O Voto em Foco 2012

Depois de dois longos anos, que passaram muito rápido, desembarcamos em 2012, ano eleitoral. Dessa vez a coisa é intimista: as eleições municipais colocam eleitor e candidato cara a cara, deixando a questão muito mais pessoal. Principalmente em cidades pequenas, a probabilidade de conhecer o postulante ou mesmo ser parente dele é alta. Exatamente como em Itatiba.

O cenário:

O cenário era dos mais interessantes: João Fattori (PSDB) concorria a reeleição, tendo como adversários o ex-prefeito José Roberto Fumach (PSB) e o ex-presidente da Câmara e vereador David Bueno (PMDB).

Na campanha, o marketing foi o principal assunto: além dos tradicionais jingles e “santinhos”, os candidatos tiveram que ser criativos para colocar na televisão local, com absoluto ineditismo, programas partidários. Também chamou a atenção iniciativas diferentes como DVDs e caixinhas (simulando a de remédios) nas quais o panfleto simulava a bula.

A manhã do dia 7 de outubro amanheceu quente e ensolarada. Fui votar na Universidade São Francisco e no caminho para lá não havia um trecho que não estivesse emporcalhado. Grande parte disso se deveu as DUAS carreatas que passaram próximas ao meu bairro, quase ao mesmo tempo. O guarda de transito foi obrigado, inclusive, a impedir temporariamente a passagem de uma. Coisas de Itatiba.

Próximo a USF o lixo foi se acumulado. É inadmissível que eu pleno século XXI os candidatos ainda acreditem que isso resolve alguma coisa. É melhor jogar na rua do que entregar para reciclagem? E a vergonha não se limitou a esse local. Passei por pelo menos mais duas escolas e a situação era a mesma. Há relatos de pessoas que escorregaram no papel. Se chovesse, aquilo viraria uma cola sem esperanças de limpeza…

Dentro da Universidade, tranqüilidade total. Perto das 14 horas o fluxo de pessoas era grande, mas não notei uma só fila. No máximo 2 gatos pingados esperando na porta da seção. Altamente positivo.

A apuração:

Com 100% das urnas apuradas, foi reeleito o atual Prefeito João Gualberto Fattori (PSDB) com 59,30% dos votos válidos. Votação expressiva que, inclusive, superou aquilo que se esperava pelas pesquisas oficiais do IBOPE. Os indecisos deve ter migrado para o tucano.

O ex-prefeito José Roberto Fumach (PSB) mostrou que ainda tem força, embora tenha ficado com 23,61% dos votos. Mesmo em uma legenda fraca na cidade (comandada pelo sindicalista Chinelo, que não deu as caras na propaganda), provou que tem eleitores fiéis. Quem decepcionou foi Davi Bueno, que, apesar do partido forte, o PMDB, ficou com apenas 17,09% dos votos.

Chamou atenção, também, o numero de ausentes. Quase 17% dos eleitores não apareceram nas urnas e, veja só, quase superou a votação do Davi Bueno.

Brancos e nulos somaram 5,86%.

Vereadores:

A nova Câmara de Vereadores, agora com 17 representantes, ficou assim:

Dr. Thomaz (1.903 votos), Vitório Bando (1.718 votos), Flávio Monte (1.479 votos), Ronaldo (1.322 votos), Douglas Augusto (1.227 votos), Dr. Parisotto (1.104 votos), Ailton Fumachi (1.086), Washington Bortolosssi (1.084 votos), Roberto Penteado (994 votos), Cornélio da Farmácia (983 votos), Rui Fattori (971), Décio da Farmácia (810 votos), Edvaldo Hungaro (800 votos), Dr. Marco Camargo (776 votos), Sidney Ferreira (746 votos), Ademir Ricardo (686 votos), Celso Padeiro (495 votos).

Vê-se alguns novos nomes, em especial Dr. Thomaz – o mais votado – e Douglas Augusto – entre os vereadores que serão oposição, o mais votado. Os dois participam pela primeira vez de eleições municipais como candidatos. Fato altamente positivo. Os dois são bem jovens e representam a tão falada renovação na politica. Há, também, conhecidos figurões que tiveram votação abaixo do esperado. Por muito pouco não ficaram de fora.

Alguns números: 7 vereadores foram reeleitos. 2 vereadores voltaram para a Casa. 8 vereadores nunca haviam tido mandato. No placar Situação x Oposição, deu Situação: 11 a 6. Chama atenção, por fim, que nenhuma vereadora do sexo feminino foi eleita dessa vez. Lamentável.

Conclusão:

O atual Prefeito João Fattori teve, nas urnas, a real aprovação de seu governo. 6 em cada 10 eleitores confirmando que desejam mais quatro anos é, sim, um resultado expressivo. Espera-se, claro, que seu programa de governo, fartamente distribuído na cidade, seja cumprido. E que seja cobrado proporcionalmente.

Para isso, ele terá, na Câmara, boa maioria. 3 vereadores terão que pular a cerca para que essa vantagem seja revertida  o que, convenhamos, é bastante coisa, pelo menos para os primeiros anos.

O número de abstenções surpreendeu. A rádio local não conseguiu definir ou chegar num acordo da causa dessas abstenções (que normalmente é a chuva). Não creio que tenha sido a falta de documento com foto. Tenho para mim que está dividido entre a pura e legítima preguiça com a descrença nos candidatos locais.

Itatiba votou. Nosso trabalho, como cidadão, não termina aqui. Na verdade, está só começando. Independente se o seu candidato venceu ou perdeu, fiscalize aqueles que estão no poder. Cobre as propostas. É assim que se faz uma cidade melhor, um país melhor.

Recado do Carlão: Vamos cobrar quando for justo e necessário, mas também, vamos reconhecer os méritos, quando houver.

2 pensamentos sobre “O Voto em Foco 2012

  1. Mais um excelente texto, Frank. Fiquei bem contente com o resultado das eleições, acho que o Fattori ficando significa a continuidade dos trabalhos que foram iniciados. As únicas coisas que me deixaram irritados foram os santinhos nas ruas – alguns em papel cartão e até plastificados – e as abstenções (que, na minha opinião, foi um mix de pessoas que esqueceram o documento com foto e não quiseram voltar para votar, a descrença nos candidatos e a falta de civismo em exercer seu papel nas urnas).
    Vamos torcer para que os eleitos façam seus papéis em suas funções e que Itatiba seja cada vez melhor.

    • Os “santinhos” de fato, foram coisa do capeta. Além de bem impressos (a qualidade do papel impressiona mesmo), estavam em quantidade absurda. Eu me pergunto COMO é que eles vão parar lá, daquele jeito. Do que adianta tacar na rua, assim, sem criterio?

      Quanto as abstenções, eu não me convenço muito com o argumento da falta de documento com foto. Assim, um ou outro até pode ser, mas eu não creio que aquele monte de gente que não foi votar saia de casa normalmente sem documento com foto. Nem um RG, nada? Se acontece um acidente *bate na madeira* vai tomo mundo pra vala, como indigente?

      E mais do que totcer, vamos cobrar! E como disse o Carlos, no texto, elogiar as atitudes quando assim forem reconhecidas…

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