Um campeonato para o Magrão

Faleceu na madrugada de domingo um dos principais jogadores que o futebol brasileiro já conheceu: Sócrates foi um dos gênios que jamais serão igualados, por sua classe dentro de campo e sua consciência fora dele. Viveu uma vida de excessos que resultou em uma morte precoce. Sua participação no reestabelecimento da democracia no país é um fato mais do que notável. Foi a ponte entre futebol e política, num,a época de medo e incertezas.

No mesmo dia, o campeonato brasileiro teve sua última rodada. Coincidentemente, este foi o campeonato mais democrático dos últimos tempos. Virtuais rebaixados ganhando de postulantes ao título, clássicos decidindo vida ou morte, rivais se ajudando, ainda que sem querer.

Vamos, pois, a uma análise rápida dos principais personagens:

Corinthians: Campeão com méritos. Na montanha russa que todos passam, teve a competência de estar em boa fase no começo e no final. Vitórias cruciais contra Ceará, Atlético Mineiro e Figueirense nas últimas rodadas deixaram o time em situação mais do que confortável. Precisa limpar o elenco de algumas tranqueiras (e eu incluo o Adriano), se quiser coisas maiores ano que vem. Quem diria, depois da eliminação para o Tolima, hein?

Vasco: Um time para dar orgulho. Não se deixou amolecer com o título da Copa do Brasil e fez de um elenco mediano no nome, grande em campo. Podia dar todas as desculpas do mundo para não lutar, mas foi até o fim, cabeça a cabeça. Agora precisa contratar um centro-avante de ofício, pelo menos. Quem diria, depois de um Campeonato Carioca trágico e de um AVC num clássico, hein?

Fluminense: Um terceiro colocado de respeito. Recuperou Fred e arrancou lindamente no segundo turno. A chegada de Abel Braga parecia que seria uma aposta fracassada, mas com paciência “Ableão” arrumou o time. Uma caipisaquê de brinde, chefia! Libertadores a vista!

Flamengo: O pojetu do pofexô navegou em águas turbulentas o ano inteiro. Não adiantou nada ganhar o Cariocão invicto. Na hora do vamos ver, o time deu uma leve tremida, ficando jogos demais sem ganhar. Todo o investimento em Ronaldo Gaúcho, Thiago Neves, Felipe e cia resultou numa vaguinha para a Libertadores.  Pelo investimento feito, foi o mínimo.

Internacional: Tem boas peças no elenco e, ao que tudo indica, vai dar liga no ano que vem. Acho que não fez uma temporada brilhante e ficou abaixo do esperado, provavelemte porque faltou alguma coisa

Os rebaixados:

Atlético Paranaense: Nem Paulo Baier salvou dessa vez. Um time limitado e sem opções dá nisso aí. Curitiba perde um representante que não raramente flertava com a série B. O namoro virou casamento.

Ceará – Uma lástima a queda do Vozão. Mas futebol é isso. Apesar de eliminar o invicto Flamengo na Copa do Brasil, não teve competência para manter um bom futebol. E olha que ano passado chegou a ser líder do campeonato…

America-MG: Um arrancada final fantástica. O Coelho acordou meio tarde na competição e na base do desespero arrancou pontos dos postulantes ao título. Quem diria que a lenda viva Fábio Júnior ainda daria um certo trabalho para as defesas adversárias, hein?

Avaí – A única grade glória foi arrancar na força a vaga na Libertadores do maior rival. Esperar o que de um time que tomou 75 gols e terminou o campeonato com -30 de saldo?

Menções honrosas (ou nem tanto):

Figueirense: Bateu na trave. Tinha tudo para chegar na Libertadores, mas a pressão foi forte demais. Convenhamos que a tabela também não foi lá muito favorável, com jogos difíceis contra times brigando por coisas importantes. Jorginho está de parabéns. Que se mantenha a base, mas creio que um desmanche vem aí.

Atlético-MG e Cruzeiro – Que horror de temporada. Não se salva absolutamente nada nessa dupla mineira. O Cruzeiro entrou em parafuso quando foi desclassificado na Libertadores. O Galo foi medíocre o ano todo e na hora de empurrar a cabeça do rival para a cova, perdeu de SEIS (!). Um ano pra lamentar.

Braço erguido e punho fechado. Uma imagem de arrepiar

PS: Eu ainda gosto mais do esquema mata-mata, apesar de entender e concordar que pontos corridos é o melhor método para o Campeonato Brasileiro. Eu só não admito que expliquem essa questão com o argumento de “puxa, olha a emoção que esse campeonato teve“. Sim. ESSE campeonato. Ano que vem alguém dispara e sagra-se campeão com 10 rodadas de antecedência e aí eu quero ver o argumento.

Ainda bem que a Copa do Brasil será reformulada, ficando bem mais divertida de acompanhar.

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