Diário de Bordo: Cachoeira dos Preto, Joanópolis

O Brasil é recheado de lugares bonitos. A grande parte deles você nunca vai conhecer. Esse pobre escriba, sem dinheiro no bolso ou na conta bancária muito menos. E é por isso que dá um orgulho danado quando descobrimos pontos turísticos que te fazem querer voltar. Logo.

Visitei o Parque Ecológico em Joanópolis. Essa cidade, no interior de São Paulo, é conhecida pelas lendas com Lobisomem – praticam o chamado turismo folclórico. Apesar disso é bastante aconchegante, bem típica do interior paulista (principalmente se você não se importar em ser comido pelo humano na pele de lobo). Interessante é que as ruas do centro ainda são de paralelepípedo. Tem Prefeito que ia ficar maluco querendo asfaltar tudo…

O lobisomem é o da esquerda, ok? A sua esquerda!

Pra chegar no Parque há uma estrada bastante sinuosa, com buracos estrategicamente posicionados. Todo cuidado é pouco. Mas a paisagem compensa. É interessante ter a impressão de estar atravessando a floresta e, logo depois, vastos pastos com vaquinhas mimosas colocando a cabeça para fora da cerca. Contrastes.

Prestatenção que a entrada para o Parque é meio abrupta e sem muito aviso. Uma vez lá, o visitante conta um bom estacionamento, suficiente para bastante gente. Carros com placa de fora da cidade  – leia-se TURISTAS FAROFEIROS – pagam 5 dinheiros. Pelo menos até a data desse post.

Aí amigo, quando você desce do carro, instantaneamente compreende porque não dá para tomar banho na cachoeira propriamente dita. A força da queda deve ser suficiente pra fazer até lobisomem virar patê.

A pracinha de convivência estava bem movimentada. Talvez porque fui uma semana antes do Natal, mas é um mero palpite. Achei que encontraria apenas um restaurante, mas me enganei: lá tem doceiras, artesanato, bares e, claro, o rango mineiro. E que comida, diga-se de passagem.

Pausa para um parágrafo importante: Perto do restaurante tem uma espécie de gruta chamada TCHIBUM. Estranhei, porque vi apenas um filete de água escorrendo de uma parede de pedra com uma tiazona embaixo. Catso, como assim… TCHIBUM?, pensei cá com meus botões. Eis que de repente, não mais que de repente, uma caixa dágua tomba lá de cima, e a água em abundância faz a blusa da tiazona escorrer igual manteiga na frigideira. Quase cuspi o chá gelado que estava engolindo naquele exato momento. Uma bela reprodução desse meme.

O dono do restaurante é um gênio. A parte debaixo tem mesas que seguem o curso do rio, logo, você almoça com aquele barulhinho gostoso de água corrente. Mas não é o suficiente. O cidadão construiu um mezanino e quem tem a sorte de almoçar naquele lugar tem SÓ essa vista:

Isso é que eu chamo de decoração natural…

Após entupir a pança com feijão tropeiro, polenta, frango e costela, uma caminhadinha ajuda na disgestão. Uma pequena ponte  – bem comum no caminho – é a entrada para as trilhas. Importante: é proibido levar churrasqueiras. Tá avisado.

Não consegui contar, tal era a quantidade de pequenos lagos e quedas d’água. Tem para todos os gostos: com pedras, sem pedras, redondos, retangulares, inclinados, planos…. Impressionou a quantidade de pessoas nadando, se refrescando e aproveitando todas as possibilidades do relevo.

Isso acontece porque o rio principal se divide em 3 ou 4 outros rios menores, cada um com cursos e obstáculos próprios. As pontes que mencionei mais acima são extremamente providenciais, mas se você for mais aventureiro pode passar por dentro da água fresca mesmo.

