O que fazer com nossos idosos?

Segundo o Censo 2010, a população brasileira está mais velha. A pirâmide etária está alongando no topo e estreitando na base, exatamente o modelo dos países desenvolvidos. Contudo, há de se pensar o que fazer com eles, os velhinhos e velhinhas do país.

Comecei a refletir sobre o tema quando atendi um senhor de bastante idade na Prefeitura aqui da cidade. Com a locomoção bastante prejudicada, todos os movimentos eram extremamente lentos. Ele não conseguia expressar verbalmente o que queria e os braços pareciam flutuar lentamente no espaço quando tentava apontar alguma coisa. Pra completar o quadro tragicômico, um fio de saliva de uns 40 cm formou-se entre sua boca – que não fechava – e os joelhos trêmulos.

Como uma pessoa nessas condições pode sair sozinha de casa? É arriscar a própria vida e a dos demais, pra dizer o mínimo. Atravessar a rua, pegar um ônibus, IR AO BANCO… tudo vira um desafio no limite do letal.

Além do lado social, há também o lado econômico: mais gente idosa significa mais aposentados recebendo o benefício (mais do que justo) por mais tempo. Com a base de contribuintes estreitando, eis uma conta que não vai fechar nunca. E o rombo na Previdência já está maior que o da Camada de Ozônio…

Portanto, repito a pergunta do título: O que fazer com nossos idosos?

É DO-NA ELVIRA! É DO-NA ELVIRA!

Precisamos de mais Centros de Convivência: idosos que interagem com outros idosos, com o meio em que vivem e que sentem-se, ainda, parte ativa da sociedade são mais saudáveis. O ócio transforma em problema quem, na verdade, é solução. Com mais qualidade de vida, esses idosos integram os economicamente ativos, fazendo a roda girar.

É claro que também precisamos de um Sistema Único de Saúde que funcione como se deve. Os mais debilitados requerem cuidados que as famílias não tem condições ou mesmo paciência (infelizmente) para atender. Deve ser o caso do cidadão que eu descrevi alguns parágrafos acima.

E eu não poderia deixar de tocar na questão do asilo. Eles até são uma alternativa, desde que mudem o modelo de gestão. Até a palavra é depreciativa, assemelhando-se a exílio.

A mentalidade dos administradores desses estabelecimentos tem que mudar. Asilo não é estoque, não é antiquário, não é prisão. Apesar do veículo institucional, a frase da dona Maria Leonel Brasileiro em um jornal do Asilo Pio XII dá um pouco do tom: “Foi mui­to bom, porque eles cuidam bem da gente, quan­do adoecemos somos levados imediatamen­te para o hospital, de vez em quando tem festa aqui e a gente se diverte. Não me sinto sozinha, sempre pesso­as de fora vêm visitar a gente“.

Parte da História. Parte da NOSSA história. Como estamos tratando o passado do Brasil?

2 pensamentos sobre “O que fazer com nossos idosos?

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