O filme do Liquidificador que fala. É isso mesmo!

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Quando se fala em cinema nacional, é inevitável não lembrar de Tropa de Elite, Central do Brasil e Cidade dos Homens. São películas (linda expressão) com sucesso de público, crítica ou mesmo os dois. Fazem parte de uma fase relativamente recente, na qual os cineastas ganharam credibilidade – os filmes deixam de ser samba do crioulo doido, sem pé nem cabeça, para ter começo, meio fim… um roteiro confiável, resumindo.

Entretanto, ainda se pratica o cinema moleque, de ginga, com ziriguidum e sem compromisso. E é sobre isso que eu quero contar. Tal qual o Lobo Zagalo, fui surpreendido novamente.

Reflexões de um Liquidificador. Esse é o nome do longa metragem dirigido por André Klotzel. O título foi suficiente para me fazer parar de zapear e prestar atenção ao que estava sendo dito. Foi quando eu comecei a tuitar desesperadamente. A história me fisgou de uma tal forma que foi impossível parar.

Desista. Você só vai entender a imagem quando assistir o filme.

Começa que o Liquidificador pensa. Na voz de Selton Melo (quem mais poderia ser?), ele declara que nunca foi tão feliz quanto naqueles meses em que fazia vitaminas no bar da Dona Elvira (a excelente Ana Lucia Torres). Mas o bar fecha, sabe como são os empreendedores: as vezes não dá certo mesmo. O Liquidificador vai pra casa. Fica um tanto quanto temperamental e funciona quando quer. Lembre-se: estamos falando de um eletrodoméstico.

Nesse ponto eu já estava pirando. Mas ia piorar. Muito. Dona Elvira quebra a perna. Para se distrair, ela retoma uma antiga atividade, dos tempos de menina: taxidermia. Se você não ligou o nome a pessoa, ou melhor, ao animal, taxidermia é a arte (?) de empalhar cadáveres de seres vivos. Ou que eram vivos, né?

Imagine que sua mãe tenha um gato de estimação. O gato sobe no telhado vem a óbito. O que você, como bem filho, faz? Compra outro? Adota? Nada disso. Empalha o bichano e dá de presente àquela que te pariu. Presentão, hein? Não? Pois o carteiro do filme fez.

Taxidermia em filme nacional. Brilhante! Mas continua… continua…

O Liquidificador começa a falar. E Dona Elvira começa a responder. Sim… há um diálogo coerente entre a dona de casa e o eletrodoméstico. Divaga-se sobre o beleléu e a caduquice. É muito talento!

O enredo direciona-se para uma história policial. E daquelas de deixar Edgar Allan Poe, Ellery Queen e até o Archie orgulhosos. Se bem que a Agatha Christie acharia normalzinho… Bom, não vou contar mais para não estragar a surpresa. O que posso dizer é que, quando os créditos finais subiram, eu levantei do sofá e aplaudi. Obra de arte!

Eu preciso ver mais filmes desse tipo, conceituais. É excelente para abrir a cabeça e arejar as idéias. Essa padronização coxinha de Hollywood vai acabar com a 7ª arte… Quem sabe eu não escrevo aqui sobre um filme coreano, hein?

No Adoro Cinema tem a ficha técnica mais detalhada e alguns comentários sobre o filme. Tem fotos também, se você quiser julgar o livro pela capa.

Veja o trailer:

The American way of speech

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Lá vem o Negão, cheio de paixão…

Quando a madrugada do dia 25 de janeiro dava seus primeiros passos aqui no Brasil, o Presidente dos Estados Unidos entrava no Congresso americano para fazer um tradicional discurso, chamado lá de State of Union.

Em resumo, é a oportunidade anual e obrigatória do Presidente prestar contas do mandato (aos congressistas e a população) e revelar as perspectivas a curto, médio e longo prazo. Mais do que isso, é motivador, nacionalista e crítico. Nada é improvisado. Cada vírgula é colocada e ensaiada, numa coreografia de precisão cirúrgica.

Amigos leitores, com o perdão da expressão, Obama pôs o pau na mesa. Foda ba garai. Leia o discurso completo, em inglês, no blog do Rodrigo Lopes, bom repórter da RBSObviamente, foi impossível não abrir comparações entre o modelo estadunidense de governar e o tupiniquim nosso de cada dia.

Começa pela obrigatoriedade. Tá na sagrada Constituição deles que o cidadão que estiver jogando X-Box no Salão Oval deve comparecer ao Capitolio para trocar umas ideias com os manos engravatados. Aqui no Brasil é raro ter uma coletiva de imprensa (raríssimo). Os pronunciamentos são curtos, engessados e… gravados. Ir ao Congresso? Só no Dia da Posse…

A obrigatoriedade força uma preparação. Ir até lá pra fazer algo meia boca não rola. Então, os assuntos são selecionados a dedo, com meses de antecedência. Planejamento!

Algo que me impressionou foi a capacidade de discurso de Barack Obama. Falou durante quase uma hora, sem necessitar voltar os olhos para o papel. De fato, se o Rodrigo Lopes não tivesse alertado, eu nunca teria percebido que usou-se o teleprompter (ainda tenho minhas duvidas…). FHC e Dilma não tem a oratória prejudicada… são articulados. Lula, então, nem se fala. Por que não usar? Precaução? Não precisar sair da zona de conforto dos discursos gravados? Não tem emoção! Não é um diálogo! Chega de interrogações e exclamações!!!!

Mais legal do que a capacidade oratória, é o tamanho do culhão (balls of steel) para dizer o que foi dito por Obama. Em itálico e negrito, minha tradução livre de trechos do discurso em inglês.

Está cada vez mais caro fazer negócios em países como a China [...] Crio hoje uma comissão para investigar práticas desleais de comercio em países como a China. Eu não imagino ninguém aqui espetando um país vizinho nesses termos. E espetando com toda a razão, diga-se de passagem. Com as fábricas se transferindo para lá, aumenta o poder de controle chinês. E poder demais na mão de um só país nunca é bom.

Outro tapa com luva de boxe foi em Wall Street. Algo como não voltarei aos dias em que Wall Street criava suas próprias regras [...] Portanto, se você é um grande banco ou instituição financeira, não está mais autorizado a fazer apostas arriscadas com o dinheiro dos seus clientes. Cabongada em quem tem dinheiro não é exatamente uma das especialidades da Situação. Aliás… muito pelo contrário.

Como se não bastasse, ele sabe que produtores de leite são capazes de conter um vazamento do seu produto, sem a necessidade de agências federais fungando no cangote, mas quer ter certeza que as companhias extratoras de petróleo são capazes de evitar o que vimos no Golfo [do México] há dois anos. Seria fantástico alguém chutar a canela da Petrobrás quando esta faz alguma besteira, mas não. Ninguém tem coragem pra isso.

E, finalmente, algo que não vejo possível no Brasil mais por culpa das militâncias partidárias cheias de mimimi do que dos próprios políticos. Obama disse: Sou Democrata. Mas acredito no que o Republicano Abraham Lincoln acreditava: O Governo deve fazer aquilo que as pessoas não são capazes de fazer melhor sozinhas e nada mais do que isso.

Cada país deve ser autônomo na maneira de gerir sua política. Cada Estado tem sua cultura, seu jeito de governar, construído passo a passo, dia após dia. Entretanto, isso não nos impede de observar e aprender com práticas de nossos co-irmãos. O Discurso do Estado da União viria bem a calhar num Brasil carente de debates positivistas e construtivos.

2012 é ano eleitoral nos EUA. E esse foi o discurso que pode ter decidido a corrida à Casa Branca a favor de Barack Obama. Segundo a Globo News, esse discurso fez a popularidade do presidente Clinton, na oportunidade, subir VINTE PONTOS PERCENTUAIS.

E, sinceramente, o Negão foi bem pra caramba.