Outro parágrafo importante: se você for entrar na água, tenha em mente que ela estará gelada. Esse aviso serve para você não ficar gritando desesperado como fez um simpático senhor. E eu diria que ele deu uma bela desmunhecada ali…

A trilha não é longa, então vale a pena chegar até o final. E o final é apoteótico. Um conjunto de pedras que te exigem um nível considerável de equilíbrio fazem o cerco até o ponto mais próximo que você vai chegar da Cachoeira dos Preto – exatamente do jeito que escrevi – sem precisar encarar a montanha. Atrás de mim tinha muito mais gente que escolheu aquele canto para montar acampamento:

Repare: aquele ponto vermelho, na direita, é uma pessoa!

Não fui, mas fiquei sabendo que dá pra chegar ao topo da cachoeira num passeio de Jipe ou caminhando mesmo. Deve ser um passeio deveras interessante e a vista nem se fala.

Eu sou suspeito para falar de um lugar com trilha e cachoeira, entretanto, a visita está mais do que recomendada. Visite Joanópolis. Visite a Cachoeira dos Preto e passe uma tarde aproveitando o que a Mãe Natureza tem de melhor.

PS: A origem do nome da cachoeira é meio controversa. Li em algum site por aí que aquele era o ponto que os negros optavam por não mais ser escravizados. É… pulavam mesmo. Uma pessoa que vive lá, no entanto, me falou que os donos originais do local eram a Família Preto, no sigular mesmo. As adaptações linguisticas do tempo, no entanto, adicionaram o “S”. Eu preferi utilizar a forma tradicional. Fica o registro.

História sem palavras

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Uma imagem vale mais que mil palavras”. A velha e surrada frase é a que melhor descreve as pinturas de Norman Rockwell. A G.I.F.A. rende-se à genialidade desse artista americano que conseguiu transformar pinturas em verdadeiras histórias de vida. A de acima é só um exemplo do poder de fogo de Rockwell.

A princípio a imagem não chama muito a atenção. Contudo, vamos analisar passo-a-passo toda a história que envolve o quadro:

1. O próprio nome começa a elucidar alguns atos: Homecoming Soldier. Sim… trata-se de um jovem soldado que acaba de retornar da guerra para o lar e encontra a família. Isso pode ser provado por aquela bandeira quadrada com uma estrela azul colocada acima da cabeça da senhora feliz. Ter uma dessas significava que pelo menos um membro da família estava serviço da pátria, em combate 

2. Repare na felicidade da mãe. Não dá a impressão que ela derramava algumas lágrimas de saudade enquanto lavava roupa? Ao perceber a chegada do filho, ela enxugou as mãos no avental e, literalmente, correu pro abraço.

3. O pai desconfiou que o filho tivesse voltado e apareceu por último, lá na porta. Sua cara é um misto de surpresa, alegria e orgulho. Sem largar o cachimbinho, claro.
É impressão minha ou ele estava lendo o jornal sentado na “poltrona do papai”?

4. Veja que beleza o cachorro, o irmão mais novo e a irmã mais nova correndo ao encontro do jovem. O irmão do meio (ou mais velho?), apesar de feliz, não larga os afazeres que, no caso, é consertar o telhado.

5. Não é só a família que está feliz. Os vizinhos ouvem a gritaria – provavelmente da matriarca – e saem às janelas para ver o que está acontecendo. Até o vizinho da direita – que também tem um parente na guerra (veja a bandeira) – aparece curioso.

6. O toque refinado do quadro vem agora. Repare, bem ali na esquerda, uma garota (bem bonitinha, por sinal) encostada no muro. Tudo leva a crer que ela é a namorada do rapaz. Também é possível perceber que a família não sabe do romance, do contrário, ela já teria abraçado e beijado o ruivinho. Sabe-se lá o que vai rolar depois que o jovem matar a saudades da família… 

Confesso que foi muito difícil escolher uma imagem para apresentar esse pintor a vocês. Norman Rockwell tem diversos quadros tão bons quanto esse, cada um com uma história mais impressionante que a outra. 
Em geral, Rockwell – que nasceu em New York no dia 3 de fevereiro de 1894 – retratava o cotidiano de famílias norte americanas. Tinha especial admiração pelas crianças, figuras frequentes nos quadros. Também não perdia a oportunidade de colocar o patriotismo em cena. Retratou também a Primeira e da Segunda Guerra Mundial. Em função disso foi o responsável por 321 capas da revista “The Saturday Evening Post“, durante mais de 40 anos.

