F1 2012: GP de Mônaco

E um novo record é estabelecido no principado: Em 63 anos de história de F1 é a primeira vez que 6 pilotos diferentes vencem as 6 primeiras provas. A corrida foi a procissão de sempre, mas, ‘melada’ pela garoa no final.

Webber: O Canguru boy herdou a pole e venceu de ponta a ponta. Segunda vitória do australiano em Mônaco, que agora, entra na briga pelas atenções na Red Bull.

Rosberg: Confirmou que a Mercedes tinha um bom carro esse fim de semana. Largou e chegou em segundo, aumentando assim, o ‘banho’ no tio Schumacher.

 Alonso: Com uma Ferrari incrivelmente bem acertada e com o ‘braço’ que tem, chegou em terceiro. Reassumiu a ponta no campeonato.

Vettel: Largou em décimo, tentou dar o ‘pulo do gato’ sendo o último dos primeiros a parar. A estratégia não deu certo. Volta para casa em quarto na prova e com a vice-liderança do campeonato.

Hamilton: O inglês foi a salvação da lavoura da Mclaren: Fim de semana nada espetacular, mas um honroso quinto lugar. Rimou!

Massa: Esse foi, disparado, o melhor fim de semana dele. Lembrou, um pouco, aquele piloto de 2008. Andou bem perto dos 5 primeiros a maior parte da corrida. Chegou em sexto. Agora vai?

Bruno Senna: A Williams não tinha o melhor carro, então ficou na pista e esperou ver o que acontecia. Chegou em décimo. Um pontinho para ele. Maldonado? Deu ‘pancadão’ e abandonou.

Menções Honrosas: Button: Discreto o fim de semana inteiro. Perdeu a pontualidade, brigou no pelotão do meio e abandonou.

Kovalainen: Com um carro que é um espetáculo perto das outras nanicas, chegou em décimo segundo. Tem mais braço do que carro.

Grosenjan: Outra pancada na largada! Assim não dá.

Schumacher: Fez a pole, mas perdeu cinco posições e abandonou. Acho que, dessa, vez ele aposenta.

O Campeonato: Alonso 76 pts; Vettel 73 pts; Webber 73 pts; Hamilton 69 pts; Rosberg 59 pts; Raikkonen 51 pts e Button 45 pts; Senna 15 pts; Massa 10 pts

Os 6 vencedores: Button (Mclaren), Alonso (Ferrari), Rosberg (Mercedes), Vettel (Red Bull), Maldonado (Willliams) e Webber (Red Bull) Australiano Mark Webber largou na pole e venceu o Grande Prêmio de Mônaco  este aqui em cima. Foto: UOL

Próxima Prova: GP do Canadá, 10 de Junho.

O curioso caso Geisy Arruda

A nobre leitora não precisa ficar intrigada. O atento leitor, por sua vez, não precisa coça os ralos cabelos que ainda restam na altura das têmporas. E, por mais que a maioria de votos diga que sim, ainda não estou completamente maluco.  Eu vou mesmo falar sobre Geisy Arruda nesse texto.

O caso Arruda (não confundir com o político do DF) é muito mais interessante do que parece. Acho que, mais do que uma análise, vale uma reflexão.

Começamos pelo começo.

Dia 22 de outubro de 2009. Manhã. Quem era Geisy Arruda? Até aquele momento, uma estudante como tantas outras. Fazia parte da minoria (ainda somos minoria? Odeio usar esses chavões sem ter certeza) que tem acesso ao Ensino Superior. Estudava turismo. Mais uma na multidão, sem destaque, brilho ou atenção.

Dia 22 de outubro de 2009, noite. Pequenas decisões alteram definitivamente nosso futuro. Quantas roupas existem em um guarda-roupa de mulher? Quantas opções de vestuário poderiam ser utilizadas naquela noite? Muitas, sem dúvida. Entretanto, o escolhido foi o vestido rosa, curto (?). O vestido dos ovos de ouro, sem duplo sentido.

