Diário de Bordo: Ilha Bela

“Ilha Bela. O ano inteiro”. Esse é o lema da Prefeitura da cidade, mas está mais para uma vocação. Nesse diário de bordo vou contar as minhas impressões sobre essa terra que tem história tão longa quanto a do próprio Brasil.

A primeira vista que se tem da cidade vem do outro lado do canal. Da vizinha São Sebastião não é possível definir ou mesmo mensurar o tamanho de toda aquela extensão de terra cercada de água por todos os lados. A travessia de balsa não demora mais que 15 ou 20 minutos, e muito me lembrou o metrô – um pouco mais lento, claro. A vantagem é que não tem aquela axila peluda e molhada roçando na sua cabeça.

Assim que cheguei, procurei as placas que direcionavam para o norte, até a Vila. A Vila, até onde eu pude entender, é o centro vivo da cidade, no qual as coisas acontecem (inclusive um Festival do Camarão). No caminho, percebe-se que Ilha Bela é frequentada (não apenas visitada) por gente abastada. Isso… cheio da grana. Deve ser por isso que esse meu tour tenha sido o primeiro que fiz. Esse padrão elevado é notado pelo tipo das casas e pelos pequenos brinquedos estacionados no mar: lanchas, iates, paragliders… só coisa fina freguesa…

Confesso que fiquei ligeiramente apaixonado pela Vila. A arquitetura das casas, os canhões (fora de funcionamento?) outrora usados para defender o território, a arborização, as praças, a pavimentação, os pieres… Tudo muito bem cuidado, limpo, com cores chamativas. Repito a palavra “vida”, pois foi justamente a que mais associei na oportunidade.

Vista de parte da Vila pela janela da Igreja

Como é tradicional, há a Igreja Matriz e, curiosamente, ao lado, há o antigo Fórum e Cadeião – eu acho que os presos deveriam ficar no porão, uma vez que não me parece uma boa ideia (e muito menos seguro) deixar os presos com vistas para a rua. Em frente a Igreja Nossa Senhora da Ajuda (trocentos degraus abaixo do morro do Baepi, para ser mais inexato), há um Cristo Redentor feito com cavaco de metal, parafusos, porcas… Ficou uma boniteza! Falha minha não lembrar de anotar o nome do artista responsável. Se alguém souber, avisa que eu dou o crédito.

Igreja e antigo Cadeião. Céu x Inferno?

Você, mulher, vai adorar as lojinhas desse centro. Não fiz uma exploração minuciosa, mas creio que deve ter tudo o que você gosta de comprar: roupas, sapatos, artigos de decoração e badulaques para turistas. Falado em turistas, trombei com 3 sul-africanos muito simpáticos, que estavam visitando a ilha pela primeira vez. Eu os vi almoçando num restaurante que fica praticamente em cima da água. Muito chique.

Mudando o rumo, percorri um pouco da parte sul. Bem pouco, na verdade, mas o suficiente para avistar a Ilha das Cabras. Para vocês terem uma ideia, eu achei que era uma ILHA PARTICULAR, uma vez que tem até uma garagem para barcos – na foto é visível, mas você tem que prestar atenção. Pesquisando um pouco (são Google, valei-me), li que, na verdade, trata-se de uma reserva ecológica propícia para mergulho amador e profissional. De fato, dá pra ver uma bandeirinhas típicas de mergulho em volta da orla.

Ilha das Cabras. Um “quê” de particular, mas reserva natural

Faltou, no entanto, visitar a praia mais famosa da cidade: a Praia dos Castelhanos. Ela fica do lado oposto ao qual a barca desembarca (eu sei que é balsa, mas eu tinha que fazer o trocadilho) e reúne esporte para todos os gostos: trilhas, cachoeiras, surfe, mergulho… Uma pena não ter aparecido por lá. Quem sabe numa próxima vez?

Ilha Bela é lugar para visitar por mais de um dia, principalmente se você tiver uma boa grana reservada. Mas vale a pena gastar, afinal, a Ilha é verdadeiramente Bela.

Ah sim… uma ressalva deve ser feita: o pedágio que é pago em São Sebastião para subir na balsa e atravessar o canal também inclui a volta. Entretanto, ao sair da cidade, você é “convidado” – repare as aspas –  a pagar 5 reais (ao menos para automóveis) como uma TAXA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. Hummmmm… pode até ser, mas muito pareceu um meio prático de extorquir dinheiro da turistaiada. Duvido que os carros com placa de Ilha Bela paguem a tal da taxa. Enfim… não é grande coisa, mas não é lá muito elegante.

Mapa de Ilha Bela esculpido na parede da Secretaria de Cultura: Beira o genial

Não deixe de ler:

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6 pensamentos sobre “Diário de Bordo: Ilha Bela

    • Então.. é uma plataforma que flutua. Tem motor. Não balança demais. Acho que o nome certo é balsa.

      Mas acho que pode confiar na travessia. os caras põe até carro forte lotado de grana lá. O problema é o comandante se distrair e bater no cais. Mas ainda sim é bem difícil de dar alguma caca. Acho.

      • É tudo a mesma coisa, mas chamamos de barca, lá por aquelas barranqueiras. Não existe mais a barcaça que fazia a travessia de veículos, desde que a ponte foi inaugurada, mas o transporte de passageiros (humanos a pé ou de bicicleta) ainda é feito por via marítima. O nome da empresa, desde que o serviço foi privatizado, é Barcas S/A. Dá pra sentir que, se fosse Balsas S/A, nenhum dos 50.000 (ou mais) passageiros que utilizam o serviço diariamente se sentiria seguro. kkk…

        Para terminar, parabéns por sua reportagem sobre a bela Ilha Bela!

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