Posso destacar alguns quadros, entre eles Gossip, Happy Birthday Miss Jones, The Roadblock, Soda Jerk, Knuckles Down (um dos meus preferidos), Freedom of Speech, No Swimming (atenção especial na cara do gordinho!), Missing Tooth, The Rookie

No começo do blog eu já tinha feito uma série – A Série Rockwell – mostrando o artista e seus quadros. Clique para ver a primeira parte, a segunda, a terceira, a quarta e a quinta.

Se você quiser ver mais quadros, acesse a Rockwell Galery Collection, vá até Collectibles e divirta-se.
Para saber sobre a vida do ilustrador, não deixe de ler o artigo na Wikipédia. E chega de links por hoje.

Como não podia deixar de ser, aqui vai uma galeria com mais quadros:

Agora é sua vez! Tente descobrir a história de cada gravura. Tenho absoluta certeza que você se surpreenderá com a quantidade de detalhes que podem aparecer numa rápida reflexão sobre o quadro.

Vitrolix: Touradas em Madri

Quando eu disse que essa série Vitrolix priorizaria músicas não tão atuais, eu não estava brincando… Dessa vez vou ressuscitar uma das maiores cantoras que esse país já viu. Maiores no sentido figurado, já que a “Pequena Notável” media apenas 1,53m. Isso mesmo… falo da pizza meia portuguesa, meia brasileira Carmem Miranda.
Nascida em 9 de fevereiro de 1909 em Beira Mar, Portugal, perdeu seu primeiro emprego como vendedora de gravatas porque os colegas paravam de trabalhar para ouvi-la cantar. O sucesso era questão de tempo.

“Tenho pena dos gagos, mas não resisto: morro de rir quando ouço algum! E também não tenho saco para levar um papo muito longo com eles” – Carmem Miranda

Carmem Miranda gravou músicas dos mais célebres compositores desse país. Assis Valente, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Braguinha… Os shows estavam sempre lotados e, numa dessas apresentações, Lee Schubert levou-a para a Brodway. Não tardou para que estrelasse em Hollywoody – foram 20 filmes na carreira – e deixase suas marcas na “calçada da fama”. Sucesso meteórico e eterno.

Todo mundo me pergunta como venci na minha carreira. Acho que foi pura sorte adotar um estilo diferente de sambista e depois Hollywoody. Meu Deus… que loucura pensar estar no plano de estrelismo de Betty Grable, Alice Faye e todas essas estrelas que eu admirava na tela!

Ganhou o mundo com a imagem da brasileira que equilibrava frutas na cabeça e dançava de um jeito que yakee nenhum estava acostumado. A vida frenética, regada a remédios estimulantes, levou-a a um enfarto fulminante, na madrugada de 5 de agosto de 1955, com somente 46 anos.

O legado da cantora é um dos mais conhecidos desse país. Seu nome está intimamente ligado à músicas como “O que é que a baiana tem?“, “…E o mundo não se acabou“, “Alô… alô” e o foco do texto hoje: Touradas em Madri. Veja a letra:

Eu fui as touradas em Madri
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum

E quase não volto mais aqui
Para ver Peri beijar Ceci
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum

Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha
Queria que eu tocasse castanhola
E pegasse o touro à unha
Caramba, caracoles, sou do samba
Não me amoles
Pro Brasil eu vou fugir
Que é isso é conversa mole para boi dormir
Para tim bum, bum, bum
Para tim bum, bum, bum

Para ouvir, clique aqui

Úma parte que achei interessantíssima nessa música é o ritmo, já que, originalmente, ela é uma marchinha de carnaval.
Quanto a letra, Carmem Miranda é pressionada a “mudar” de cultura, aderir aos costumes espanhóis, contudo, reafirma seu coração verde-amarelo para aqueles que duvidavam que a “Pequena Notável” abandonaria a pátria que a acolheu e a tornou estrela.

