O filme do Liquidificador que fala. É isso mesmo!

Quando se fala em cinema nacional, é inevitável não lembrar de Tropa de Elite, Central do Brasil e Cidade dos Homens. São películas (linda expressão) com sucesso de público, crítica ou mesmo os dois. Fazem parte de uma fase relativamente recente, na qual os cineastas ganharam credibilidade – os filmes deixam de ser samba do crioulo doido, sem pé nem cabeça, para ter começo, meio fim… um roteiro confiável, resumindo.

Entretanto, ainda se pratica o cinema moleque, de ginga, com ziriguidum e sem compromisso. E é sobre isso que eu quero contar. Tal qual o Lobo Zagalo, fui surpreendido novamente.

Reflexões de um Liquidificador. Esse é o nome do longa metragem dirigido por André Klotzel. O título foi suficiente para me fazer parar de zapear e prestar atenção ao que estava sendo dito. Foi quando eu comecei a tuitar desesperadamente. A história me fisgou de uma tal forma que foi impossível parar.

Desista. Você só vai entender a imagem quando assistir o filme.

Começa que o Liquidificador pensa. Na voz de Selton Melo (quem mais poderia ser?), ele declara que nunca foi tão feliz quanto naqueles meses em que fazia vitaminas no bar da Dona Elvira (a excelente Ana Lucia Torres). Mas o bar fecha, sabe como são os empreendedores: as vezes não dá certo mesmo. O Liquidificador vai pra casa. Fica um tanto quanto temperamental e funciona quando quer. Lembre-se: estamos falando de um eletrodoméstico.

Nesse ponto eu já estava pirando. Mas ia piorar. Muito. Dona Elvira quebra a perna. Para se distrair, ela retoma uma antiga atividade, dos tempos de menina: taxidermia. Se você não ligou o nome a pessoa, ou melhor, ao animal, taxidermia é a arte (?) de empalhar cadáveres de seres vivos. Ou que eram vivos, né?

Imagine que sua mãe tenha um gato de estimação. O gato sobe no telhado vem a óbito. O que você, como bem filho, faz? Compra outro? Adota? Nada disso. Empalha o bichano e dá de presente àquela que te pariu. Presentão, hein? Não? Pois o carteiro do filme fez.

Taxidermia em filme nacional. Brilhante! Mas continua… continua…

O Liquidificador começa a falar. E Dona Elvira começa a responder. Sim… há um diálogo coerente entre a dona de casa e o eletrodoméstico. Divaga-se sobre o beleléu e a caduquice. É muito talento!

O enredo direciona-se para uma história policial. E daquelas de deixar Edgar Allan Poe, Ellery Queen e até o Archie orgulhosos. Se bem que a Agatha Christie acharia normalzinho… Bom, não vou contar mais para não estragar a surpresa. O que posso dizer é que, quando os créditos finais subiram, eu levantei do sofá e aplaudi. Obra de arte!

Eu preciso ver mais filmes desse tipo, conceituais. É excelente para abrir a cabeça e arejar as idéias. Essa padronização coxinha de Hollywood vai acabar com a 7ª arte… Quem sabe eu não escrevo aqui sobre um filme coreano, hein?

No Adoro Cinema tem a ficha técnica mais detalhada e alguns comentários sobre o filme. Tem fotos também, se você quiser julgar o livro pela capa.

Veja o trailer:

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