Numa história até hoje mal explicada, alguns alunos (sempre são poucos que comprometem muitos) revoltaram-se com o tamanho diminuto do vestido e promoveram uma baderna generalizada. Alguns afirmam que foi Geisy quem provocou os baderneiros… hã… sensualizando um pouco demais.

Resumindo a ladainha, a polícia foi chamada e a imprensa também. Geisy deu entrevistas, foi a programas matinais, abandonou a Universidade. Processou. Normalmente o caso acabaria aí, com os 15 minutos de fama. Contudo, algo diferente aconteceu. Dessa vez a pequena janela da oportunidade foi agarrada com força, escancarada. Geisy mergulhou no rabo do foguete. Novamente sem duplo sentido.

O parágrafo de um texto do R7 é emblemátivo: “Um ano depois, Geisy se tornou uma celebridade – estudou teatro, abriu uma grife de vestidos, escolheu um namorado no programa de Rodrigo Faro, foi convidada para estrelar videoclipes, posou nua para uma revista masculina e participou do reality show A Fazenda (Record), do qual foi a segunda eliminada“.

Atualmente Geisy Arruda tem um papel cômico (pelo menos a intenção é essa) na Escolinha do Gugu. Ganha seus cachês/salários e vai construindo sua carreira, seu patrimônio. Até fã clube tem.

Por mais estranho que possa parecer, Geisy é um exemplo para mim e para você. Podemos questionar seu talento, as reais intenções do tal do vestido, se a qualidade dos projetos dois quais ela participa é boa ou ruim. Você pode questionar se teria coragem, senso do ridículo, enfim…  vontade de encarar a mesma coisa. Justo. Justo como o vestido.

Entretanto, não dá para ignorar o que ela conseguiu. Está estabelecida numa grande rede de televisão. Tem um networking respeitável. Fez sua conta bancária crescer. Viveu em 2 anos o que muitos não conseguem em 30. Se o momento é de exaltar os empreendedores, aqueles que transformam o nada em alguma coisa, há de se entender o caso Geisy como uma história de sucesso. De alguém que tinha um problema nas mãos, mas viu uma oportunidade.

E tudo por causa de um vestido.

Um vestido.

Transmissão da Record é balde de água gelada

A chama Olímpica está acesa novamente. Dessa vez em Vancouver, no Canadá. O fogo contrasta com a neve e representa o calor que os atletas investem para subir no lugar mais alto do pódio. Nós, aqui no quentíssimo verão brasileiro, acompanhamos pela televisão competições que nunca praticaremos. Se bem que há outras que o famoso jeitinho dá conta de adaptar.

Mas há algo muito sério a comentar sobre as transmissões:

É louvável o esforço e ousadia da Record em trazer para a tevê Aberta os Jogos Olímpicos de Inverno. A Globo sempre teve os direitos e nunca o fez, com medo que o brasileiro rejeitasse o Skeleton ou o Cross Country (que tem um conceito interessantíssimo, se me permitem dizer), por exemplo.

Mas, infelizmente, a transmissão deixa a desejar. Os narradores Álvaro José e Maurício Torres dão um show de incompetência. Fica claro que eles não conhecem os esportes. Apenas leram o briefing antes de entrar na cabine e tem a mão apenas aquilo que o estagiário copiou da Wikipédia. Mas não adianta falar que é ruim sem explicar porque:

Primeiro Motivo - Repetem trocentas vezes as mesmas informações inúteis: Ninguém está interessado em saber que há 3952 câmeras filmando até a bufa que os competidores soltaram. Se disser 1 vez por dia já é muito. E pior… as câmeras nem são deles!
Outra coisa que anda me irritando é o fato de, nas competições com algum tipo de trenó (inclua aí o Bobsled e o Luge) , os narradores insistirem em fazer um alerta inútil, quando a imagem com o comparativo de dois atletas sobrepostos é colocada no ar. O alerta é que NUNCA 2 trenós podem descer ao mesmo tempo. Mas não é óbvio? Se com um já é perigoso (no TREINO morreu um), imagine com dois. Desperdiçam o tempo que poderia ser usado para uma análise técnica, mostrando onde foi o erro e etc e tal. Recurso eletrônico fodão jogado no lixo.