Mas informações sobre Carmem Miranda? Você pode ler aqui na Wikipédia, no site oficial da cantora e nesse texto da MPBnet
Prtonto… agora você já pode sair rebolando por aí…

Capitão Universo – Prólogo

Esta é a epopéia de um herói. Um herói fictício, é verdade, mas ainda sim um heroi. Capitão Universo surgiu de uma piada, de um gracejo e cresceu até ganhar inimigos. Cresceu mais um pouco e ganhou uma história, para entrar definitivamente para a História (hã-hã).

Na verdade, ele é um criação intelectual (!) e corporal do Caio – não me pergunte COMO nem QUANDO – mas virou sinônimo de realizador de tarefas impossíveis. Tá difícil? Chama o Caaaaapitãããããoooo Universo! Proto, ele resolve.
As histórias serão baseadas em situações que vivi e em coisas bizarras que ouvi, falei e presenciei. Muita coisa aqui é verdade, por mais inacreditável que pareça….
Contudo, antes de partir para a ação de fato, escrevo este prólogo, apresentando os personagens dessa viagem autoral (assim ninguem fica perdido em relação a quem é quem (e vice-versa)).

Capitão Universo: Quando jovem, era peão de fábrica e lá desenvolveu poderes paranormais. Capitão Universo confunde seus adversários com um raciocínio sem lógica e frases de efeito “cuidadosamente” selecionadas na internet. Seu poder, contudo, não está no intelecto, mas sim na ação (quando lhe convém). Tem uma mira privilegiada: aponta em um alvo e acerta em outro. Sempre.
Por outro lado, está quase sempre disposto a ajudar os amigos e topa qualquer coisa (escolha o sentido).

Dra. Brisalemon: Inimiga número 0 do Capitão Universo, é formada em línguas pela Universidade de Tókio. Exerce a profissão de tradutora de mangás e fics, mas só para disfarçar. Seu principal desejo não é o de dominar o mundo como toda vilã normal, mas sim transformá-lo em yaoi, como toda vilã perva. Por hora, contenta-se em comer muito, torturar e matar o C.U. (Capitão Universo, para os espertinhos…)
Importante: tem gênio forte. Muito forte.

Dr. Weonsugar: Um pouco gago e mau humorado, é sócio da Dra. Brisalemon e sofre na pele com o temperamento dela, apesar de não ligar muito. Formou-se em Química e é especialista em torturas (ao estilo Jogos Mortais) e coisas do mal.
Seu “Calcanhar de Aquiles” são os doces, conseguindo identificar (por nome, ingredientes e origem) um exemplar a quilômetros de distância (comendo-o posteriormente, é claro).
Pretende viver em uma ilha particular em algum paraíso, cercado de mulheres e tecnologia de ponta quando sua sócia atingir o sonho do mundo yaoi.

Profª Pishinne: Semi vegetariana (?), a professora é formada em Matemática e trabalha no desenvolvimento de fórmulas mirabolantes que só ela entende. Colabora anonimamente com a coluna do Leão Lobo, sendo uma das famosas pulguinhas. Um pouco (ha!) baixinha, mora num rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo.
Tem como hobby a dança de salão, em especial o zouk. Costuma desenvolver suas fórmulas enquanto dança, portanto, não estranhe caso a veja dando um passinho pra cá e outro pra lá.

Narrador: É o bobo alegre da história. Só narra os fatos, para não se comprometer com os personagens.

Ao longo das esquetes, outros personagens aparecerão. Quem sabe uma fonoterapêuta (sic), um(a) parceiro(a) para nosso herói ou ainda o narrador em pessoa? Nunca se sabe!

Em breve, a primeira história. Será que Capitão Universo conseguirá recuperar a F.O.D.A.? O mundo vai se transformar em yaoi pelas mãos maquiavélicas da Dra. Brisalemon? Dr. Weonsugar vai finalmente curar-se de sua compulsão por doces? E a Profª Pishinne? Será que ela vai revelar quem, afinal de contas, é Capitão Universo?

Não perca!

Qualquer semelhança desse epílogo com a realidade é um ato meramente proposital.
Em tempo: Ninguém me avisa que isso é um Prólogo (início) e não um Epílogo (fim)?