Como melhorar o Big Brother Brasil

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Muito sutil para ter uma legenda

No calendário de acontecimentos do ano, o mês de janeiro inicia a temporada da dicotomia da televisão: ou você ama o Big Brother Brasil, vota, comenta, torce e se envolve com os participantes (gastando seu rico dinheirinho para eliminá-los num paredão cubano) ou odeia com todas as forças, questionando o nível intelectual do programa, a manipulação e o tamanho da cabeça de bagre de quem prestigia. Coitado do bagre, a propósito.

Aqui eu tentarei ser imparcial. Eu acredito que o mais importante não é o conteúdo transmitido pelo programa, mas sim COMO você critica as informações que absorve (no sentido de selecionar, separar o joio do trigo, debater os pontos cruciais). Isso serve para tudo: livros, filmes, propagandas políticas, o preço da carne no açougue… Engolir sem mastigar não faz bem.

Continuando com a metáfora gastronômica – não importa se você come uma feijoada. O importante é a sua capacidade de digerí-la. Conheço uma pessoa que simplesmente é incapaz de comer um pedaço de melancia (MELANCIA!) sem dialogar com a dita cuja uma tarde toda…

Esse é meu ponto. Acredito também que mais importante que descer a lenha vigorosamente, é propor soluções que contribuam para o crescimento do objeto da sua intensa fúria. Não adianta apenas falar pro seu filho pequeno que sair pelado do banheiro quando tiver visita em casa é errado. Tem que explicar que é melhor chamar, caso ele tenha alguma dúvida, inclusive sobre o destino do… submarino E, sinceramente, não vi ninguém (ou pouca gente, para não generalizar) fazendo algo parecido com isso. Não me referia a dar tchau pro cocô, mas sim propor soluções, que fique claro.

Aqui estão as minhas singelas propostas para tornar o programa mais interessante:

Vamos dar uma espiadinha?

Melhor escolha dos participantes: Apesar da seleção das modelos gostosas e garotões sarados ter o seu valor (inclusive o de abastecer as revistas de nu artístico (artístico? Sei)), nada impede que outros tipos sejam selecionados. Sem pensar muito, eu colocaria:

- Um gordo. Mas daqueles respeitáveis. Como diria a Chiquinha, uma baldeação imensa. Nada de fofinhos e fofinhas ié-ié.

- Um cadeirante. Necessita maiores explicações?

- Uma ricaça. O sucesso (?) de Mulheres Ricas, na Bandeirantes, deixa mais evidente a atração pela vida de quem não é tosco. No máximo, excêntrico.

-  UM (numeral, não artigo) famoso. Mas famoso mesmo. Nada de celebridades de segunda linha. E tem que ficar boa parte do programa. Nada de um ou dois dias.

- Um gringo, que não seja argentino. Isso já foi tentado.

Falta desafio: o jogo por vezes é monótono. Piscina, cadimia, um bilhar aqui, uma cochilada acolá… Não há um desafio, algo que necessite uma solução, um trabalho em equipe. Falta o famoso gancho para fisgar o espectador para o dia seguinte, tal qual é feito com maestria nas novelas.

Dê um problema e os brothers e sisters devem se encarregar da solução. Uma obra? Um quarto trancado e uma chave escondida em algum lugar da casa? Deve ter alguém melhor do que eu pra pensar nisso.

Trocar o apresentador: Mudança é algo que a Globo detesta fazer. Foram décadas para reformular o Globo Esporte, por exemplo. Por um lado eles tem razão. O modelo de… hã… grade flexível do SBT se mostrou um desastre. Por outro lado, certas coisas se desgastam com o tempo: bordões, gestos e olhares.

Pedro Bial tem um enorme mérito em segurar a apresentação do programa por 12 longos anos, sozinho. Para efeito de comparação, Miguel Fallabela passou 15 anos à frente do Video Show, numa época bem menos dinâmica.

Seria a hora de trocar, tentar algo diferente? Acho que sim. Se bem que eles nunca terão Silvio Santos, o que por si só já constitui um enorme defeito.

Haters gonna hate: Isso é uma verdade que não vai mudar. Quem odeia de verdade vai achar defeitos em tudo. Acho que seria edificante cooptar alguém que de fato detesta o BBB para fazer parte do casting. Essa pessoa vai achar defeitos. E, claro, tem que ter culhão coragem para não limar da edição as reclamações que fatalmente surgirão.

Já que é um reality show, ou seja, um programa que se propõe a mostrar a realidade, nada mais justo que dar voz aos haters. De repente criaríamos um movimento reverso, se outros haters torcendo para o hater ganhar e doar o prêmio para instituições de caridade. Ou não. Com dois mião no borso (como se diz no interior), quero ver se o caboclo não muda de ideia….

Então… eu indico o Henderson Bariani, mas, Bial, não é nada específico. Não tinha muita opção para indicar e tem aquela questão da  afinidade e talz. Mas é isso.. UHUUUU ITATIBA! BEIJO BRASIL.

Bala na agulha, na barba do bode. Campainha da sorte.

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Esse texto era pra ter saído dia 25 de dezembro, mas resolvi aguardar a virada de ano para colocá-lo nessas mal traçadas linhas.

O Natal é uma data mágica. Tão mágica que posso começar esse texto com “entrevistamos Papai Noel“. Explico.

Aqui em Itatiba, Luiz Ordine faz as vezes de bom velhinho desde 1959 e distribui balas pelas ruas da cidade. Naquele tempo, seu Ordine usava barba de bode - bode de verdade - óculos da avó e capa costurada pela mãe. Subia no coreto da praça e jogava caramelo, sem papel mesmo, para os transeuntes. Hoje ele visita escolas, que já garantem sua presença logo em fevereiro.

Seu Ordine já apareceu nesse blog em dois outros textos e, no mais recente, as renas que ele mesmo fabrica são o personagem principal. Sim, as renas perfeitas fazem parte de toda a decoração, dão um clima diferente ao evento…

Natal no interior tem dessas coisas. Quem diria que a pessoa que lida diariamente com a morte (e lucra com ela) fosse o responsável por simbolizar o Natal, que é vida? E, mais do que isso, ser ele o responsável pelas cenas mais marcantes dessa época: distribuição de balas?.

Fiquei abismado com a empolgação com que as pessoas reagem à passagem do carro do Papai Noel. Os frentistas do posto de gasolina (de onde mais seriam, né? Do açougue, por um acaso?) simplesmente abandonaram o posto (rá) de trabalho e correram para o meio fio, todos desesperados por recolher as balas que jaziam no chão. Imagine 4 ou 5 rapagões uniformizados andando de 4 e recolhendo balas?

E a cena se repete por onde passa o velho barbudo. Crianças, senhoras e senhores, lojistas, transeuntes em geral. É O acontecimento do Natal. Tanto é que até a apresentação do Programa Voz e Vez  - ao vivo –  meus colegas abandonaram só porque um caminhão lotado de doces passou pela rua!

Só um caminhão lotado de doces? Bem, vou ter que reformular. O caminhão estava, na verdade, lotado de sonhos, desejos, esperanças. A tradição do arremesso de balas (que de vez em quando resultam em cabeças doendo) é exatamente o que representa uma cidade do interior.

Da mesma forma, a passagem de ano conserva a tradição do Bom Princípio. No primeiro ano que tive contato com esse costume, fui acordado as 6 da manhã do dia 1° de janeiro por um bando de crianças que tocavam desesperadamente a campainha. “Tio, dá Bom Princípio? Bala! Bala!“.

Primeiro: tio é a aquela digníssima senhora que te pariu. Segundo: quem desejaria um bom princípio sendo acordado tão cedo logo no primeiro dia do ano? Baita vontade de xingar, viu…

No ano seguinte, a revanche: desligamos a campainha. WIN! As palmas não foram suficientes para me tirar do… hã… embalsamento em vinho e espumante barato. As crianças cansaram em foram investir seu tempo em outra freguesia.