Segundo Motivo- Emoção exagerada: Não precisa gritar toda hora. Tudo bem que a curva foi fechada, que a atleta canadense está descendo a mais de 100 km por hora no Downhill ou que a alemã fez a primeira parcial 0,09 abaixo da sueca. É do esporte. Acontece toda hora. Economiza garganta (e os meus pobres ouvidos) para quando estiver na linha de chaegada, ok?
Imagina se o Galvão Bueno começasse a gritar ASSIM: “Que lateral que o Roberto Calor cobrou! Vejam isso.. jogou a exatos 2 metros num ângulo de 45º!!! No pé! No pé do advérsário!!! INCRÍÍÍÍÍÍÍVEL!!!”

Terceiro Motivo -  Reprises inoportunas – Reconheço que o horário não ajuda muito, mas tem horas que não precisaria reprisar competições. Será que não tem NADA ao vivo, durante algumas transmissões em videotape que a Record faz? É Olimpíada pessoal! Só acontece de 4 em 4 anos e ninguém sabe se vocês terão a oportunidade de transmitir a próxima!
Como se não bastasse, quando há eventos ao vivo e eles resolvem transmitir, desrespeitam o espectador, como no caso da madrugada de domingo para segunda:

Partida de curling, Canadá X China. No meio da partida, ou melhor… no MEIO DA JOGADA, Maurício Torres encerra a transmissão, pedindo pro pessoal mudar pra Record News. E quem não tem Record News? Como fica? Desrespeito absoluto. Ah… o programa que entrou no ar logo em seguida foi o da Igreja Universal. Sério mesmo que não dava pra esperar e passar outro dia o interessantíssimo programa sobre… mercado de trabalho?

Evidente que eu não esperava uma cobertura primorosa, por vários fatores. Entre esses fatores, está a pouca popularidade dos jogos no gelo, por motivos meteorologicamente óbvios. Brasileiro conhece mais de bilhar do que de patinação em velocidade. Outro fator é a inexperiência da Record em transmissões desse porte. Depois de um monopólio da Rede Globo nesse sentido, nada mais natural do que estranhar um outro olhar sobre a competição. Ou seja, mudou-se o padrão.

MESMO ASSIM, não é muleta para isentar a emissora dos erros citados acima. Só podemos esperar que haja uma significativa melhora em Gadalajara 2011. Isso mesmo… ano que vem tem Jogos Panamericanos e espera-se uma cobertura infinitamente melhor. Se não for assim, corremos o risco de Londres-2012 ser um desastre completo.

Enquanto 2011 não chega, aprendamos um pouco mais desses esportes frios na regra, mas quente nas emoções! Isso é… se o pessoal da tevê tiver um pouco mais de consideração conosco, os espectadores (rá… tá bom que isso vai acontecer)

PS: No Hockey, a Suiça jogou demais ontemquinta feira passada. Mesmo não tendo um time tecnicamente competitivo, teve forças para empatar o jogo contra o dream team do Canadá. Pena que na hora dos Free Shoots, os suiços resolveram entrar com bola e tudo em vez de bater no puck com certa distância.

PS2: O texto da Mônica, do Crônicas Urbana, dá uma outra visão sobre o mesmo tema. Uma broxante transmissão de curling. Os caras fizeram de tudo, menos narrar. [via @lunaomi]

Divagações televisivas de Carnaval

O Carnaval é uma data mágica: durante uma semana a terra brasilis transforma-se na nação perfeita, já que todos estão felizes, pulando, bebendo, dançando, rindo. As machetes sensacionalistas diminuem, as notícias sobre a politica nacional também.. e dá-lhe bloco em Salvador.

Vamos, então, girar pelas transmissões televisivas do Carnaval.

