O curioso caso Geisy Arruda

A nobre leitora não precisa ficar intrigada. O atento leitor, por sua vez, não precisa coça os ralos cabelos que ainda restam na altura das têmporas. E, por mais que a maioria de votos diga que sim, ainda não estou completamente maluco.  Eu vou mesmo falar sobre Geisy Arruda nesse texto.

O caso Arruda (não confundir com o político do DF) é muito mais interessante do que parece. Acho que, mais do que uma análise, vale uma reflexão.

Começamos pelo começo.

Dia 22 de outubro de 2009. Manhã. Quem era Geisy Arruda? Até aquele momento, uma estudante como tantas outras. Fazia parte da minoria (ainda somos minoria? Odeio usar esses chavões sem ter certeza) que tem acesso ao Ensino Superior. Estudava turismo. Mais uma na multidão, sem destaque, brilho ou atenção.

Dia 22 de outubro de 2009, noite. Pequenas decisões alteram definitivamente nosso futuro. Quantas roupas existem em um guarda-roupa de mulher? Quantas opções de vestuário poderiam ser utilizadas naquela noite? Muitas, sem dúvida. Entretanto, o escolhido foi o vestido rosa, curto (?). O vestido dos ovos de ouro, sem duplo sentido.

Numa história até hoje mal explicada, alguns alunos (sempre são poucos que comprometem muitos) revoltaram-se com o tamanho diminuto do vestido e promoveram uma baderna generalizada. Alguns afirmam que foi Geisy quem provocou os baderneiros… hã… sensualizando um pouco demais.

Resumindo a ladainha, a polícia foi chamada e a imprensa também. Geisy deu entrevistas, foi a programas matinais, abandonou a Universidade. Processou. Normalmente o caso acabaria aí, com os 15 minutos de fama. Contudo, algo diferente aconteceu. Dessa vez a pequena janela da oportunidade foi agarrada com força, escancarada. Geisy mergulhou no rabo do foguete. Novamente sem duplo sentido.

O parágrafo de um texto do R7 é emblemátivo: “Um ano depois, Geisy se tornou uma celebridade – estudou teatro, abriu uma grife de vestidos, escolheu um namorado no programa de Rodrigo Faro, foi convidada para estrelar videoclipes, posou nua para uma revista masculina e participou do reality show A Fazenda (Record), do qual foi a segunda eliminada“.

Atualmente Geisy Arruda tem um papel cômico (pelo menos a intenção é essa) na Escolinha do Gugu. Ganha seus cachês/salários e vai construindo sua carreira, seu patrimônio. Até fã clube tem.

Por mais estranho que possa parecer, Geisy é um exemplo para mim e para você. Podemos questionar seu talento, as reais intenções do tal do vestido, se a qualidade dos projetos dois quais ela participa é boa ou ruim. Você pode questionar se teria coragem, senso do ridículo, enfim…  vontade de encarar a mesma coisa. Justo. Justo como o vestido.

Entretanto, não dá para ignorar o que ela conseguiu. Está estabelecida numa grande rede de televisão. Tem um networking respeitável. Fez sua conta bancária crescer. Viveu em 2 anos o que muitos não conseguem em 30. Se o momento é de exaltar os empreendedores, aqueles que transformam o nada em alguma coisa, há de se entender o caso Geisy como uma história de sucesso. De alguém que tinha um problema nas mãos, mas viu uma oportunidade.

E tudo por causa de um vestido.

Um vestido.

Um pensamento sobre “O curioso caso Geisy Arruda

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