No terceiro ano, a tréplica. Os putos apareceram 1 da manhã (!!), enquanto eu aguardava a transmissão de Times Square. Jura mesmo que as balas são tão importantes assim, que justifiquem deixar a criançada solta 1 da manhã, com um monte de bebum dirigindo enlouquecidamente?

Apesar da minha aparente revolta, eu gosto dessas tradições. Elas dão um charme todo especial para a época que encerra o ano. Espírito natalino de raiz a gente vê por aqui. Talvez seja um pouco disso que falta às cidades mais desenvolvidas, frenéticas.

Vamos refletir sobre nossas tradições, tentar resgatá-las? Ninguém perde com isso.

Ao contrário… todo mundo ganha.

Resenha: A harmonia do mundo

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Resenha originalmente escrita para o blog Ciensacional ( http://ciensacional.com.br/) em outubro de 2011

Imagine você, um professor universitário, que se vê superado pelo seu pupilo. E o que sente? Raiva? Orgulho? Não, uma grande frustração. Esse é o caso do mestre Michael Maestlin. Ele foi o mentor de um dos maiores físicos da história: o dinamarquês Johannes Kepler. E esse caso é contado no romance “A harmonia do mundo”, escrito por Marcelo Gleiser e lançado pela Companhia das Letras em 2006.

Kepler, assim como Copérnico, também acreditava que os planetas giravam em torno do sol. E isso em uma época em que a igreja católica e o seu próprio mestre diziam justamente o contrário, que o sol girava em torno dos planetas. Soma-se a toda essa celeuma cientifica o fato de estarmos em plena Contra Reforma do século XVII, ou seja, os nervos estavam à “flor da pele”.

E, como se já não bastasse, Kepler vinha de família humilde, tem a vida arrasada pela morte da mulher e pela constante falta de dinheiro. Isso até se tornar matemático oficial do reino da Dinamarca por influência de outro físico, Tycho.

Toda a história é narrada a partir do diário que Kepler escreve para Maestlin antes de morrer. Aí está um ponto positivo que podemos encontrar descrito na “orelha” do livro: “Baseado em ampla e cuidadosa pesquisa, narrado num estilo saboroso, “A harmonia do mundo” relata (…) numa conjunção, talvez única, a fé inabalável nos desígnios de Deus e o anseio místico por demonstrá-los na perfeição do universo”. Resumindo: essa cuidadosa pesquisa feita pelo autor ajuda muito no entendimento da obra.

Como se trata de um romance, as fórmulas e teorias desenvolvidas por Kepler acabam em segundo plano, diante de todo contexto histórico dado por Gleiser durante a narrativa.

Sobre o autor

Marcelo Gleiser nasceu no Rio de Janeiro em 1959. É físico, astrônomo, escritor, roteirista e leciona em diversas universidades dos EUA. Como escritor foi ganhador do prêmio Jabuti pelas obras “A dança do universo” (1997) e “O fim da terra e do céu” (2001). Seu último livro é “Criação imperfeita: Cosmo, vida e o código oculto da natureza”, lançando em 2010.

Um romance físico

Começou! Top 5 livros de 2011

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Olha só quem chegou! Seja bem vindo 2012! Que o Vossa Mercê nos traga muitas coisas novas, alegrias, assertividade – nada desse negócio de fazer muitos planos e não concretizar nada – e, claro, boas leituras.

Falando em leitura (belo gancho, hein?), a tradição mais uma vez se faz presente e vamos iniciar com uma singela lista dos 5 melhores livros que tive o prazer de degustar nos últimos 365 dias. Mas primeiro, o relatório padrão para a posteridade.

Do dia 1 de janeiro ao dia 31 de dezembro foram 16 obras literárias de cabo a rabo (epa!), o que dá uma vexaminosa, vergonhosa, horrível e, principalmente decepcionante média de 1,33 livro por mês. Podemos entender como desculpa o fato de ter escolhido obras com um maior numero de páginas? Pôxa… Crônicas de Nárnia tem 750 páginas. A biografia do Agassi mais 500… Fica difícil…

Depois desse chororô todo, vamos ao que interessa. Os 5 melhores livros de 2011 foram:

5 – Gone: o mundo termina aqui (Michael Grant)

A baixa expectativa é um triunfo a ser usado com cuidado. No caso de Gone, do escritor Michael Grant, encaixou-se como uma luva. Eu não dava um tostão furado por esse livro. Achei que abandonaria no segundo ou terceiro capítulo. Mas não… a premissa da sobrevivência me fisgou de tal modo que até agora estou indignado de não poder ler os outros da saga.

Resumindo, é a história de uma pequena cidade que sofre um incidente misterioso: os adultos desaparecem num piscar de olhos e os adolescentes tem que se virar para sobreviver. Como organizar uma sociedade nessas condições? Quem é líder, coveiro, cozinheiro? E os bebês, quem cuida? Tudo recheado com um dose cavalar de sobrenatural.

4 – Bar Bodega – Uma crime de Imprensa (Carlos Dornelles)

Aos 45 minutos do segundo tempo, leio Bar Bodega numa tacada só. Indicação do sócio de blog, Carlos Lemes Jr, a obra do jornalista Carlos Dornelles é uma soco na boca do estômago… dos jornalistas. O “fogo amigo” é mais do que uma crítica: é um alerta para avaliar qual o tipo de sociedade que queremos e estamos construindo.

Nesse livro, ninguém é santo e todo mundo é culpado. Ao contar a história de um crime que chocou a sociedade paulistana na década de 90, Dorneles aponta uma série de equívocos cometidos pela polícia, pela imprensa e pela sociedade. Quer dizer… chamar AQUILO de equívoco é tapar o sol com a peneira. O que foi realizado foi uma atrocidade com a ética e os direitos humanos. A responsabilidade jornalística foi mandada às favas com gosto.

3 – Crônicas de Nárnia (CS Lewis)

A leitura foi lenda e gradual. Avançou a passos de tartaruga, mas, no fim, valeu muito a pena. E valeu a pena pelo conjunto da obra: enredo, estilo de escrita, preço… Belo investimento de tempo e dinheiro.

Tudo o que eu queria falar sobre Nárnia está nessa resenha publicada em agosto. Falei tudo mesmo. Inclusive, fiz duras críticas a uma parte em especial. Reproduzo um trecho aqui:

Decepcionante mesmo foi “O Peregrino da Alvorada”. Tenho a mais absoluta tranqüilidade para definir como PREGUIÇOSO. O autor conseguiu a proeza de preparar o terreno para aventuras fantásticas e não desenvolveu todo o potencial. Foi simplista, minimalista… Com o enredo armado, eu faria melhor. E que a modéstia vá para a casa do baralho.

2 – 1822 (Laurentino Gomes)

Eu já tinha escolhido 1808 como um dos melhores de 2010. A continuação não fez por menos e… matou a pau e quebrou janelas. O livro que conta a real (com trocadilho) história da Independência do Brasil derruba mitos – como o que prega que não houve guerra pela separação do Brasil do Reino de Portugal e Algarves – e descreve personagens até então relegados a um segundo plano (Imperatriz Leopoldina e José Bonifácio). Utilidade pública!

D. Pedro I acaba, claro, como personagem principal, mas mostra-se uma pessoa extremamente interessante, sob vários aspectos. Impulsivo, temperamental, explosivo, empreendedor, mulherengo… para usar um clichê dos mais batidos, viveu a vida. Caramba… o cara criou um país do nada e libertou sua pátria natal das mãos do irmão malvado, casando duas vezes e tendo uma penca de filhos. Tem que respeitar o cara que apelida o próprio bilau de “máquina triforme“.

Confesso que estou cada dia mais apaixonado pela História do Brasil.

1 – Open (André Agassi)

Esse não é somente o melhor livro de 2011. É, disparadamente, a melhor biografia que eu já li. E não foram poucas.