A Globo teve um Carnaval inesquecível. Enquanto, em São Paulo, Renata Ceribelli insistia em chamar a dança indiana de indígena e não conseguia parar de repetir “maravilhoso” para TODAS as escolas (mostrando todo o seu senso crítico), e Maurício Kubrusli (?) zombava dos desfiles fazendo Dudu Nobre (!) rir a beça, no Rio de Janeiro, Cléber Machado insistia que os espectadores eram torcedores – força do hábito – e uma câmera despencava, ao vivo, mostrando a Mangueira passar (você realmente achou que iria passar um carnaval sem ouvir essa piadinha, hein?).
Em tempo:
O Neguinho da Beija-Flor é TÃO importante assim? Se ainda fosse o Joãosinho Trinta, vá lá…
Em tempo 2: É louvável o esforço dos câmeras para NÃO filmarem os logotipos da Band espalhados por todo o circuito Barra/Ondina. É close daqui, tomada aérea de lá.. um verdadeiro pagode de ânglos.

Na Bandeirantes o axé da Bahia reinava. Dia e noite. Noite e dia. Adriane Galisteu fez  sua estréia, não conseguindo elevar o próprio (e pífio) ibope. Algum diretor teve a brilhante ideia de colocar Carla Perez como repórter e isso deu um tom todo especial a cobertura. Ivete cantou Dalila e Daniela Mércury inovou com a inédita canção “Canto da Cidade”.
Pra fechar a cobertura, o desfile das campeãs foi transmitido e com ele pudemos ver o protesto da Camisa Verde e Branco, que entrou no Sambódromo com seus integrantes vestindo nariz de palhaço. Bem carnavalesco.
Não se pode esquecer o diálogo – nesse mesmo desfile – entre cabine e repórter: “O tigre gigante está entrando na avenida. É isso mesmo Nadja Haadad?“. “É isso sim… o tigre de (X) metros acaba de entrar na avenida e.. acaba de enguiçar” (risos da cabine) “Vejam o esforço dos integrantes para fazer o tigre se mover (mais risos na cabine (sádicos…))… estão levantando a pata do animal… é.. o tigre enguiçou mesmo (fulano)!

A RedeTV! apostou no trash e na química e entrosamento de seus apresentadores: Nelson Rubens (que ficou estático em cima de um caixotinho) e Daniela Albuquerque (esposa de um dos donos, por sinal). Ainda bem que não estavam num cassino, já que até papel picado laminado eles comeram, ao vivo. Devem estar hã… livrando-se deles até hoje.
O(A) repórter Léo Áquila purpurinava a tela, Renata Banhara fazia strip-tease e David Brasil gaaaa-gaguejaaava.  Um casting de repórteres invejável, não? Entrevistados mostravam seu samba no pé sem música e o câmera corria para flagrar ilustres desconhecidos trocando de roupa. Inclusive a mulher-banana (sim… é isso mesmo que você está pensando) Vale tudo no Carnaval, né Gil? (Com link, para a piada ter graça)

A Record montou um camarote, entrevistou Nalbert e passou algumas matérias. E acho que foi só. Ah sim… O Fala que eu te Escuto debateu sobre o excesso de bebidas no Carnaval, perguntando se era culpa das autoridades, dos foliões ou parte da festa. O resultado foi tão surpreendente quanto o Galvão falar alguma besteira.

O SBT fez igual a Record, exceto pelo camarote (uma pena… imagine a Maísa  entrevistando, que beleza?) e pelo Fala que eu te Escuto (menos mau, hein… O Nascimento fazendo descarrego, a Hebe comandando o Aprendiz e a Claudete Troiano de Mutante seria traumatizante).

Conclusão: Acho que nessa história toda de Carnaval, quem mais ganha são os câmeras… O cidadão é pago para filmar aquilo que ninguém liga esconder… durante o Carnaval, claro.

Record toma “olé” ao vivo da polícia

Fazia tempo que não me divertia assistindo televisão. Mas divertir de dar gargalhada e ter que sair da sala para respirar ar puro… Tudo por causa do “Caso Isabella”…

Calma. Não sou nenhum monstro que acha engraçado a morte de uma garotinha. Muito pelo contrário.

