30 segundos para odiar

3 milhões de dólares por apenas 30 segundos. É mais ou menos isso que algumas empresas se dispõe a pagar por mostrar – no SuperBowl –  o seu mais novo produto pela eternidade de 30 segundos. Só por aí você percebe o quão importante o intervalo comercial pode ser.

Só que eu me irrito. Sim, pode parecer besta, mas eu fico irritado por alguns conceitos que os comerciais tentam implantar em nossas cabeças. E, curiosamente, nada tem a ver com o famosos conceito de status: Comprar alguma coisa que você não quer, para parecer uma pessoa que você não é, para pessoas que você não gosta, com o dinheiro que você não tem. Afinal, tem que ter um que vai te convencer a gastar uns caraminguás a mais, caso contrário, a economia não gira como deveria.

Minha bronca é, especificamente, com os comerciais de sabonete bactericida e internet banda larga.

Começemos, pois, pela banda larga. Esses comerciais passam a ideia que se você assinar o serviço, terá um canhão de velocidade para acessar o que quiser. Quem tem sabe que não é assim. Agora… o que é pior: As propagadandas passam a ideia de que o SEU FILHO vai usar a internet para adquirir conhecimentos superiores, ser o melhor aluno da escola e tirar nota 10 da professora. 

Expectativa

Isso é uma mentira deslavada, gigante e fedida. A última coisa que o jovem vai pensar quando você disser que vai assinar a banda larga é que “agora sim os meus estudos serão mais completos e dinâmicos. Puxa papai… obrigado por pensar no meu futuro e me dar recursos para que eu possa humilhar os coleguinhas com meus trabalhos brilhantes“.

Alô papai: Tem um caminhão-cegonha de coisas que seu filho vai fazer antes de estudar – preciso listar jogos, redes sociais, youtube e, claro, putaria ilimitada? Estudar é a última opção da lista, e vem depois, inclusive, do ficar no escuro, em posição fetal. Quando a água bater na bunda e seu filho tiver que fazer algum trabalho escolar, no último dia antes de entregar (porque ele VIA deixar para a última hora) ele vai copiar tudo da Wikipédia, tirar uma nota vergonhosa e fracassar no Vestibular. Essa é a verdade, papai. Nua e crua.

Realidade

Já os comerciais de sabonetes bactericidas passam a ideia que, se a mamãe carinhosa lavar as roupas/mãos do filhinho querido com o produto anunciado, vai criar uma bolha de segurança e proteção – como se fosse o próprio ventre materno – contra quase todos os germes malvados que insistem em deixar o coitadinho doente.

APAPUTAQUEOPARIU! Como assim a criança não pode botar a mão na terra, sentar no chão e ter seu organismo invadido por micróbios? Isso é o MÍNIMO que se espera de uma criança saudável! Só assim ela vai adquirir a imunidade necessária para, vejamos, encarar um metrô sem ter um pirepaque algumas horas depois.

O mundo inteiro está superpopulado de germes, bactérias e micro-organismos em geral. Tentar isolar a criança dessa realidade é adiar, de maneira extremamente perigosa, o contato que é inevitável. Pode, inclusive, criar uma paranóia traumática na criança. Se você lembrou do detetive Monk, parabéns… era essa a imagem mental que eu queria que você ficasse.

Uma criança sem imunidade é um adulto que vai faltar no serviço diversas vezes porque ficou doente. Vai perder a chance de ser promovido. Na verdade, vai perder a chance de se manter no emprego. Pois é mamãe. A sua bolha vai fazer o seu menino ser um ferrado pelo resto da vida. Eu me levanto e bato palmas para sua atitude!

Bolhas explodem. Pense nisso.

A Karin escreveu sobre ao assunto (ainda em 2009) em seu blog, o Sobre o Tudo. Ela vai mais fundo nesse desconforto (para ser mais sutil), e fala também do sabão em pó e do inseticida. Vale a leitura, não seja preguiçoso/preguiçosa.

Alguém mais lembra de outro exemplo de comercial que dá raiva pelo conceito totalmente equivocado que querem passar?

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