Eu não tenho nada mais a falar sobre esse livro. Fiquem com um trecho da resenha publicada em abril:

E p***queopariu, que baita biografia. André e seu ghost writter – que nem é tão ghost assim – conseguem unir diversos elementos que tornam esse livro um dos melhores que eu já li. E o que mais me encantou foi a forma como ele foi montado. Não é um simples diário de lembranças. Ele realmente revive todos os momentos mais importantes, recriando o pensamento que se tinha na época. O tempo verbal mistura-se, numa salda de pretéritos, presentes e futuros. Expressões como “vou enfrentar pela primeira vez um tal de… Sampras. Pete, acho*” e após alguns capítulos (ou anos) um “Sampras tem um talento especial para chutar a minha bunda“.

E lá vamos nós torcer e trabalhar para que em 2012 eu consiga parar de ser preguiçoso e ler mais. Mais e melhor, claro.

Penetrar num livro é mudar de universo, é abrir um horizonte. (…) A obra é, ao mesmo tempo, uma fechadura e um acesso, um segredo e a chave do seu segredo. – Jean Rousset

Janelas

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Me debrucei sobre o parapeito daquela janela e mirei o horizonte cheio de casas, montanhas, ruas, carros… vida. Um lágrima escorreu do meu olho esquerdo e dei uma leve sorriso. Não estou acostumado a chorar. Mas aquela lágrima foi inevitável. Pensei no emprego que tinha acabado de perder, nas coisas horríveis que meu patrão, digo, ex-patrão me falou. Coisas injustas, humilhantes.

Pensei também nas contas a pagar, em tudo o que eu teria que abrir mão naquele momento. Luxos, supérfluos. Pensei na festa de aniversário da minha filha. Na festa que ela não mais teria. Outras tantas lágrimas lavaram meu rosto. Combinavam perfeitamente com o coração apertado e aquele nó na garganta. Como explicar? Como simplesmente dizer que “papai não tem dinheiro”? Como negar um doce, um bolo, um presente?

O céu ia sendo pintado com cores que só a paleta de um Artista seria capaz de criar. Enxuguei as lágrimas na manga da camisa, respirei fundo e dei as costas para aquela janela. Prometi a mim mesmo que só olharia para aquela paisagem novamente quando minha vida estivesse refeita. No dia que eu pudesse dizer sim aos desejos mais justos de minha filha.

Passou-se dias, meses… anos? Não sei ao certo.

Só sei que percebi que estava na hora de cumprir aquela minha promessa. Me debrucei no parapeito daquela janela, olhei para uma paisagem muita parecida com aquela que tinha visto outrora e mais uma teimosa lagrima escorreu pelo meu rosto. Ventava. Dessa vez a lagrima pulou feliz, foi libertada do cativeiro na qual a mantive todo esse tempo.

Eu recuperei meu emprego. Quer dizer… fui contratado pela empresa concorrente. Comecei debaixo, ganhando menos do que gostaria e menos ainda do que merecia. Dei uma boa ideia aqui, outra ali. Ganhei a confiança dos meus superiores. Fui subindo de cargo. Voltei a ser eu mesmo.

Numa daquelas jogadas que a vida reserva no tabuleiro da existência minha empresa comprou minha ex-empresa. Virei chefe do meu antigo patrão. Juro que fui o mais profissional que consegui, mas ele não aguentou a humilhação (qual humilhação eu não sei, mas, enfim…). Com o ego ferido, pediu as contas.

Hoje aquelas montanhas, árvores, ruas e carros não olham um homem derrotado pelas circunstâncias da vida, mas sim alguém que fez da janela uma porta para ser outra pessoa. Cujos desafios sequer imaginava da última vez.

Que artista imaginaria os contornos que a vida traçou para, naquele momento, estar olhando aquela paisagem novamente? E, pensando nisso, quais caprichos estariam reservados para mim, quando, finalmente, olhar pela janela mais uma vez?

Pela última vez?

Funciona: Triplique sua renda em pouco tempo e sem esforço!

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Caixa Econômica Federal estima pagar R$ 170 milhões na Mega Sena da Virada

Carambolas flutuantes! Imagina só começar 2012, o último ano de nossa medíocre existência terrestre, com uma bolada desse tamanho na conta bancária? É muita coisa para fazer, coisas demais para comprar, possibilidades infinitas em um limitadíssimo espaço de tempo.

Pois é querido leitor. Ganhar dinheiro é quase um objetivo de vida. Ganhar dinheiro sem esforço é utopia. Mas tem gente que garante que é possível. Vou analisar o texto – porcamente traduzido, diga-se de passagem – que pulou na minha frente em um daquelas janelas irritantes que atrapalham a navegação nas interwebs da vida. O texto do cidadão estará em itálico. Minhas observações em negrito.

Começa assim:

Blog do dinheiro do Mike – Se o título é o anzol de um texto, esse já começa afiado. Como assim, blog do dinheiro?

Receba R$ 100/hora trabalhando online! Ninguem precisa comprar nada de você para que você receba o pagamento. Pagamento semanal. Você pode trabalhar no seu computador de casa. – Se você ainda não estava convencido, esse subtítulo não deixa duvidas: você precisa ler. Repare que a palavra pagamento é repetida 2 vezes, além do receba.

Como visto na Globo, Band, CNT e Folha – Cita-se veículos de comunicação aparentemente confiáveis… e a CNT. Link para as matérias? Não tem, claro. Mas isso é um mero detalhe. Poxa, apareceu na televisão. Tem que ser verdade!

Obrigado por visitar o meu site. Sou Micael Lopes de Cabreúva. Esta é minha história sobre como preencher um simples formulário online mudou minha vida. - Aqui o autor estabelece uma relação de confiança e cordialidade. Bandidos nunca são tão educado. Como um salafrário vai dizer o próprio nome e de onde fala? E a geração de expectativa continua…

Basicamente, eu realmente ganho cerca de R$ 8.500 a RS $ 10.000 por mês pela internet. Não é uma tonelada de dinheiro. Mas, uma quantia muito boa. Eu era capaz de substituir os rendimentos do meu trabalho anterior, trabalhando menos de 10 horas por semana no meu computador em casa – Esse parágrafo é chave. Repare na humildade e na simplicidade. Como é sutil esse “não é uma tonelada de dinheiro”. E é chave porque mostra que você não precisa se esforçar. Ele conseguiu com apenas 10 horas por semana, o que dá pouco mais de 1 hora/dia. Não é tudo o que você sempre quis?

Eu não estava interessado em oportunidades de negócio do tipo “fique rico do dia pra noite”,  esquema de pirâmide ou nada que tem a ver com marketing de rede. Você sabe, aqueles que querem que você tente vender coisas para seus amigos e familiares. Eu só queria uma forma legítima e honesta para eu ganhar através de casa uma renda extra. Estou aqui para espalhar isso. Espero que minha história possa inspirar você a experimentar o que eu descobri. Continue a ler… – Nesse parágrafo ele parece sincero e continua construindo a confiança. Ele compartilha um desejo que também é seu, não adianta negar. Quem é que confia nesses esquemas de internet? Quem não quer ganhar dinheiro de forma legítima e honesta?

Acima é um foto nossa da viagem que acabamos de fazer para os EUA enquanto estávamos sendo pagos. Eu descobri que você pode obter o mesmo kit que obtive…  mas de graça. Bem, na verdade você tem que pagar um pouquinho por algum custo de frete. – De fato, há uma foto de uma família feliz na Disney. Sucesso, viagem… tudo de graça! Opa, de graça não… tem um pequeno custo de frete. Bem, ele ao menos não tentou te enganar, né?

