinada em faixas mais rápidas ritmicamente  quando ele interpreta a clássica “Óculos”, por exemplo.

  Essa possível desafinada passa a ser irrelevante, se lembramos que o cantor foi vitima de um grave acidente de ultraleve em 2001 que vitimou a mulher do vocalista. O fato o deixou paraplégico e em uma cadeira de rodas depois de 44 dias em coma.

Talvez um dos pontos negativos do disco tenha sido a falta de ousadia da banda em investir em novos arranjos. Um trabalho como esse “ao vivo” permitiria uma nova roupagem ou a inclusão de novos instrumentos como, por exemplo, cordas (violinos e violoncelos) em canções como “Cuide bem do seu amor” ou até mesmo no refrão de “A novidade”.

Alguns clássicos da banda fizeram falta no repertório. “Meu erro”, talvez o maior sucesso dos três rapazes, que foi regravada por cantores como Zizi Possi e “Lanterna dos afogados” canção gravada por gente do calibre de Gal Costa, Cassia Eller e, mais recentemente, Maria Gadú foram deixadas de lado.

O novo álbum pode ser considerado uma bela homenagem a esses “dinossauros” do verdadeiro rock nacional dos anos 80 que influenciaram e influenciam muitos artistas e bandas, Brasil e mundo afora. Alguns cantores internacionais influenciados pelo “som” dos “Paralamas” são o cantor pop argentino Fito Paez, o jamaicano Jimmy Cliff e o guitarrista do lendário grupo de rock Led Zeppelin, Jimmy Page.

  Por fim, o conjunto da obra tem um saldo positivo para o fã de “carteirinha” da banda, dona de três Grammys latinos, três prêmios Multishow, oito prêmios VMB (Video Music Brasil) e dois troféus “Imprensa”.

         

  Eis a capa do novo disco

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s