O que me divertiu foi ver o verdadeiro “Olé” que a polícia deu na imprensa, agora pouco.

Tudo ocorreu na porta da delegacia, onde estava temporariamente preso o pai da criança, Alexandre Nardoni. O Habeas Corpus foi expedido e ele seria libertado dentro de poucas horas. Geraldo Luis e seu Balanço Geral montaram acampamento na porta da delegacia e transmitiam ao vivo o movimento na porta do DP.
Enquanto a “soltura” não acontecia, Geraldo enrrolava, mandando o Percival de Sousa ler pela enésima vez o mandato de soltura (fazendo questão de afirmar que ele poderia voltar pra prisão).

A repórter da Record frisava que eles estavam na melhor posição para cobrir a saída do cara. Que eles iam pegar direitinho o rosto dele e que seria a melhor imagem. Expectativa. Geraldo enrolando.

Eis que surge uma confusão de dentro da delegacia. Geraldo manda cortar pro DP. Confusão. Gritaria. Flashes. A repórter grita, o câmera é empurrado, aliás… todo mundo é empurrado. Uma verdadeira zona. Envolto por policiais, sai um cara com um cobertor na cabeça. A Record pega direitinho a imagem do cara com o cobertor na cabeça… ele se joga dentro do carro e a polícia tentar sair.

O carro acelera um pouco.. populares avançam e socam o carro… “Assassino! Assassino” – a população grita ensandecida… O povo bate no vidro do carro, no teto… empurra o veículo.

Geraldo grita desesperado: “Saiu! Saiu! Olha lá.. saiu! Alexandre acaba de sair! Olha lá.. olha..olha…”

Um fotógrafo corajoso abre a porta do carro da polícia e fotografa Alexandre… o povo aproveita a porta aberta e por pouco não invade a viatura… Um policial consegue fechar a porta e a viatura dispara em alta velocidade, pela contra mão, furando o farol vermelho…

Geraldo comenta, sem fôlego: “Vocês acabaram de ver ao vivo e exclusivo, aqui na Record, Alexandre Nardoni saindo da delegacia… Só aqui, no melhor jornalismo do Brasil”
Percival comenta: Engraçado… ele saiu com o cobertor da carceragem… vai ter que devolver depois, hein!”

Enquanto isso, na Sônia Abrão, o helicóptero Urubu 1 Falcão Azul acompanhava o carro que tinha acabado de deixar a delegacia. “Você está acompanhando aí o carro que leva o pai de Isabella. Vamos seguir ao vivo o trajeto até o IML”

É… mas o que Geraldo e Sônia não esperavam.. aliás.. a imprensa não esperava, era que o cara que saiu NÃO ERA O PAI DE ISABELLA.
Enquanto a Ópera Bufa se desenrrolava, Alexandre Nardoni saia calmamente pela porta lateral da delegacia, sem populares ou imprensa para encher o saco….

A polícia fez a imprensa e os populares de patos, de palhaços…. quando eu percebi isso eu não parei de rir. Até então ninguém havia se tocado disso.

De repente, Geraldo pára de falar e dá um sorrisinho irônico. Quase deu pra ver um “FDPs” impresso num balão de pensamento, acima da cabeça do apresentador. “Ha.. eu acho que… é.. aquele lá não era o Alexandre, hein.. você confirma isso (nome da repórter)?
Repórter: “Confirmo Geraldo – a polícia acaba de conformar que aquele que nós filmamos NÃO ERA O ALEXANDRE…”

Minhas gargalhadas chegaram ao ápice quando vi a cara de bobo que fez o Geraldo Luis. Ele ficou vermelho e começou a xingar a polícia, clamando respeito e o escambau a 4… Ficou um bom tempo indignado porque tinha sido enganado…

Boa polícia! Conseguiu enrolar o Geraldo Luis e a Sônia Abrão, ao mesmo tempo e ao vivo. Brilhante!