(…) Eu costumava trabalhar num banco. Aquele trabalho eu de fato gostava (…) Eu estava indo bem há uns 3-4 anos atrás. Então, como você sabe a indústria bancária teve uma queda enorme, juntamente com qualquer outra indústria e empregos disponíveis (…) Então eu peguei um trabalho com salário extremamente baixo como gerente de supermercado local (…) Minha esposa acabou perdendo  seu emprego e por isso tivemos que nos mudar de nosso pequeno apartamento para um apartamento  ainda menor – O parágrafo aqui é bem maior, tive que mutilar. Uma história de vida longa, cheia de altos e baixos. Exatamente como a SUA VIDA. No fim, a situação financeira fica complicada, coitado. Ele precisa achar uma solução. Repare que ele pressupõe que você sabe sobre a crise bancária, afinal, você não é burro, né?

Eu sempre vi ofertas na internet o tempo todo falando sobre alguma grande oportunidade de negócio (você também!). Sempre me perguntei se alguma daquelas coisas realmente já deu certo (olha só… você também!). Coisas que supostamente farão irão gerar milhões de dólares instantaneamente (não é?). Spam, e-mails maliciosos sobre enviar a alguém que está fora do país suas informações pessoais para que um presidente de um banco possa enviar-lhe $ 10 milhões de dólares na próxima semana, ações de uma empresa que você nunca ouviu falar que pode se tornar a próxima Microsoft, tentando levá-lo a vender qualquer coisa. Eu mesmo constantemente leio e-mails sobre o governo dando dinheiro de graça (então você não é o único, hein?). Como se o país de alguma forma fosse nos dar dinheiro a toa. Eu não tinha o dinheiro ou o tempo para desperdiçar com golpes e outras coisas que simplesmente não funcionam (é nessa hora que você pensa: “puta merda, esse cara pensa exatamente como eu!”).

Percebi que a melhor coisa a fazer é em vez de torcer para que a empresa que você está de olho ainda esteja lá no dia de amanhã, a melhor coisa a fazer é ir atrás de uma empresa grande e respeitável. Depois de olhar várias empresas diferentes, eu tinha uma que é real e legítima.  E aí, está preparado para saber o que eu descobri? Continue a ler – Repare que ele repete a expressão “a melhor coisa a fazer”. Pronto… a terra está arada, adubada e pronta para plantar a semente da tentação. Que rufem os tambores… Que soem os clarins!

Para fazer uma longa história curta (curta? hahahaha), o resultado é que dentro de quatro semanas, eu estava gerando em casa R$ 7.800 por mês. Tudo o que faço é gerir um pequeno site, o que o kit te ensina facilmente. Eu nem sequer tenho que vender nada. Você leu isso? Sim, realmente ninguém precisa comprar nada de você ou de mim. Basta administrar o site e seja pago. Como começar? - Depois de uma longa história, construindo confiança e te deixando curioso, ele vomita tudo num parágrafo só. Muita informação para assimilar. Um mês, 8 mil reais, sem vender e em casa!

Vá para este link (que eu obviamente não vou colocar aqui), preencha um formulário básico online e clique em enviar no kit. Pague apenas 3 reais (US$1.97) para a taxa de entrega – Outro parágrafo curto, com frases no imperativo. Você já está convencido. Agora é hora de agir…

Siga as instruções sobre o kit e configure uma conta. Em seguida, eles vão te dar os links do website para ser administrado. - Ok malandrão. Quem são eles? Que website? Administrado como? Não vai explicar nada?

Você vai começar a receber seu primeiro pagamento em cerca de 48 horas. Ou você pode tê-los diretamente depositados em sua conta corrente. (Seus primeiros pagamentos serão de cerca de R$ 800 a R$ 2.300 por semana. Depois vai aumentando daí. Depende de quantos sites você pôr online.) – Não, você não precisa de explicações. Você só precisa de vantagens. Quando você começa a pensar sobre os riscos, pimba! Dinheiro em 48 horas. Não dá nem pra respirar….

Você pode dizer “eu posso pagar apenas 1.97 dollares” para ter se tornado completamente  livre de dívidas e ter dinheiro no bolso? Sim! Você vê, eu estou apenas fazendo a minha parte e espalhando isso de modo que você não tenha que passar pelo que eu acabei passando. E acho que legitimamente você pode gerar entre R$ 8.500 a R$ 10.000 por mês trabalhando apenas algumas horas por dia postando links online.  O sistema realmente mostrou-me como. Então, basta fazê-lo. – Ele está fazendo apenas a parte dele, disseminando formas de ficar rico sem receber nada em troca. Claro, claro. O sistema mostrou como tirar vantagem. É dever dele ensinar os outros. É só postar links online. Opa, mas não era administrar site? Você administra postando link?

O texto acaba aqui. Mas a cereja do bolo são os… “comentários” no final. São 8 ao total. 4 confirmam a veracidade das informações e elogiam o sistema. 2 estão em dúvida se vão aceitar. Os outros 2 postam fotos dos cheques que receberam. Ninguém critica ou faz perguntas mais técnicas.

Você acha que acabou? Não! No rodapé há um player. Achei que era alguma música reflexiva, aquelas de fazer yoga, sabe? Mas não… era o barulho de uma CAIXA REGISTRADORA. Pessoal, I rest my case.

Agora você aprendeu como ficar rico em pouco tempo?

Diário de Bordo: Cachoeira dos Preto, Joanópolis

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O Brasil é recheado de lugares bonitos. A grande parte deles você nunca vai conhecer. Esse pobre escriba, sem dinheiro no bolso ou na conta bancária muito menos. E é por isso que dá um orgulho danado quando descobrimos pontos turísticos que te fazem querer voltar. Logo.

Visitei o Parque Ecológico em Joanópolis. Essa cidade, no interior de São Paulo, é conhecida pelas lendas com Lobisomem – praticam o chamado turismo folclórico. Apesar disso é bastante aconchegante, bem típica do interior paulista (principalmente se você não se importar em ser comido pelo humano na pele de lobo). Interessante é que as ruas do centro ainda são de paralelepípedo. Tem Prefeito que ia ficar maluco querendo asfaltar tudo…

O lobisomem é o da esquerda, ok? A sua esquerda!

Pra chegar no Parque há uma estrada bastante sinuosa, com buracos estrategicamente posicionados. Todo cuidado é pouco. Mas a paisagem compensa. É interessante ter a impressão de estar atravessando a floresta e, logo depois, vastos pastos com vaquinhas mimosas colocando a cabeça para fora da cerca. Contrastes.

Prestatenção que a entrada para o Parque é meio abrupta e sem muito aviso. Uma vez lá, o visitante conta um bom estacionamento, suficiente para bastante gente. Carros com placa de fora da cidade  - leia-se TURISTAS FAROFEIROS – pagam 5 dinheiros. Pelo menos até a data desse post.

Aí amigo, quando você desce do carro, instantaneamente compreende porque não dá para tomar banho na cachoeira propriamente dita. A força da queda deve ser suficiente pra fazer até lobisomem virar patê.

A pracinha de convivência estava bem movimentada. Talvez porque fui uma semana antes do Natal, mas é um mero palpite. Achei que encontraria apenas um restaurante, mas me enganei: lá tem doceiras, artesanato, bares e, claro, o rango mineiro. E que comida, diga-se de passagem.

Pausa para um parágrafo importante: Perto do restaurante tem uma espécie de gruta chamada TCHIBUM. Estranhei, porque vi apenas um filete de água escorrendo de uma parede de pedra com uma tiazona embaixo. Catso, como assim… TCHIBUM?, pensei cá com meus botões. Eis que de repente, não mais que de repente, uma caixa dágua tomba lá de cima, e a água em abundância faz a blusa da tiazona escorrer igual manteiga na frigideira. Quase cuspi o chá gelado que estava engolindo naquele exato momento. Uma bela reprodução desse meme.

O dono do restaurante é um gênio. A parte debaixo tem mesas que seguem o curso do rio, logo, você almoça com aquele barulhinho gostoso de água corrente. Mas não é o suficiente. O cidadão construiu um mezanino e quem tem a sorte de almoçar naquele lugar tem SÓ essa vista:

Isso é que eu chamo de decoração natural…

Após entupir a pança com feijão tropeiro, polenta, frango e costela, uma caminhadinha ajuda na disgestão. Uma pequena ponte  - bem comum no caminho – é a entrada para as trilhas. Importante: é proibido levar churrasqueiras. Tá avisado.

