Resenha: Crônicas de Nárnia

Iniciei a leitura de Crônicas de Nárnia após indicação do senhor Henderson Bariani, do Depokafé, em mas uma de suas resenhas. Sem querer competir com a experiência e, mais propriamente, com o texto do amigo, darei a minha versão dos fatos.

Ao terminar a leitura, senti que novamente fui catequizado. Isso porque Clive Staples Lewis (o famoso Counter Strike Lewis) – coincidentemente o autor do tralalau de 750 páginas (no volume único) – resolveu pregar para crianças através de parábolas. Nada que atrapalhe, mas o leitor deve estar ciente que não lerá apenas umas historinhas sem um objetivo mais profundo. Ele quer converter você.

Falemos das Crônicas propriamente ditas. Os dois primeiros livros, “O sobrinho do mago” e o mundialmente conhecido “O leão, a feiticeira e o guarda roupa” são duas histórias muito bem amarradas. Aliás, brilhantemente montadas, uma vez que se completam. Você pode até conhecer apenas a história que virou filme, mas a experiência só é plena quando você entende como foi parar em Nárnia aquele poste que as 4 crianças encontram ao saírem do guarda roupa.

A história “O Cavalo e seu Menino” não fede e nem cheira para o entendimento do todo. Se não estivesse lá não faria a menor falta. Em minha opinião, a única utilidade dessa história é a possibilidade de aumentar o hã… vocabulário narniano, por assim dizer. Tarcaína, calormanos, Arquelândia… O livro meio que tenta preencher o Universo Nárnia, recheando a fantasia. Tentativa de imitar a Terra Média, do parceiro Tolkien?

Decepcionante mesmo foi “O Peregrino da Alvorada”. Tenho a mais absoluta tranqüilidade para definir como PREGUIÇOSO. O autor conseguiu a proeza de preparar o terreno para aventuras fantásticas e não desenvolveu todo o potencial. Foi simplista, minimalista… Com o enredo armado, eu faria melhor. E que a modéstia vá para a casa do baralho.

Tenho tomado cuidado para não soltar spoilers, mas usarei os próximos parágrafos para descrever o tamanho do relaxo do sr. Lewis. Cuidado, é provável que eu estrague algumas passagens… Se você já leu, sinta-se a vontade de debater comigo as possibilidades que foram jogadas na lata do lixo:

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Na Ilha dos Tontos, por exemplo: Lúcia utilizou o livro do mago para tornar visíveis aquelas criaturas de um pé só, também conhecidos pela alcunha de Monópodes. O tal do livro continha trocentos mil encantamentos e ela ousou experimentar apenas um além do combinado, que foi prontamente esquecido. Apamerda! Não dava pra ter decorado uns 2 ou 3 que seriam fundamentais em algum perigo mais adiante? E por que não levaram um dos monstrengos com pé grande? Montou uma criatura bem interessante – que inclusive flutuava com seu “pé de lancha” – e a abandonou deliberadamente. 

A ilha negra é outro exemplo. Um lugar sombrio que torna seus sonhos realidade tinha que ser melhor explorado. Seria fantástico se cada um fosse obrigado a lutar contra os seus sonhos, seus desejos mais profundos. A atmosfera criada era propícia e o que o sr. Lewis fez? Virou o barco e pediu ajuda divina pra sair dali… Merece outro “apamerda”.

Mais pro fim, aqueles três lordes dorminhocos, quando cutucados, falaram uma frase. Eles poderiam, muito bem, dizer um enigma que levaria ao raciocínio do fim do mundo (e do fato de ter que deixar um lá). Aí, quando descoberto, o tal do velho-barbudo-que-rejuvenece-com-a-pedra-do-sol (ou simplesmente Ramandu) apareceria para explicar os detalhes da missão. Em vez disso, cada um falou qualquer besteira e o terceiro – que deveria chamar Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo – soltou um “a mostarda, por favor”. Combo “apamerda”

Pra completar a seqüência preguiçosa, quando Lúcia observa o reino embaixo da água, vê seres aquáticos. Seria muito mais “explosão de mente” se ela observasse a própria Nárnia vista de cima! O mar poderia provocar uma viagem no tempo para reviver batalhas. Algo que reforça essa possibilidade é a parte em que Lúcia troca olhares com uma “pastora de peixes”. Não seria fantástico se ela olhasse para ela mesma? Veja o mundo de possibilidades que se abre!

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Mas não… CS Lewis foi preguiçoso, covarde e desleixado. Paciência… Ou eu que não fui merecedor de entender toda a densidade do trabalho.

Os últimos 2 livros acabam compensando. A Cadeira de Prata começa muito bem, explora um outro lado de Nárnia, novas opções de interpretação e reflexão muito profunda sobre o que, afinal de contas, é o Leão. Uma crônica que completa com muita honestidade as anteriores.

E, é claro, não poderia deixar de falar de “A Última Batalha”, uma das mais aclamadas partes. A crônica começa com aquela sensação de “isso vai dar M três pontinhos. Não tem como não dar M…”. E vai ficando cada vez pior. Até que na última página… bem, vocês vaõ ter que chegar até lá, porque eu não vou contar que eles encontram os malabaristas do Cirque du Soleil, montam um espetáculo e criam o número do domador de leão. Juro que não vou contar.

O mais interessante é que a maioria das obras daria um excelentes filme, tanto é que já gravaram 3.  Não sei se CS Lewis imaginava tal complemento, mas que é um belo enredo para uma película, isso não tenhamos dúvidas.

Minha avaliação é que você tem que ler esse livro. Mesmo que não goste de fantasia ou fique com um pé atrás quanto a questão da religião, ainda sim é ele é muito bem escrito, linguagem simples e com vários trechos cômicos. Diria que cumpre com excelência a sua missão aqui na Terra.

Por fim, a “capivara” da obra:

Título: As Crônicas de Nárnia – Volume Único (The complete Chronicles of Narnia)
Autor: CS Lewis (tradução: Paulo Mendes Campos e Silêda Steuernagel)
Editora: Martins Fontes
Ano: 2009
Páginas: 750
Preço: Se tiver paciência, dá para comprar por R$ 20,00.

Por Aslam!

6 pensamentos sobre “Resenha: Crônicas de Nárnia

  1. Incrivelmente os livros sao otimos. As historias por vezes poderiam ter sido muito mais desenvolvidas para ir alem decronivas/contos. Mas no final, aaish, o final me fez sentir uma tonta. So naojoguei o livro pq seria mta sacanagem…. Eu tive sorte na compra. Paguei 16a uns dois anos pela submarino.. Beeeijos

    • 16 conto? Deu sorte, realmente… O que prova que, se tiver paciência, não precisa gastar 50, 70 reais, como vi em outras livrarias..

      Eu até entendo que as histórias são pensadas para crianças, que não pode ser muito longo, etc… Mas talvez por serem muito boas, fica mesmo aquele “gosto de quero mais”…

  2. Gostei do texto Toogood !! Como faço parte do lado Tolkien da força, conheço alguns desentendimentos que aconteceu entre ele e o Lewis, e lógico que estou do lado do mestre J.R.R…E pelo que me lembro, Tolkien criticou as cronicas justamente pelo fato do livro relatar a religião muito explicitamente. Eu tenho vontade de ler as cronicas sim, mas não quero comprar…vc tem ai para me emprestar ?

  3. Pingback: Começou! Top 5 livros de 2011 « Ideia Fix

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