É sexta, cruz credo, 3 vezes!

espelho

Caramba! Eu não consigo acreditar! Escute só como foi meu dia hoje:

Primeiro eu acordei atrasado, já que o despertador não cumpriu com a sua função básica, que era me acordar. Aí, me arrumei correndo, tomei café correndo e derrubei um pouco de leite na blusa. Eu estava atrasado, então nem me dei ao trabalho de trocar. Limparia no banheiro do escritório…

Chegando na marginal, um trânsito enorme. Vários caminhões (quebrados) e umas obras que nunca terminam. E os semáforos “Cascão”? Esses tem medo até de garoa. Nem preciso dizer que cheguei na empresa muito, mas muito depois do que eu deveria ter chegado, né?

Minha onda de azar não havia terminado. Meu chefe estava na minha sala e, em vez de me falar “bom dia” ele me disse: “Por que você chegou atrasado? Você entregou o relatório que eu te pedi pra fazer até as 9 horas? E, principalmente, porque você ainda está com calça do seu pijama?

Surpreso com a informação, eu tentei argumentar que era a nova moda entre os executivos de Boston, mas ele não acreditou. Por que será? Soou tão natural que eu quase acreditei em mim mesmo. Fui despedido sem chance de defesa. Acho que menos pelo relatório que eu deveria entregar e mais pelo pijama listrado. Estava feio mesmo. Mencionei que estava furado na virilha esquerda? Então… muito glamour.

Voltando para casa, o pneu furou em algum desses malditos buracos na rua. Descobri que estava sem estepe e sem crédito no celular (porque essas coisas nunca acontecem uma de cada vez e sim, eu ainda tenho pré-pago, qual o problema?), então resolvi deixar minha caranga velha de guerra estacionada no Mercadão, perto de outro calhambeque velho. Peguei um ônibus, lotado (e de pijama) e voltei pra casa.

Meu filho já estava de volta da escola. Disse que tinha faltado um professor, a terceira vez só naquela semana, e que por isso ele tinha saído mais cedo. Me perguntou se não era a melhor hora para irmos ao parque jogar bola, coisa que eu venho prometendo a ele desde o começo do ano.

Expliquei a história do pneu. Ele parou, olhou pra mim, e naquela voz e inocência de criança me perguntou: “Mas papai…. Não é lá no Mercadão que está tendo aquele negócio que os carros velhos são destruídos por uma máquina enorme?”.

Respirei fundo, percebendo que havia acabado de perder a Ofélia, meu carrinho amado. Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa minimamente simpática, meu filho completou: “não faz mal… a gente pode ir naquele carro conversível do amigo da mamãe

Que amigo da mamãe?” – retruquei curioso.

Aquele que sempre vem aqui quando você não está”. Respondeu e virou as costas, se concentrando em qualquer besteira no tablet.

Vamos fazer a contagem? Perdi meu carro, meu emprego, minha dignidade e, agora, pelo visto, a minha esposa também. O que mais falta acontecer?

*Toc toc*. Sim.. é uma onomatopeia para batida na porta. Ele pode ter tocado a campainha, mas a minha memória jura que foi uma batida na porta. Duas para ser mais exato.

As batidas na porta denunciavam uma visita e eu nem tinha tirado a calça pijama ainda. Perguntei quem era. Era o entregador de jornal. Cidadão estava atrasado, hein? Mais atrasado que eu. Mas usava uniforme, o que, bem…. deve contar alguns pontos a favor dele. E sim, eu ainda assino jornal. Mas que implicância comigo hoje, hein?

A manchete da primeira dobra? “Político corrupto e incompetente vai para cadeia”.

Cocei a cabeça. Poxa… era meu dia de sorte.

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