Não consegui contar, tal era a quantidade de pequenos lagos e quedas d’água. Tem para todos os gostos: com pedras, sem pedras, redondos, retangulares, inclinados, planos…. Impressionou a quantidade de pessoas nadando, se refrescando e aproveitando todas as possibilidades do relevo.

Isso acontece porque o rio principal se divide em 3 ou 4 outros rios menores, cada um com cursos e obstáculos próprios. As pontes que mencionei mais acima são extremamente providenciais, mas se você for mais aventureiro pode passar por dentro da água fresca mesmo.

Outro parágrafo importante: se você for entrar na água, tenha em mente que ela estará gelada. Esse aviso serve para você não ficar gritando desesperado como fez um simpático senhor. E eu diria que ele deu uma bela desmunhecada ali…

A trilha não é longa, então vale a pena chegar até o final. E o final é apoteótico. Um conjunto de pedras que te exigem um nível considerável de equilíbrio fazem o cerco até o ponto mais próximo que você vai chegar da Cachoeira dos Preto – exatamente do jeito que escrevi – sem precisar encarar a montanha. Atrás de mim tinha muito mais gente que escolheu aquele canto para montar acampamento:

Repare: aquele ponto vermelho, na direita, é uma pessoa!

Não fui, mas fiquei sabendo que dá pra chegar ao topo da cachoeira num passeio de Jipe ou caminhando mesmo. Deve ser um passeio deveras interessante e a vista nem se fala.

Eu sou suspeito para falar de um lugar com trilha e cachoeira, entretanto, a visita está mais do que recomendada. Visite Joanópolis. Visite a Cachoeira dos Preto e passe uma tarde aproveitando o que a Mãe Natureza tem de melhor.

PS: A origem do nome da cachoeira é meio controversa. Li em algum site por aí que aquele era o ponto que os negros optavam por não mais ser escravizados. É… pulavam mesmo. Uma pessoa que vive lá, no entanto, me falou que os donos originais do local eram a Família Preto, no sigular mesmo. As adaptações linguisticas do tempo, no entanto, adicionaram o “S”. Eu preferi utilizar a forma tradicional. Fica o registro.

Profile dos fundos

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Uh É Grace Kelly! Uh É Grace Kelly!

Em 1954, Alfredinho Braço de Pilão Alfred Hitchcock dirigiu um dos maiores injustiçados na história do Oscar: Janela Indiscreta não ganhou o prêmio dos “entendidos” da Academia mas merecia, bastante em função da simplicidade na construção do roteiro. Olha só que brilhante:

Nosso herói fotófrago quebrou a perna durante o serviço e como não havia nada melhor pra fazer em 1954 – nada melhor MESMO – passou os dias de molho observando a vizinhança, de uma posição privilegiada em seu apartamento. O calor de fazer o Capiroto implorar por ar condicionado facilitava o voyeurismo, já que as janelas, todas, viviam escancaradas. Não… ninguém se preocupava muito com ladrõezinhos pé de chinelo. Não vou contar mais para não estragar outras partes, até porque esse texto não é, necessariamente, uma resenha da película*.

Agora corta para 2011. Põe na tela, produção. Via de regra, vivemos fechados em nossos carros nem sempre blindados, em nossos apartamentos, casas, escritórios. Muros altos, cercas, persianas. Nosso mundinho particular, certo? Quase.

Ao mesmo tempo em que nos enclausuramos em lugares cada vez mais parecidos com o bunker do Paulo Coelho, arrombamos nossa intimidade nas redes sociais, (in)conscientemente. Essas são as janelas indiscretas do século XXI. Inclusive, o cidadão que não tem nada melhor pra fazer e fica vigiando o próximo (ainda que a perna esteja saudável) tem até nome: stalker.

É engraçado como, mesmo sem ver as brigas do casal, percebemos nitidamente que um relacionamento foi pro limbo. As fotos românticas desaparecem, as trocas de mensagem, quando muito, são… violentas e, principalmente, o status “relacionamento sério” muda para “livre, leve e a perigo na balada”.

Nada não. Eu só queria colocar a Grace Kelly novamente no texto

Sabemos como foi a viagem de férias, como estão as notas na escola, se o colega de trabalho tem bafo (informação relevantíssima, por sinal). Passamos a cuidar da vida do outro, num troca-troca quase promíscuo de informações. Nossos vizinhos já não olham exatamente para a nossa casa (ou o que daria para ver através de uma janela), mas para nossa vida. Não é demais?

Depois não adianta reclamar que programas como Big Brother Brasil são uma porcaria, perda de tempo, preguiça mental e outros argumentos utilizados até num poema (?). Todo mundo olha a grama do vizinho, a roupa do vizinho, a gordura da barriga do vizinho, se ele tem o carro do ano, se chega tarde em casa… Tudo isso é humano, irreversivelmente humano.

“Mas, tio Frank, se você está falando que é ruim e errado ficar se expondo assim nas redes sociais, porque tem blog, Twitter, Facebook, Skype..?” 

Não é bem isso. Não é errado e nem ruim. A minha opinião, que não vale nem uma cueca furada, é que as pessoas devem ter certeza do que estão expondo, para que nenhuma informação divulgada seja usada CONTRA elas – assim como no filme, diga-se de passagem.

De resto, meu querido leitor, minha nobre e especialmente cheirosa leitora… Tá tudo liberado! Inclusive me seguir no Twitter.

*Não adianta fazer resenha para Janela Indiscreta porque é um daqueles filmes que, se você ainda não assistiu, saiba que sua vida está bem menos completa. Falta um pedaço moral na sua existência de meia pataca.

Um campeonato para o Magrão

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Faleceu na madrugada de domingo um dos principais jogadores que o futebol brasileiro já conheceu: Sócrates foi um dos gênios que jamais serão igualados, por sua classe dentro de campo e sua consciência fora dele. Viveu uma vida de excessos que resultou em uma morte precoce. Sua participação no reestabelecimento da democracia no país é um fato mais do que notável. Foi a ponte entre futebol e política, num,a época de medo e incertezas.

No mesmo dia, o campeonato brasileiro teve sua última rodada. Coincidentemente, este foi o campeonato mais democrático dos últimos tempos. Virtuais rebaixados ganhando de postulantes ao título, clássicos decidindo vida ou morte, rivais se ajudando, ainda que sem querer.

Vamos, pois, a uma análise rápida dos principais personagens:

Corinthians: Campeão com méritos. Na montanha russa que todos passam, teve a competência de estar em boa fase no começo e no final. Vitórias cruciais contra Ceará, Atlético Mineiro e Figueirense nas últimas rodadas deixaram o time em situação mais do que confortável. Precisa limpar o elenco de algumas tranqueiras (e eu incluo o Adriano), se quiser coisas maiores ano que vem. Quem diria, depois da eliminação para o Tolima, hein?

Vasco: Um time para dar orgulho. Não se deixou amolecer com o título da Copa do Brasil e fez de um elenco mediano no nome, grande em campo. Podia dar todas as desculpas do mundo para não lutar, mas foi até o fim, cabeça a cabeça. Agora precisa contratar um centro-avante de ofício, pelo menos. Quem diria, depois de um Campeonato Carioca trágico e de um AVC num clássico, hein?

Fluminense: Um terceiro colocado de respeito. Recuperou Fred e arrancou lindamente no segundo turno. A chegada de Abel Braga parecia que seria uma aposta fracassada, mas com paciência “Ableão” arrumou o time. Uma caipisaquê de brinde, chefia! Libertadores a vista!