A foto mais acima mostra o que TODOS noticiaram como sendo o pai de Isabella…. O circo foi todo bem armado e a encenação foi perfeita. Mas creio que nem assim a vertente sensacionalista e podre da televisão brasileira vai parar de julgar as pessoas antes do poder judiciário…

Repare a câmera com o anel verde. É justamente a da Record! HAHAHAHAHA

Bando de urubus!

Matérias de gaveta

Não escondo de ninguém que quero ser jornalista. Isso já está decidido desde pequeno, quando queria ser escritor (depois descobri que pra ganhar dinheiro sendo escritor, além de talento, precisa ter sorte..)

E como jornalista, percebi que, qualquer redação de telejornal que se preze tem que ter matérias de gaveta. São matérias que invariavelmente aparecem todo ano. O texto praticamente não muda. E os assuntos, menos ainda.

Listarei abaixo as matérias de gaveta mais comuns:

1. Neve em São Joaquim – Já repararam que todo começo de inverno a cidade de São Joaquim aparece como sendo a 1a cidade a cair neve no Brasil? E o corpo da matéria é mesmo: turistas esperando a neve cair, a festa quando ela cai e o depoimento fatídico “Ah! Inesquecível! Durou só uns minutinhos mas já valeu a pena!”. Depois, um carro cheio de neve é mostrado e crianças correndo em volta dele. Termina com o sol atrás de uma árvore toda congelada.. ou de uma folha pingando gelo.

2. Troca de Presentes: Não há um feriado de dia das mães/pais/crianças e principalmente Natal em que não passe uma matéria sobre troca de presentes. Segue o texto: “E depois das festas chegou a hora de trocar os presentes. Os brasileiros correram aos shoppings para trocar aquelas roupas que não serviram”. Segue entrevista com uma senhora falando, sem graça, que não gostou da cor e por isso veio trocar (geralmente por uma cor pior). Imagino que deu o presente o que acha…

3.Trânsito nos feriados: Pode ser no fim de ano, no carnaval ou qualquer feriado prolongado. Em vários pontos das rodovias, repórteres falarão o óbvio. Congestionamento monstro. Depois do giro das estradas, o GloboCop/Águia Dourada/Falcão Azul entra em cena, dando um panorama geral da situação caótica. Em tempo: Esse panorama será, quase que invariavelmente, do pedágio onde, lógico, o trânsito é maior. Todo mundo sabe que a estrada está congestionada… Por que não buscar outros ãngulos para a mesma notícia.. sei lá.. Percorre a pé um trecho e mostra que seria mais rápido ir a pé do que de carro… coisas diferentes…

4. Escola Regis Rösing de jornalismo esportivo: Nos eventos relacionados à esporte, a escola Regis Rösing de jornalismo atua. Essa técnica consiste em dizer um texto curto no exato momento que a notícia acontece. Exemplo: Romário vai bater o pênalti do milésimo gol; Rösing posiciona-se atras do gol e, quando Romário prepara-se para bater, ele começa gravar a matéria: (olhando pro campo) Lá vai Romário bater o milésimo gol.. correu, bateu e é gol… (vira-se para a câmera) Romário acaba de marcar o milésimo gol de sua carreira. Um feito histórico só antes feito por Pelé (fim do take). Nem sempre dá certo, mas podem reparar em Globo Esportes da vida: Esse tipo de matéria sempre estará lá.

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Há outras matérias de gaveta…. Infelizmente elas são muito comuns…

Outro dia falarei dos obituários de gaveta.. pode ter certeza que o da Dercy, do Silvio Santos, e do Oscar Niemayer já estão prontinhos.. só esperando os presuntos….

Na televisão, Tudo é Possível

Terça feira, 04 de setembro de 2007. A caravana rumo à Rede Record de Televisão localizada na Barra Funda – São Paulo parte do CNA Itatiba exatamente as 13:01:30. Estamos a caminho da gravação do programa Tudo é Possível, apresentado pela loira Eliana Dedinhos.

