A devassa do Furacão Sandy

A palavra tragédia já nos traz um sentimento de que algo deu muito errado. Quando esta tragédia é causada pela natureza, a sensação de que somos suscetíveis a mecanismos tão bestas como o vento ou a água aumenta muito.

O furacão Sandy assustou pelo tamanho e pela direção. Grande e lento (o que causaria mais tempo de destruição) dirigia-se para a costa leste dos EUA, bem na rota de New Jersey e New York. O impacto aconteceria na noite dessa segunda feira.

E aconteceu. Até o momento que escrevo, 40 pessoas morreram, mais de 2,2 milhões ficaram sem luz e sabe-se lá quantas ficaram ilhadas na proteção de seus lares.

Assisti o passo a passo do Sandy através da CNN. E muita coisa me impressionou.

A repórter Erin Burnett (bela repórter, se me permitem elogiar) começou sua cobertura ancorando seu programa ao lado de um píer famoso, no NY Harbor e Long Island Sound. O boné ameaçava fugir da cabeça, mas ainda sim ela se mantinha firme e forte, entrevistando e perguntando detalhes ao almofadinhas sequinhos dos estúdios. Foi “empurrada” pra cima do policial, mas não se abateu. A medida que o tempo foi passando, o boné foi pras cucuias e o espaço entre a beirada do píer e a repórter aumentou consideravelmente, assim como o volume de água nas canelas. Em determinado momento, temeu-se que ficariam presos ali.

Enquanto isso, Ali Velshi foi colocado no meio de um mar urbano, em Atlantic City. Eu não tenho ideia de como aquele cidadão conseguiu se manter ali. O vento fortíssimo o fazia cambalear. O spray de água tapava a visão e as ondas de água gelada não deviam deixá-lo confortável. Situação de merlin. Eu estava vendo bater um sudoeste no repórter careca e nunca mais acharem o casaco vermelho que ele vestia naquela correnteza impressionante. Muita gente, inclusive, questiona se era realmente necessário expor o repórter daquela forma. Aqui você pode ler algumas reações sobre o caso. A sequencia de imagens acaba mostrando, também, como a água subiu.

O cidadão é âncora de economia e negócios. O que diabos ele estava fazendo lá? Fora o pequeno detalhe: Segundo a Wikipédia, dia 29 de outubro, foi ANIVERSARIO DELE. Só pode ser sacanagem ou de quem editou a Wikipédia ou da CNN. Passa o furacão (ou a super tempestade, como acabaram por chamá-la mais tarde) e o presente que dão é uma cobertura que podia acabar com a vida do cara. Muito sensíveis…

Como se não bastasse o vento, a água, a falta de energia, as arvores caídas e tubarões, ainda havia o… OPA, espera aí! TUBARÕES?

Como eu dizia, ainda tinha o problema do guindastes que podia cair a qualquer momento. E podia cair no prédio, o que causaria muito mais dano.

Anderson Cooper foi outro a ser mandado para o campo de batalha. Eu vi o link externo no qual ele estava escorado por uma van, talvez para quebrar um pouco o vento e a chuva, mas isso não significa que o topete, que faria o ex-presidente Itamar Franco dar seu carimbo de aprovação, ficou inteiro. Justiça seja feita, eu um rápido trecho no qual ele ia mostrar como a água estava agitada e bem… tomou um banho de água fria. Literalmente.

O prefeito de NY foi à televisão implorar – e não é força de expressão – que as pessoas parassem de ligar para o 911. Que só ligassem os que realmente estavam com risco de vida.  O pedido foi motivado pelas 10.000 ligações que a polícia recebeu. POR HORA. Você não leu errado. 10 mil ligações por hora.

O caos causado pela natureza ainda terá desdobramentos. A super tempestade pode ter passado, mas os estragos vão ficar por um tempo. Inclusive terão ecos na eleição americana marcada para daqui alguns dias, apesar da negativa dos dois candidatos. Como lá o voto não é obrigatório, o fato de ter sua cidade embaixo da água pode ser um argumento razoável para não querer sair de casa.

Até porque algumas das vítimas acabaram morrendo justamente porque deram o azar (e é azar mesmo ou destino? Vocês decidem) de botar os pés pra fora da residência bem quando a árvore do quintal tombaria.

As fotos da destruição, bem como os vídeos ficaram para a posteridade. Neve, fogo, escombros, postes, árvores… gente precisando de ajuda. Mas, mesmo vendo a muitos e muitos quilômetros de distância, foi assustador.

2 pensamentos sobre “A devassa do Furacão Sandy

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