I Divagação de Busão

Pode parecer meio estranho o que eu andei pensando essa manhã, mas foi assim que surgiu o primeiro Divagações de Busão. Tudo começou com uma constatação: O ônibus é mais democrático que o ato de votar. O porquê você entenderá no decorrer do texto.

Iniciemos pelo ponto de ônibus. Esse lugar tem que ser visto em ciclos. Pela madrugada/manhã podem ser vistos os trabalhadores, geralmente com mochilas nas mãos/costas e uma cara de sono inconfundível. Algumas horas depois, estudantes e mulheres. Um pouco mais para o meio da manhã, senhoras e senhores idosos. Continuando nosso dia temos, na hora do almoço, mais estudantes. Na parte da tarde mulheres, poucos jovens e mais idosos. A noite os trabalhadores voltam – com cara de sono… Claro que há variações, mas não são muitas.

Uma vez dentro do “latão”, podemos ver uma antropodiversidade poucas vezes observada. Pobres, “ricos”, gordos, magros, brancos, negros, japoneses, jovens, crianças, idosos, adultos, mulheres, crianças, enfim…. TODOS os tipos de pessoas existentes.
E o que falar do comportamento delas? Umas viajam dormindo, outras ficam estagnadas (com olhar de peixe morto), outras tagarelando, lendo, escrevendo ou simplesmente caladas. Isso quando não teimam em falar no celular, compartilhando a conversa com os outros passageiros….

Lembra que eu disse que o ônibus é mais democrático que votar? Pois é… é tão democrático que não é preciso ser alfabetizado para embarcar em um ônibus… já para votar…
Essa comparação, aliás, pode ser feita também quando o quesito é certeza na escolha. Com o voto, você nunca tem certeza se o eleito é honesto e se fará como se deve o trabalho a que foi designado. Aqui no Brasil, você é obrigado a votar, mesmo que muitas vezes ache que não há candidatos que mereçam o voto (ou você acha que com Gretchen, Clodovil, Frank Aguiar numa mesma eleição, eu me arriscaria a votar em algum desses?)
Com o ônibus isso não acontece. Você sabe que se embarcar, ele vai chegar aonde você quer (ou pelo menos aonde a linha promete). Também não é obrigado a pegar o primeiro ônibus que apareça, mesmo que ele pareça limpinho, arrumado ou ainda um caçador de marajás….

Os destinos dos passageiros são os mais variados. Uns vão ao supermercado, outros para a escola, para o trabalho, sentido centro, sentido bairro… E nesse sentido (hã-hã…), a democracia se faz presente novamente. Impressionante como os ônibus nos levam para quase todos os lugares, sem fazer distinção entre bairros ricos e pobres. Apesar de as linhas serem pré-definidas, é possível ir na direção que se queira (nem que para isso levemos 4 horas e ainda tenhamos que andar um pouquinho…)

E como toda boa democracia, também tem defeitos. Obviamente não é a maneira mais confortável de se viajar, nem a mais segura e muito menos a mais rápida. O povo depende do transporte público para manter o emprego, e muitas vezes chega atrasado em função de greves do trânsito caótico. Os sindicatos não são unidos (ou seria unidos até demais?), os preços as vezes não condizem com o porte da cidade (para Itatiba, pagar R$ 2,00 é um abuso…) e o número de veículos é insuficiente para atender a demanda.

Ainda sim, viajar de ônibus é uma experiência fascinante. Acho muito engraçado quando estou indo sentido Cidade e duas crianças que nunca pegaram ônibus embarcam: O medo de cair, a curiosidade em olhar pela janela e acenar pra quem está na rua mais a apreensão em puxar a cordinha para mandar o ônibus parar sempre me rendem boas risadas…

Se você nunca tinha reparado nessas coisas, comece a observar quando for pegar ônibus. Garanto que você vai concordar comigo em muitos aspectos. Ainda existem outras coisas que eu não menc… EI! Chegou o ponto final. Depois eu continuo…

** E no próximo Divagações de Busão: **

“- Ahhhh.. eu vou lá tomar uma pinga e depoixxx eu vou me xxxjogá no rio.
“- Isso.. vai lá tomar uma pin… ei… não! Que mané se jogar no rio o quê? Tá maluco?