Chegamos à emissora e logo fomos encaminhados para o que a produtora chamou de “triagem”. Havia 3 ou 4 agências de modelos e 1 fã clube que também comporiam a platéia. As agências entraram primeiro e foram acomodadas nas duas arquibancadas laterais, praticamente dentro do palco. Nós fomos colocados no fundo do estúdio, porém com uma vista privilegiada, já que o estúdio é espantosamente menor do que aparenta ser. Veja você mesmo a colocação estratégica da platéia de modelos e do fã clube

 

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A primeira figura que conhecemos foi Wilson, animador de platéia que trabalha há 2 anos em produções da casa. Após algumas gracinhas iniciais, foi-nos pedido animação do começo ao fim da gravação. Eram pouco mais de 3 da tarde. Ainda eram realizados testes de câmera quando Eliana finalmente adentrou o palco, com um vestido branco (por mais fútil que pareça, essa informação será útil mais para o final do texto). A gravação correu normalmente. Após um 1° primeiro bloco monótono, com a participação do biólogo Sérgio Rangel (na foto, à esquerda), a voz do diretor Cezinha (guardem esse nome) ecoou pelo estúdio. “Saída para o comercial”. Gravamos a saída para o comercial pelo menos 3 vezes. “Wil” coordenava os movimentos. A cada final de matéria ele “puxava” os aplausos (durante a gravação essa cena foi muito comum, e não poucas vezes, aplaudimos de forma forçada).

Montado o cenário do quadro sobre miniaturas, Eliana anunciou a presença de Edson e Hudson (!) e começou a apresentar as donas da loja “Casinha Pequenina”. Estava quase terminando de apresentá-las, quando foi interrompida no pequenino ponto eletrônico localizado na orelha esquerda (gostaram do nível de detalhe?) pelo diretor Cezinha.

Eliana diz: “Mas eu fiz isso…”

Silêncio…

“Ok, se você quiser que eu faça de novo eu faço”.

Longo silêncio…

“Tudo bem, mas que eu fiz, eu fiz.”

Silênico….

“Vamo lá, vamo lá”.

Eliana repete a cena, acrescentando informações ao que já havia dito. Ela é descrita como “um tanto quanto teimosa” e “tenta dirigir o programa” por quem a conhece nos bastidores.

A foto a seguir é o teste de câmera do quadro das miniaturas. Bem antes do início do programa vários ãngulos são testados. Várias e várias vezes.

 

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Entra Santos (aqueeeeeele ex Ratinho). Pude testemunhar o hã… Remanejamento, por assim dizer, da platéia. Pelas conversar, foi deduzido que se tratava de um número de mágica e 2 pessoas foram estrategicamente colocadas em lados opostos da platéia (você já vai entender porque).

Começa o número cômico onde a graça era justamente o truque dar errado e/ou ser revelado, como no caso desse truque da corda. Na foto podemos vê-lo sendo preparado.

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No programa foi mostrado apenas que havia um fio ligando um ajudante localizado no teto do estúdio à ponta da corda.

Maaaaaaaaas, o que Idéia Fix revela (e que todas as pessoas minimamente atentas já sabem) é que as pessoas teoricamente selecionadas ao acaso já são previamente escolhidas. No truque da cabine isso é óbvio, mas no truque da flecha isso não fica tão claro assim. A garota “escolhida” chegou após o começo da gravação e sumiu após o truque. Eu a vi entrando e também sendo colocada na platéia lateral direita (de quem olha da televisão). Eu sabia que essas coisas eram combinadas, mas não a ponto da pessoa escolhida vir apenas para a gravação da sua participação.

Uma cena curiosa durante a gravação desse quadro: o truque foi revelado antes da hora. Santos tocava flauta para a corda subir, e esta era puxada pelo fio. Porém foi revelado também que quem tocava a flauta era seu tio (não seu tio cara pálida, o tio do Santos). Eliana revelou a presença dele (seguida de vaias puxadas por Wilson) e lá se foi o palhaço. Novamente Eliana pára abruptamente de falar e a voz de Cezinha ecoa: “Vamos de novo”. Ninguém entende qual foi o erro. A gravação recomeça (o tio do Santos volta para baixo da bancada de onde havia saído) com o truque sendo novamente revelado, mas dessa vez a presença do palhaço não é mostrada. Aí entendemos o porquê: a participação dele era vital para o próximo truque, quando ele finalmente seria revelado. Eliana comenta o erro de gravação: “Ainda bem que o programa não é ao vivo… imagina só!”.

