Hiroshima, Arigatô, Nagasaki…. Sayonara

Meu primeiro contato com a cultura japonesa foi através das artes marciais. Quem vê a cara e o tipo físico desse blogueiro não imagina que fui queijo faixa azul em judô e estava apto a receber a amarela. É sério, pare de rir… Ainda tenho meu kimono!

Pois bem. No judô, aprendi que o “inventor”, Sansei Jigoro Kano (já mandei parar de rir) derrubava os adversários, mas colocava a mão na nuca do sujeito, para evitar o choque da cabeça contra o tatami. Ao menos era o que o mestre lá contava. Começo o texto desse modo para demonstrar o que eu acredito que bem define o modo de vida dos japoneses: respeito.

Você percebe esse respeito nas mais simples atitudes, como tirar o sapato ao chegar em casa. Em teoria, o calçado é a parte do vestuário que mais contém as impurezas das ruas (justamente por estar em contato direto com o solo) e, ao tirá-lo, você mantém sua casa mais asseada. Respeito ao lar doce lar. Ou vai dizer que você nunca chegou com aquela goma de mascar ou mesmo aquele “totozinho” preso nas ranhuras do seu pisante?

(Sugira uma imagem para inserir nesse espaço)

Há também inúmeros exemplos de respeito ao ser humano: enquanto no Rio de Janeiro (ou Brasília, São Paulo, BH…) após uma tragédia natural, a água era vendida pelo triplo do preço normal – nada diferente do que se espera de um capitalismo selvagem – no Japão, após uma tragédia natural, os comerciantes DOAVAM a água do próprio estoque para aqueles que precisavam. Isso sem contar os mais velhos abrindo passagem para os mais novos se evadirem de eventuais tsunamis. Será que houve um pensamento coletivo do tipo: “já sou idoso, assim, darei preferência a quem tem mais chances de viver por mais tempo“?

A disciplina oriental é admirável. Não é por mero acaso que há a célebre piada da preocupação no vestibular, não pelo número de alunos por vaga, mas sim pelo número de japoneses por vaga. No estudo fica mais evidente, o que não significa que não se estenda às outras áreas.

Para nós, ocidentais, é difícil entender porque o suicídio é uma opção seriamente cogitada para aqueles que fracassam e não passam no vestibular. Oras… é só fazer um ano de cursinho e tentar novamente, pensa um ou outro. Acredito que vá mais além do que ter ou não ter a vaga na faculdade. Pega fundo na questão da honra, da competência, da dedicação. É inadmissível fracassar.

Por falar em ocidentais, já parou pra pensar o quanto sabemos da cultura japonesa? Malemal brincamos com palavras do título desse post e repetimos inúmeras vezes aquela saudação de curvar o tronco, com as palmas das mãos encostadas uma na outra. Ah sim… tem também a aversão,  (ou nojinho, como queira) a peixe cru e arroz quase sem tempero. E só.

Cadê a globalização nessas horas? Não serve só para descobrir as taras bizarras por tentáculos, colegiais e desenhos (não necessariamente nessa ordem e, principalmente, separados), ou aquele museu dedicado ao pênis. É… isso existe.

Felizes seremos no dia em que incorporarmos o que a cultura japonesa tem de melhor. Enquanto isso não acontece, a gente samba.

2 pensamentos sobre “Hiroshima, Arigatô, Nagasaki…. Sayonara

  1. Muitissimo bem dito.
    Descobri minha paixão pela cultura oriental a pouco tempo, e incrivelmente foi assim que acabei de achando por aqui, pelo fabuloso misterio do yakissoba x hashi ha 🙂
    A gent acaba estigmatizando muito as coisas antes de conhecer bem, criando umas barreiras, uns muros, como se o que não estivsse fortemente presente no osso circulo de conforto o cotidiano fosse a coisa mais estranha e assustadora do mundo.
    O legal de blogar e passar mais na tempo na internet é que a gnt abre mais a cabeça… A gente busca mais informação, mais coisas fora da nossa zona de conforto….

    Beeeijos

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