A verdade sobre os piratas II

O último post desta destemida série terminou com uma dúvida: Se os piratas matavam, pilhavam e queimavam (as cidades… as cidades) por que eles colecionam fãs no mundo todo?

O Idéia Fix foi atrás das respostas. Entrevistei Larissa Facchinette Tognetti, uma autêntica fã de piratas.

Com base no que ela me disse, finalmente pude entender porque os piratas são admiradados, qual a influência da mídia nisso e um pouco mais sobre o cotidiano. O que eu descobri você lerá agora, na segunda parte da série sem previsão de acabar.

Inicialmente, os piratas trabalhavam para “companhias”. Eram, por assim dizer, “contratados” para agir em alto mar, durante as guerras. Porém, com o fim dessas guerras, o desemprego atingiu os piratas. O governo dos países que os contratavam simplesmente dispensaram a classe toda, pois não havia mais porque mantê-los.
Aí você me pergunta: Mas e o sindicato? Cadê o sindicato da categoria?
Eu respondo: como a vida em alto mar era o nicho dessas pessoas, eles decidiram continuar o que faziam, mas dessa vez na ilegalidade, longe da proteção do governo.

Graças a trilogia “Piratas do Caribe”, a vida dos piratas se popularizou. Segundo Larissa, a trilogia é muito bem feita, não só em relação à história, mas como as roupas, as músicas. Ela salientou que a série não é perfeita, afinal, não retrata fielmente como sofriam os piratas e as duras condições com que passam meses no mar. “Eram massacrados“, ela completa.

O que torna alguém fã de piratas é a admiração que se sente por esses indivíduos que, mal ou bem, foram heróis. É importante frisar que SIM, OS PIRATAS EXISTIRAM. Não são apenas lendas ou meras histórias, como muitos pensam. Os piratas tiveram seu lugar na História (com agá maiúsculo) assim como tantas outras pessoas, em diferentes épocas.

Outro aspecto que apaixona os fãs é lembrar dos códigos de ética piratas. Por mais vilões que alguns fossem, no navio eram respeitadas algumas leis. Muitas delas curiosas: Você sabia que o capitão era eleito pelos outros piratas? Pois é… de certo modo, até havia uma democracia…

Mas o que torna mesmo alguém fã de piratas é pesquisar e ler o quanto eles sofreram (e o quanto faziam sofrer também…), chagando a passar meses em alto mar e no fim das contas, ser feliz. A ética, a coragem, o espírito aventureiro desses homens do mar, leva multidões às salas de cinema.

O que torna a figura do pirata tão misteriosa é simplesmente a falta de conhecimento que sem tem sobre eles.
Larissa, ao final da entrevista, recomenda “O Corsário Negro” (para uma “leitura mais leve“) e para quem realmente quer sentir na pele o que era ser pirata, “Contos de Piratas”, de Sir Arthur Conan Doyle (é.. aquele mesmo do Sherlock Holmes)

Bom… e agora? o que nos reserva o próximo episódio de “A verdade sobre os Piratas”?

Você verá… aguarde!

Jornalismo popular: Homem Pássaro

Sim caros leitores! A intrépida série de notícias que parecem fantasiosas mas não são, está de volta! E dessa vez em grande estilo!

Em vez das tradicionais tirinhas, dessa vez consegui uma reportagem inteira! Além de grande, é cheia de detalhes bizarros que farei questão de salientar mais para frente… com vocês.. O Homem Pássaro:

Deixa ver se eu entendi. O cara estava hã… nas piores condições de suas faculdades mentais e tentou manter conjunção carnal mediante uso de força física. Aí ele percebeu que não daria certo e então teve a brilhante idéia de pular do 5° andar do prédio e só sofreu arranhões?

Ah… a lei da gravidade já não mata mais como antigamente… Newton deve estar se revirando no túnel (ou o que resta dele).