F1 2011: Montreal, Canadá

Por Frank Toogood

Tem certas corridas que você se pergunta: “Como diabos descrever o que aconteceu naquele circuito?“. É justamente o que me pergunto quando começo a digitar esse texto. Vamos tentar ser objetivos: Button venceu, Kobayashi foi sétimo e Schummacher terminou em quarto. Hummm… não. Não ficou bom. Ser objetivo nem de longe demonstra o que foi esse GP. Vamos então dividir por pilotos. Isso talvez ajude a organizar o que foram, de verdade, as 4 horas do GP do Canadá. O quê? Eu não mencionei que o GP durou tanto tempo?

A chuva já era prevista desde o treino classificatório. Previsão cumprida. Um aguaceiro caiu sobre o circuito e a largada foi atrás do Safety Car. Algumas voltas depois e a tartaruga foi para os boxes. Na 25ª volta, sem condições. Bandeira vermelha por duas horas. Voltemos, pois, para a ideia inicial. Eis os pilotos:

Michael Schummacher: Sem a menor sombra de dúvidas, a melhor corrida do alemão desde que resolveu largar o jornal e o roupão e abandonar a aposentadoria. Deve ter sido isso que imaginou quando teve a brilhante ideia. Veja: o cidadão foi melhor que Niko, seu companheiro de equipe. Tirou da sua Mercedes muito mais do que ela poderia oferecer, enquanto a pista esteve molhada. Ultrapassou Webber duas vezes, além de outros pilotos em melhor fase. Conseguiu passar Massa e Kobayashi AO MESMO TEMPO e ainda deu calor em Vettel.  É possível que ele não repita o que fez hoje. mas o que fez hoje já valeu todas aquelas corridas toscas que participou. Um monstro.

Felipe Massa: Quem diria, foi bem. Manteve-se um bom tempo na terceira colocação, brigou bastante com Kobayashi e… bateu na reta? Ahhh Massa, assim não amigo. Foi passar uma Hispania e deve ter beliscado uma poça d’água resistente. Deu uma bitoca no muro e perdeu muitas posições  No fim, pode abrir um vinho para comemorar, já que, inacreditavelmente, passou Kobayashi nos últimos metros/centímetros. Digno de fotosharp.

Kobayashi, o mito: Esse cara vai longe. Ou não. O que tem de mito tem de maluco. Piloto arrojado, deu sorte hoje. Com aquela confusão de chuva indo e vindo, o japonês apareceu no retorno após a bandeira vermelha em segundo lugar. Todos por um. Todos por Koba. Mas a Sauber não suportou a qualidade dos outros carros e nosso herói foi pererecando para trás. Pena que no finzinho o Massa fez o que fez, tirando pontinhos dO Cara.

Fernando Alonso: Vinha fazendo aquilo que a sua Ferrari permitia. Brigava com Hamilton, com Button, com a chuva, com o vento, com o comissário barrigudo. Enfim… brigou tanto que, na hora de passar Hamilton, um leve toque foi suficiente para uma rodada sem volta. Fim de corrida.

Lewis Hamilton: Está numa fase meio “dane-se e vamo que vamo. Aquela história de ser agressivo, arrojado, combativo, corajoso as vezes atrapalha o próprio piloto. Furou o pneu tentando passar o companheiro de equipe no começo? Precisava? Não sei…. Tocou em Webber também. O grande problema é que poderia conquistar resultados melhores se aprimorasse suas ultrapassagens. Muita garra e pouca técnica.

Mark Webber: Foi o primeiro a colocar pneus pra pista seca. Mais do que iniciar o troca-troca, no bom sentido. Mais do que isso, mostra que ele tenta se reerguer com estratégias diferentes. Terminou em terceiro. Pra quem vai deixar a equipe no fim da temporada (no fim?), está de bom tamanho.

E agora vem o principal:

Sebastian Vettel: Não dá pra falar absolutamente nada de Vettel até as ultimas 4 voltas. Até lá, fez o que está acostumado a fazer (e o faz com muita propriedade): correr sozinho, destruir tempos, disparar como um cavalo de corrida. E aí aconteceu aquilo que eu vivo repetindo, está até fiando chato: deixou de correr sozinho e passou a fazer as curvas com um bico de um campeão mundial no retrovisor. É amigo… a perna deve ter começado a tremer, o capacete ficou mais pesado do que de costume, a água pra molhar a boca deve ter acabado. Errou a tangência da curva, espalhou e deixou Button vencer a prova. Pode até culpar os pneus que se esfarelavam, a asa aberta do rival, o que mais quiser. Mas é FATO que não suportou a pressão.

Jenson Button: Aconteceu de tudo com o cidadão. Parou SEIS vezes nos boxes. Tocou em Hamilton. Tocou em Alonso. Foi punido com um drive through. Ultrapassou e foi ultrapassado. Esse tipo de coisa ia acabar com a corrida de qualquer um. Mas não hoje. Uma vitória, na última volta, para entrar para a história da F1. Vitória de campeão mundial.

Próxima corrida: 26 de junho, em Valência. Alonso vai correr (quase) no quintal e casa de novo. Agora vai?

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