Flamengo: O pojetu do pofexô navegou em águas turbulentas o ano inteiro. Não adiantou nada ganhar o Cariocão invicto. Na hora do vamos ver, o time deu uma leve tremida, ficando jogos demais sem ganhar. Todo o investimento em Ronaldo Gaúcho, Thiago Neves, Felipe e cia resultou numa vaguinha para a Libertadores.  Pelo investimento feito, foi o mínimo.

Internacional: Tem boas peças no elenco e, ao que tudo indica, vai dar liga no ano que vem. Acho que não fez uma temporada brilhante e ficou abaixo do esperado, provavelemte porque faltou alguma coisa

Os rebaixados:

Atlético Paranaense: Nem Paulo Baier salvou dessa vez. Um time limitado e sem opções dá nisso aí. Curitiba perde um representante que não raramente flertava com a série B. O namoro virou casamento.

Ceará – Uma lástima a queda do Vozão. Mas futebol é isso. Apesar de eliminar o invicto Flamengo na Copa do Brasil, não teve competência para manter um bom futebol. E olha que ano passado chegou a ser líder do campeonato…

America-MG: Um arrancada final fantástica. O Coelho acordou meio tarde na competição e na base do desespero arrancou pontos dos postulantes ao título. Quem diria que a lenda viva Fábio Júnior ainda daria um certo trabalho para as defesas adversárias, hein?

Avaí - A única grade glória foi arrancar na força a vaga na Libertadores do maior rival. Esperar o que de um time que tomou 75 gols e terminou o campeonato com -30 de saldo?

Menções honrosas (ou nem tanto):

Figueirense: Bateu na trave. Tinha tudo para chegar na Libertadores, mas a pressão foi forte demais. Convenhamos que a tabela também não foi lá muito favorável, com jogos difíceis contra times brigando por coisas importantes. Jorginho está de parabéns. Que se mantenha a base, mas creio que um desmanche vem aí.

Atlético-MG e Cruzeiro – Que horror de temporada. Não se salva absolutamente nada nessa dupla mineira. O Cruzeiro entrou em parafuso quando foi desclassificado na Libertadores. O Galo foi medíocre o ano todo e na hora de empurrar a cabeça do rival para a cova, perdeu de SEIS (!). Um ano pra lamentar.

Braço erguido e punho fechado. Uma imagem de arrepiar

PS: Eu ainda gosto mais do esquema mata-mata, apesar de entender e concordar que pontos corridos é o melhor método para o Campeonato Brasileiro. Eu só não admito que expliquem essa questão com o argumento de “puxa, olha a emoção que esse campeonato teve“. Sim. ESSE campeonato. Ano que vem alguém dispara e sagra-se campeão com 10 rodadas de antecedência e aí eu quero ver o argumento.

Ainda bem que a Copa do Brasil será reformulada, ficando bem mais divertida de acompanhar.

Pequeno Gigante

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Aqui Já se falou, ou tentou se falar, de esporte, política, cotidiano e música. E nesse último texto ano, o tema será: Esse blog! em um texto metalinguístico (quando se fala da coisa dentro da própria coisa, entenderam?)

  2011 foi e está sendo um ano muito legal. O Frank está em um programa de rádio e eu consegui um estágio em assessoria, além de ter escrito em um jornal aqui da cidade. Fizemos novos amigos, pessoas bacanas com quem aprendemos um pouco mais sobre a profissão e a vida.

E pensar que tudo isso começou aqui, meio na brincadeira, na simples aventura de escrever neste monstro chamado internet. Hoje, o blog está com uma audiência consolidada (700/800 acessos por dia) e leitores assíduos. Supimpa, né?

POR ISSO SÓ TEMOS A DIZER:

Valeu Pequeno Gigante! Feliz Natal e ano novo! Voltamos com esse espaço em Janeiro!

O Pateta é meu herói

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A Disney, hoje, não é nem sombra do que foi há algumas décadas. É claro que a magia ainda permanece, principalmente falando de seus parques temáticos. Já as novas obras não são exatamente a última bolacha do pacote, tanto é que se aliaram (ou compraram, como queiram) a Pixar. Se olhar o canal Disney Channel e Disney Channel XD, então…  todas aquelas séries com atores mirins que viram estrelas mundiais e motivo de choro das adolescentes tem, para mim, um lugar reservado na lata do lixo. Pra quem já viu “Fantasia” e seu icônico Aprendiz de Feiticeiro, não dá pra ficar contente com o que transmitem agora. Pobres jovens.

Mas eu perdôo. Não guardo rancor. Desculpo todas as falhas que os novos tempos podem causar. Simplesmente porque temos o Pateta. O cachorro que é bípede e fala como humano – ou quase isso –  tem a MELHOR série de desenhos entre o trio de ouro (sim… é melhor que Donald e Mickey). Os manuais, tutoriais ou sei lá como chamam esse tipo de história na qual o narrador descreve as situações e nosso amado Goofy as coloca em prática, são fantásticos.

Os desenhos antigos, com qualidade no roteiro e piadas na sintonia do quanto mais simples, melhor, não vão morrer jamais. Quer dizer, ao menos enquanto existir o Youtube.

Abaixo relaciono alguns “episódios” inesquecíveis. De fato, o Pateta é meu herói.

(Esse ultimo não é da mesma série, mas eu tinha essa fita cassete quando era pequeno. Quase escorreu uma lágrima revendo as cenas que eu AINDA tinha na memória. Foi nesse que eu aprendi o grito do Pateta, como saber se uma corda está esticada e como deitar na rede com estilo

Impressionante como, mais de 16 anos depois, eu ainda sabia o que ia acontecer em cada tomada de cena. Emocionante.)


Como descobri que o telespectador é incoerente

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A faculdade nos proporciona algumas oportunidades interessantes, veja só, também na área acadêmica. Você pode não acreditar, mas as vezes o curso superior é muito mais do que bares, mulheres/homens, festas e diversão. Quer dizer… não MUITO MAIS. Só um pouco.

Uma dessas raras oportunidades acadêmicas foi aplicar uma pesquisa de opinião sobre a qualidade da programação da televisão brasileira. O quê? Não achou interessante? Então não me venha todo contente dizer que a moça do caixa fez a conta errada e você saiu com a porção de fritas grátis porque eu também não acho legal. Mas voltemos ao texto.

Apliquei a pesquisa com 63 alunos, sendo um pouco mais da metade mulheres. É claro que eu não vou lotar esse texto com gráficos e tabelas porque eu seria considerado – com razão –  o maior chato do Brasil, mas vamos com as conclusões, que é o que interessa.

O primeiro dado interessante é que, ao que parece, a classificação indicativa por idade/horário é bem aceita. Mais do que isso, as pessoas querem que essa classificação seja mais rígida. Ainda que outros setores da sociedade – o artístico, creio eu –  considerem a medida como censura.

Outro dado curioso é o que mostra o desejo das pessoas por mais programas educativos. Até aí morreu Neves, coitado. A questão é que programas educativos não estão entre os mais assistidos, entre os preferidos – dado apurado na mesma pesquisa.

(Aliás, nessa pergunta sobre tipos de programa favoritos, ganhou Filmes, seguido de Noticiários, que não tem segmentação por gênero. Depois disso vem Esportes e, após, Novelas, MESMO o público feminino representado mais de 60% dos questionados).

Ou seja, querem mais educativos, mas não assistem os que já existem. Aí eu pergunto: cumé que vão fazer mais, nessas condições? E aí eu pergunto novamente: estamos diante de um Dilema Tostines: Não fazem mais programas educativos de qualidade porque ninguém assiste ou ninguém assiste porque não fazem mais programas educativos de qualidade?

Por fim, uma resposta a uma pergunta aberta me deixou intrigado. Eu sabia que tinha um raciocínio atrás daquela meia dúzia de palavras, mas meus olhos cegos não conseguiam compreender. Até que eu vi a luz e me tornei uma pessoa mais feliz.

