Forward Obama, Forward

Eu vou, eu vou, pra casa (Branca) agora eu vou…

A caixinha de correio da Casa Branca vai continuar estampando o nome dos Obama pelos próximos 4 anos. O democrata foi reeleito com 303 delegados no colégio eleitoral, enquanto seu adversário, o republicano Mitt Romney, conquistou modestos 206.

A campanha foi bastante acirrada. A grave crise econômica e sua retomada foram argumentos tanto de um lado quanto de outro. As projeções durante os meses de debates e comícios não arriscavam um vencedor. A igualdade manteve-se nos três debates realizados. Terminaram com o placar de 1 x 1 x 1. Romney venceu esmagadoramente o primeiro. Obama retomou com classe e venceu o segundo. No terceiro, claro empate.

Romney foi um adversário competente, tanto por ele mesmo quanto pelas circunstâncias. Partiu para o ataque com sede ao pote. Cometeu algumas gafes, é verdade: apontou a Rússia (?) como grande adversária e não deu lá muita importância para fontes alternativas de energia, prometendo, inclusive, investir nos combustíveis fósseis, na contra-mão do resto do mundo. Entretanto, obteve um desempenho nas urnas melhor do que John McCain, em 2008.

Obama, por outro lado, continuou abusando da oratória mais do que conhecida e reverenciada, entretanto, contou com um aliado importantíssimo: Bill Clinton encantou as plateias com ataques ácidos às propostas e ao candidato republicano e, muitas vezes foi considerado a estrela da noite. O senso de humor do ex-presidente continua intacto.

Pesquisas realizadas ao redor do mundo eram claramente favoráveis a Barack Obama. Todo mundo gosta dele. Todavia, aonde mais interessa, ou seja, dentro dos EUA, a coisa foi é bem dividida. No voto popular, foi 50% x 48%, pouco menos de 3 milhões de votos de diferença. O novo-velho presidente vai ter que unir o país e continuar a retomada de sua economia, o estímulo a criação de postos de trabalho e olhar com mais carinho para saúde (lembre-se que lá não tem SUS. E sim, isso é um problema, por mais incrível que pareça).

Esse último ponto, aliás, ficou bem claro durante a campanha. Enquanto Obama pregava a manutenção do Medicare (um plano de saúde para idosos, por assim dizer) e um Medicaid (o mesmo, mas para famílias de baixa renda), Romney apontava que o jocoso “ObamaCare” causaria um rombo financeiro, o que de fato tem preocupado especialistas financeiros. Do UOL: “Segundo Don Berwick, ex-administrador dos centros de serviços do programa, o desafio pela frente é muito mais complicado do que simplesmente mudar a estrutura de financiamento do Medicare. Segundo ele, o sistema de saúde inteiro precisa de mudanças”.

Para cumprir o que o próprio slogan da campanha reafirmava – Forward – o tio Barack vai ter que lidar com a maioria Republicana na Câmara dos Deputados contra uma maioria apertada de Democratas no Senado (fora os 30 governadores Republicanos x 17 Democratas).

A dobradinha Obama-Biden tem mais quatro anos. Com o mundo inteiro de olho e a vigilância em casa bastante pesada, não serão dias tranquilos. Principalmente porque agora não será possível gastar a carta na manga que foi a captura de Osama bin Laden. Vão ter que achar outro trunfo.

Não há nada melhor do que terminar com as palavras do próprio reeleito, em mensagem aos apoiadores antes do discurso em Chicago. Tradução minha, portanto, peço desculpas adiantadas:

“(…) Eu quero que vocês saibam que este não era o destino, e não foi um acidente. Vocês fizeram isso acontecer. (…) Hoje é a mais clara prova, que contra todas as probabilidades, os americanos comuns podem superar os interesses dos poderosos. Há muito mais trabalho a fazer, mas, por hora, obrigado”.

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