Os quadros se sucedem e pouca coisa pode ser acrescentada sobre eles. O interessante está nos bastidores.

Nos intervalos entre os quadros foi gravada a abertura do programa (nesse ponto já haviam sido gravados no mínimo 3 quadros e mais 2 inserções comerciais). A “Ola” foi ensaiada e a gravação recomeçou. Creio que nunca na minha vida eu aplaudi tanto. Foram 6 takes. Meu braço ao final da 6ª vez estava dolorido demais.

Depois desse teatro todo, veio o ápice da falsidade da tv. O nome que é dado dispensa comentários. “Hora da falsidade”

Produtor: “Gente, agora é a Hora da Falsidade. Quando eu contar até 3, as câmeras filmarão de forma individual e eu quero todo mundo olhando aqui pra frente e rindo. Forcem o riso. Imaginem o Tiririca contando uma piada aqui na frente e riam”. Bom, foi o que fizemos. Eu ria da idiotice da situação. Rimos durante um tempo, para um palco vazio, até que todos os takes fossem gravados. Todas aquelas tomadas do Domingão do Faustão entre as cacetadas devem ser gravadas assim. Reparem que todo final de bloco de cacetadas é mostrado alguém da platéia rindo. ESSA risada é gravada anteriormente ou posteriormente. Tsc tsc

Já é tempo de mais um entediante intervalo…

A gravação continua e só há uma pausa com lanchinho (um sanduíche de pão com queijo e presunto e guaraná) as 8. Na volta dessa pausa ficamos sabendo que o cantor Leonardo estava atrasado para a gravação. Mas espera aí. Não foi anunciado e gravado que a dupla Edson e Hudson é que se apresentaria? (lembram disso?) A resposta veio em seguida. Eliana aparece de vestido rosa! Chegamos à conclusão que na verdade ela estava gravando 2 programas!

O que ocorre é que as televisões não podem contar com a pontualidade dos artistas. Então, gravam previamente as atrações musicais, deixando o corpo do programa para outro dia. No nosso caso, já havia sido gravado o musical com Edson e Hudson, então, nada mais óbvio que inseri-lo no programa que estava sendo gravado até então. Para a semana que vem, será anunciada a presença de Leonardo. Essa presença já está gravada, mas o programa no qual essa gravação aparecerá ainda não foi.

Para que essa troca de gravações não seja percebida, é feita a troca de roupa. Eliana gravará o programa da semana que vem com o vestido rosa, o mesmo que ela usou no musical de Leonardo.

Apesar de haver 2 platéias diferentes num mesmo programa, a troca repentina não é percebida por quem assiste. Sorte dos produtores.

Curioso não? Veja só a diferença no visual:

 

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A gravação chega ao fim as 21: 25.

Estes são os bastidores de uma gravação de um programa de televisão. O cômputo geral? Muitos truques de câmera, repetições exaustivas, horas e horas de espera. Mas uma experiência inesquecível. Se você tiver a oportunidade, vá. Por pior que seja o programa… Vale (muito) a pena.

Para comprovar tudo o que eu disse, é só assistir domingo, o Tudo é Possível. Segundo o guia eletrônico da Sky, o programa começa as 2 da tarde. Eu sou aquele lá de camisa branca, bem na frente da platéia do fundo. Isso, aquele mesmo!

Ainda faltam algumas coisas curiosas para serem ditas, e muitas fotos para serem postadas, mas essas exigem mais detalhes, fica pra semana que vem.

Em tempo: E não é que eu apareci mesmo! Das entrevistas gravadas com o povo da platéia, só a que estava no fundo foi mostrada… Sorte? Talvez, mas que eu estava lá eu estava….