A pergunta era simples e direta: e aí? Como melhorar a qualidade da programação? A resposta foi: “Não ter mais canais pagos“.

A princípio não faz o menor sentido. Quanto mais canais, mais opções. Sua audiência fica diluída e você tem que melhorar seu produto para vender mais ou tanto quanto. Mas veja só o truque:

Normalmente, quem tem GatoNet TV por assinatura tem  maior poder aquisitivo. Convenhamos que não é exatamente barato. Para ter mais poder aquisitivo, você deve estudar mais. Estudando mais, seu critério fica mais rigoroso e você tende a não aceitar com facilidade qualquer porcaria que tentam te impor goela abaixo.

Dessa forma, não ter canais pagos significa migrar toda essa parcela “”"pensante”"”" para os canais abertos. E aí essa parcela pensante vai reclamar demais para ter qualidade, afinal, eles também vão comprar dos anunciantes… e aí você já percebeu o tamanho da merlin.

Isso tudo na teoria, claro. Nunca é friamente igual.

Será que a pesquisa que fizemos em sala de aula reflete a realidade? Eu acho que acertamos na mosca.

Na mosca da incoerência.

Foto: Coesão e Coerência Textual

F1 2011: Interlagos, Brasil

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Pessoal, devido a um domingo atribulado, teremos aqui a análise do Fábio Seixas, sobre o último GP do ano e, após, o Pitaco do Frank:

Webber, vitória com cheiro de marmelo

O australiano só chegou à liderança do GP porque Vettel supostamente sofria com um “problema sério de câmbio”. O curioso é que, depois da ultrapassagem, o alemão voltou a andar em ritmo forte. Tanto que cruzou em segundo.

Ok, a Red Bull tem um carro sensacional, mas não a ponto de um piloto perder segunda e terceira marchas e permanecer à frente de McLaren e Ferrari.

Estranho, sim. Condenável? À esta altura do campeonato, não acho. O Mundial já estava decidido. Antes de criticar, lembrem-se de Senna dando a vitória a Berger em Suzuka-91 e das reverências ao brasileiro na ocasião.

Button completou o pódio e sagrou-se vice-campeão mundial. Merecido.

A prova começou com sol forte, 26ºC no ar, 44ºC no asfalto e previsão de chuva nos instantes finais.

Na largada, Vettel acelerou forte, manteve a linha e a primeira posição.

Alonso passou Hamilton no S. Massa deixou Sutil para trás. Bruno ficou em nono. Barrichello despencou para 20º e teve de fazer uma corrida de recuperação.

O top 10 na primeira volta, Vettel, Webber, Button, Alonso, Hamilton, Massa, Rosberg, Sutil, Bruno e Di Resta.

As dez primeiras voltas foram protocolares, sem grandes emoções. Mas logo o cenário ficou mais agitado.

Schumacher foi o primeiro a mudar isso, na 10ª volta.

Ele partiu para ultrapassar Bruno no final da Reta dos Boxes, o brasileiro não aliviou, os dois se tocaram. Pior para o heptacampeão, que teve um pneu furado. Bruno perdeu algum pedaço do carro, que aparentemente não fez falta.

Minha opinião: incidente normal de corrida. Quando nenhum piloto levanta o pé, dá nisso. Acontece. Pena que os comissários da FIA, cada vez mais ridículos, não pensem assim. Bruno levou um drive through.

Na 11ª volta, mais emoção, num show de categoria de Alonso. O espanhol passou Button no Laranjinha, por fora. Demais.

Instantes depois, foi a vez de Vettel adicionar imprevisibilidade à corrida. Pelo rádio, ele foi informado de que havia um problema na sua segunda marcha.

Simultaneamente, começava o corre-corre nos boxes. Button parou na 16ª volta. Alonso, Rosberg e Hamilton, na seguinte. Vettel, na 18ª. Webber entrou na 19ª.

Na 23ª, o primeiro abandono: o pneu traseiro esquerdo de Glock saiu voando após seu pit. Que várzea, essa Virgin…

Três voltas depois, Vettel recebeu mais uma péssima notícia. “Problemas sérios na caixa de câmbio”, disse o engenheiro. Não por coincidência, Webber estreitava a diferença.

Na 30ª volta, veio a ultrapassagem. Webber líder do GP. E a suspeita. Marmelada? O irônico da situação é que foi a Ferrari, pelo Twitter, que lançou o mau cheiro no ar…

Duas voltas depois, Button, de novo, foi o primeiro dos ponteiros a parar. Colocou os pneus mais duros, dando toda a pinta de que iria até o final assim. Ou seja, apostava em tempo seco. Hamilton parou na 34ª e continiuou com pneus macios: ou seja, apostando em ter de colocar os compostos de chuva mais à frente.

Alonso parou na 36ª. Webber, na 39ª. Vettel, na 40ª, instantes depois de Button ultrapassar Massa e faturar a quarta posição.

Na 40ª volta, o top 10 tinha Webber, Vettel, Alonso, Button, Massa, Hamilton, Rosberg, Sutil, Di Resta e Kobayashi.

E, como a chuva não veio, Hamilton teve de parar na 44ª volta e colocar os pneus duros. Logo depois, sua corrida foi pro espaço. Com problemas de câmbio, encostou e abandonou o GP.

Na 53ª, uma surpresa, Button foi para os boxes e colocou novo jogo de pneus duros. Alonso parou na 55ª.

“Você pode dar voltas em ritmo de classificação”, disse o engenheiro de Button. E ele obededeceu. Começou a chinelar, a cravar voltas mais rápidas, caçando Alonso volta a volta.

Líder, Webber fez seu terceiro pit na 59ª. Vettel, na seguinte.

Na 60ª, Button chegou em Alonso. Duas voltas depois, ultrapassou no fim da Reta Oposta, acelerando com muita força e, claro, usando a asa traseira.

Na linha de chegada, Webber tinha 16s9 sobre Vettel e 27s6 sobre Button. Completando o top 10, Alonso, Massa, Sutil, Rosberg, Di Resta, Kobayashi e Petrov. Barrichello foi o 14º. Bruno, o 17º.

Pelo rádio, comemoração tímida da Red Bull e de Webber. Um quê de constrangimento, talvez.

Com o resultado, Vettel fecha o ano do bicampeonato com 392 pontos. Button ficou com 270. Webber pulou para terceiro, com 258, um a mais que Alonso. Hamilton ficou em quinto, com 227. Massa foi o sexto, com 118.

No Mundial de Construtores, 650 pontos para a Red Bull contra 497 de McLaren e 375 de Ferrari.

E terminou. Que venha 2012. Faltam 111 dias para o GP da Austrália.

Pitaco do Frank: Por mais superior que o carro da Red Bull pareça e seja, temos também que creditar o destruidor campeonato de Vettel à incompetência das outras equipes.

Ofereço meu ombro amigo ao camarada e xará Frank Williams. Que ano terrível para sua escuderia. Um carro lixo para quem costuma se superar na montagem das máquinas. Tem que honrar os 9 títulos mundiais, pô!

A Ferrari tem que ficar mais vermelha, mas dessa vez de vergonha. Ô carrinho sem vergonha, que obrigou Alonso a fazer milagres. Já a McLaren não achou seu diferencial competitivo, faltou aquele sopro de inspiração.

Renault e Mercedes vão quer que sambar miúdo para projetar carros mais criativos e aerodinamicamente mais inteligentes. Vejo uma luz no fim do túnel – de Mônaco – para elas. Quem sabe não dão trabalho asno que vem?

E faço um apelo, uma súplica, por fim: que as novas equipes façam o que as lamentáveis STR, Hispania, Virgin e a mequetrefe Lotus não conseguiram. Não precia ser top de linha. Sejam apenas… carros de F1.

Alô Marussia e Caterham! É com vocês que eu estou falando!

Piquet e a Brabham BT49C: carro campeão, piloto tricampeão

Foto: Grande Prêmio

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